Quarta-feira, 08 de Abril de 2020
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Revista ABRIU | Número monográfico sobre o Livro do Desassossego

Início: Fim: Países: Espanha

Literatura, Chamada para artigos

A revista Abriu: estudos de textualidade do Brasil, Galicia e Portugal, divulga a chamada para trabalhos para o seu número monográfico 5 (2016): O Livro do Desassossego de Fernando Pessoa, desafio de tradutores/editores.
 
Poucas obras como o Livro do Desassossego de Fernando Pessoa representam com tanta exatidão o de uma modernidade que foi, em paralelo, spleen e paixão febril, simbolismo (ou decadentismo) e vanguarda. Dietário íntimo, livro de reflexões, ensaio de ficção de uma (auto)biografia imaginada, o Livro do Desassossego chegou até aos nossos dias com uma realidade tão poliforme como a modernidade que reflete através da vida atormentada do seu autor ou autores fictícios, atrás dos quais se esconde sempre o próprio Pessoa.
 
É, para além disso, um símbolo quase inesgotável da própria essência (e, com ela, das suas virtudes e riscos) da literatura: uma obra talvez editada sem fim sobre areias movediças, sempre com a fragilidade de quem caminha por um terreno vulcânico. Desde 1982, data da primeira edição portuguesa do livro (pela mão de Jacinto Prado Coelho, Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha) até à mais recente edição crítica (2010) de Jerónimo Pizarro, passando pelas versões de António Quadros (1986), Teresa Sobral Cunha (1991) ou Richard Zenith (1998), o Livro – que já não é alheio à esfera digital e virtual – não fez senão crescer e metamorfosear-se segundo os critérios dos seus editores, mantendo porém, sempre o mesmo título. E esta circunstância multiplica-se, mais uma vez, com as inúmeras traduções do Livro realizadas para línguas tais como o espanhol, o catalão, o italiano, o francês ou o inglês.
 
Editores que agem como autores e tradutores que agem como editores constroem, dia após dia, a realidade e a eficácia (ou ineficácia) deste livro que, quase um século depois de Pessoa o começar a escrever, continua vivo, polémico e em constante mutação. A esse desassossego, o do autor ou autores, o dos editores e o dos tradutores, é dedicado este dossier monográfico de ABRIU nº 5, no centenário da revista lisboeta Orpheu e do aparecimento do primeiro modernismo português, com Pessoa à frente.
 
Os artigos poderão ser escritos em português, galego, espanhol, catalão ou inglês. Deverão ajustar-se às normas da revista e passarão pelo sistema de dupla revisão cega por pares.
 
Os originais propostos, quer para o monográfico, quer para outras secções da revista, deverão enviar-se para filgalport@ub.edu até ao 1 de dezembro de 2015.
 
Este monográfico de ABRIU tem como editor convidado Antonio Sáez Delgado, professor de literatura e de tradução na Universidade de Évora. Especialista nas relações entre as literaturas portuguesa e espanhola dos princípios do século XX, abordou em vários volumes os contactos estabelecidos entre Fernando Pessoa e a cultura espanhola – Órficos y ultraístas (2000); Adriano del Valle y Fernando Pessoa (apuntes de una amistad) (2002); Espíritus contemporáneos (2008); Nuevos espíritus contemporáneos (2012), Pessoa y España (2015) – e foi comissário das exposições Suroeste. Relaciones literarias y artísticas entre Portugal y España (MEIAC, 2010) e Fernando Pessoa en España (BNP, 2013; BNE, 2014). Traduziu para espanhol o Libro del desasosiego e Iberia. Introducción a un imperialismo futuro, e inúmeros livros de outros autores portugueses modernos e contemporâneos. Colabora como crítico literário em Babelia e é diretor de Suroeste. Revista de literaturas ibéricas.
 
ABRIU é uma publicação científica de periodicidade anual editada por Estudis Gallecs i Portuguesos de la Universitat de Barcelona (Estudos Galegos e Portugueses, Universidade de Barcelona). O seu objetivo é oferecer à comunidade académica um espaço de debate sobre a textualidade (literatura, cinema, artes cénicas, música...) no âmbito dos estudos brasileiros, galegos e portugueses. Cada número inclui um monográfico, seguido dos artigos da miscelânea e recensões de livros. Publica-se simultaneamente em edição impressa e digital em aceso livre.

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