Segunda-feira, 02 de Março de 2026
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Chamada de Artigos: Fronteiraz 37: "50 anos do golpe militar na Argentina"

Data de abertura: Data de encerramento: Países: Brasil

Chamada para artigos, Literatura

Chamada para o envio de artigos para o dossiê temático 50 anos do golpe militar na Argentina: literatura e experiência autoritária no Cone Sul, do número 37 da revista FronteiraZ. Os artigos poderão ser submetidos de acordo com as seguintes diretrizes para autores.

Editores:

  • Amanda Lacerda de Lacerda - Universidade Estadual de Campinas
  • Leonardo da Silva Claudiano - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
  • Valéria Gomes Ignácio da Silva - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Data limite para submissão de artigos: 10 de junho de 2026

A seguir, o texto da chamada, disponível também neste link:

Em 2026, completam-se 50 anos do golpe civil-militar que instaurou na Argentina um dos regimes mais violentos e sistemáticos de repressão política da história latino-americana. A efeméride convida não apenas à rememoração, mas à reflexão sobre as formas pelas quais a literatura tem se constituído como espaço privilegiado de denúncia, elaboração simbólica da violência e resistência ao apagamento imposto pelos Estados autoritários.

A tradição intelectual argentina voltada para a interpretação deste período e suas reverberações é amplamente reconhecida por meio do trabalho de autores como Beatriz Sarlo, Ricardo Piglia, Josefina Ludmer, Elizabeth Jelin, Nora Strejilevich, entre outros, que desenvolveram textos críticos, ensaísticos, testemunhais e literários sobre a memória e seus trânsitos pelo passado e o presente da ditadura militar.

As ditaduras do Cone Sul — Argentina, Brasil, Chile e Uruguai — revelam-se um território fértil para investigar os modos de inscrição da experiência histórica extrema na linguagem. A literatura latino-americana, com especial destaque a partir dos anos 2000, tem se debruçado sobre essa “nuvem insidiosa” (Sarlo, 2005, p.9) para dar-lhe contorno, atribuir-lhe um sentido que contribua para a compreensão do presente.

Nas obras de escritores como Félix Bruzzone, Nona Fernández, Marcelo Rubens Paiva, Renato Tapajós, Mário Benedetti, Fernanda Trías, Alejandro Zambra, Marta Dillon, entre outros, o real não se apresenta como dado transparente, mas como construção tensionada por traumas, silêncios, fragmentações e disputas de sentido. As diferentes formas do realismo — em suas variações, impasses e fraturas — operam como estratégias narrativas capazes de desmascarar o discurso do poder e reelaborar a memória traumática.

Este dossiê propõe reunir artigos que abordem a literatura como forma de denúncia e rememoração das ditaduras latino-americanas, considerando tanto obras produzidas sob o regime quanto aquelas elaboradas no pós-ditadura, quando a memória, o testemunho e a reescrita do passado se tornam campos centrais de disputa simbólica.

Neste número da Revista FronteiraZ, esperamos receber contribuições que problematizem e atualizem o debate sobre as representações do trauma relacionado às ditaduras latino-americanas. Nesse sentido, acolheremos propostas transdisciplinares que abordem as seguintes temáticas (mas não se limitam a):

  • Cruzamentos entre história, memória, esquecimento, imaginação e afetos experienciados sob regimes ditatoriais via literatura e/ou outras artes;
  • Aproximações entre obras literárias que realizam trabalho de memória, desde os anos 1960 até o presente, e os discursos institucional, jornalístico, cultural, entre outros, que produzem tensionamentos e releituras da história das ditaduras;
  • Experiências de linguagem (escritas de si, montagem, biografia, ensaio, encenação, performance, dramatização etc.) na representação do trauma produzido pelas ditaduras do Cone Sul via literatura e/ou outras artes;
  • Produções narrativas e/ou poéticas contemporâneas no âmbito dos relatos de filiação e das dinâmicas de transmissão geracional da experiência sob regimes autoritários;
  • Abordagens comparadas entre literatura brasileira, argentina, chilena e/ou uruguaia a partir de uma perspectiva crítica e interdisciplinar.

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