Quarta-feira, 21 de Outubro de 2020
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Discursos em tempos de pandemia: cidadania, educação e linguagem em colapso

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Brasil

Chamada para artigos, Ciências Humanas e Sociais, Comunicação, Educação, Língua, Linguística, Media, Políticas Públicas

A revista Brazilian Journal of Policy and Development (ISSN: 2675-102X) coordenada pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), recebe artigos para o seu Dossiê "Discursos em tempos de pandemia: cidadania, educação e linguagem em colapso". O prazo máximo para o envio de artigos é o 30 de outubro de 2020. A revista publica artigos em inglês, português e espanhol.

Entre 2016 e 2019, em meio a uma onda ultraconservadora, que promove discursos de ódio e furor, diferentes setores sociais são afetados no Brasil e no mundo. Então, em 2020, o mundo é sacudido por uma pandemia que aprofunda, desvela e potencializa as mazelas já existentes, bem como intensifica a criação de outras. A comunidade científica não pode ficar inerte, como não permaneceu. Diversos estudos e linhas de pesquisa têm se lançado a enfrentar tanto as ondas ultraconservadoras, tanto quanto às consequências indeléveis de um “novo normal” para o qual ninguém estava preparado.

Pensando nesse panorama e em estudos recentes que tentam compreender os tempos de pandemia e os discursos que neles se avizinham e podem, em médio e longo prazo, trazer dilemas e contrassensos, esta edição da revista Brazilian Journal of Policy and Development (BRJPD) propõe um dossiê que objetiva incentivar a discussão de três principais campos que entraram em colapso: a cidadania, a educação e a linguagem. Em 2017, Mário Sérgio Cortella e Marcelo Tas lançaram a obra Basta de cidadania obscena!, na qual defendiam que sujeito com deveres e direitos individuais que trabalha para o bem coletivo definido como “cidadão” não é mais praticado como deveria, uma vez que a cidadania ainda continua obscura, isto é, não entrou em cena, de fato, no Brasil, dada sua relativa juventude – já que existe desde 1988, quando é promulgada a Constituição Cidadã – e por diversos outros motivos. O que há, segundo os dois pensadores, é uma cidadania que não deveria ser mostrada – daí ser obscena –, porque é cercada de vaidades, orgulhos, corrupções e projetos que não se alinham aos ideais do bem comum que deveriam estar associados a res publica.

A educação brasileira também não se encontra nos seus melhores momentos. Segundo a Unesco, jovens e crianças foram afetados pela suspensão das aulas em escolas e universidades, atingindo mais de um bilhão de estudantes em todo o mundo. Nem a língua e a linguagem escapam do colapso. Com a pandemia de Covid-19, muitas tribos indígenas estão sendo exterminadas e, junto com o luto de seus membros, as línguas dos diversos e distintos troncos linguísticos vão sendo extintas, pois a tradição é oral e poucos registros escritos, formais ou informais, existem acerca dessas línguas. Perde-se, assim, toda uma riqueza cultural, linguística e social. Nas redes sociais, por sua vez, lançam-se notícias infundadas e fake news, deslindando, dessa forma, uma rede de desinformação que a cada novo clique se agiganta. Todas essas reflexões ganham lugar nesse dossiê, cujo principal objetivo é construir um momento de convergência de estudos de diversos e distintos campos que possam auxiliar na construção de um horizonte reflexivo e crítico, que compreenda as incertezas e os questionamentos que nos motivam em nossas experimentações como pesquisadores e seres humanos.

Delimitação da abrangência dos artigos a ser submetidos:

  • Fake News e sociedade da desinformação
  • Cidadania e políticas públicas em tempo de pandemia
  • Consequências da pandemia na sociedade capitalista contemporânea
  • Discursos de ódio e estudos da linguagem
  • Administração pública e gestão pública durante a pandemia de Covid-19
  • Educação Básica e Educação Superior afetadas pela suspensão das aulas
  • Línguas indígenas e pandemia de Covid-19

Organizadores:

  • Prof. Dr. Marcos Rogério Martins Costa (UnB)
  • Profa. Dra. Roseli Gimenes (Unip)

Mais informações na página da revista Brazilian Journal of Policy and Development.

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