Terça-feira, 04 de Agosto de 2026
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Centro(s) e Periferia(s): ciclo de conversas propõe repensar a cidade

Início: Fim: Países: Portugal

Cultura, História

No âmbito do projeto Vozes das Independências – Lugar das Novas Nações, a BOTA – Base Organizada da Toca das Artes promove o ciclo de conversas Centro(s) e Periferia(s), um conjunto de encontros públicos que convida investigadores, ativistas, artistas e agentes comunitários a refletir sobre as múltiplas formas de habitar, criar e transformar a cidade.

Partindo da ideia de que a cidade é uma construção social, histórica e política, o ciclo propõe questionar as categorias de centro e periferia para além da sua dimensão geográfica. As periferias são entendidas como territórios produzidos por processos de desigualdade, mas também como lugares de criação cultural, produção de conhecimento, memória, resistência e afirmação de novas centralidades.

Num contexto marcado pelo agravamento da crise da habitação, pela gentrificação, pela pressão do mercado imobiliário e pela intensificação das desigualdades urbanas, Centro(s) e Periferia(s) procura promover um espaço de diálogo sobre o direito à cidade, a segregação socioespacial, o racismo estrutural e as formas como determinados territórios continuam a ser representados e governados por meio de lógicas de estigmatização e vigilância.

A programação reúne diferentes perspectivas sobre estas questões, cruzando investigação académica, ativismo, intervenção comunitária e criação cultural. Entre os participantes encontram-se Marta Lança (Portal Buala), José Sinho Baessa de Pina (Noz Stória), Flávio Almada (Moinho da Juventude e Vida Justa), Ivan Coimbra (Vida Justa), Vânia Vanessa Vaz (Associação Mocho +) e Lua Semedo (Técnica de intervenção social e comunitária e fundadora da Associação Juvenil Esperança da Quinta da Princesa). A moderação será assegurada por Elizabeth Olegário, Investigadora do CHAM (NOVA/FCSH)  e consultora de pesquisa do projeto.

As conversas realizam-se às 17h30 em três territórios de Lisboa: Praça das Novas Nações, em Arroios; Spot Dentu Zona, na Cova da Moura; e Centro Comunitário Terraço da Ponte, na Quinta do Mocho. A descentralização dos encontros traduz a própria proposta do ciclo: reconhecer que as periferias não estão fora da cidade, mas constituem parte essencial da sua história, da sua diversidade e das possibilidades do seu futuro.

Inserido nas comemorações dos 50 anos das independências dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), o projeto Vozes das Independências – Lugar das Novas Nações parte da Lisboa contemporânea para refletir sobre as permanências da história colonial inscritas no espaço urbano, nas relações sociais e nas experiências quotidianas dos seus habitantes. A iniciativa propõe deslocar o olhar sobre a cidade, valorizando as vozes, memórias e práticas produzidas por comunidades frequentemente invisibilizadas pelas narrativas oficiais.

Para além do ciclo de conversas, o projeto integra uma residência artística de criação coletiva com os músicos André Xina, Juninho Ibituruna, Francesco Valente e Rui Galveias, desenvolvida entre Arroios, a Cova da Moura e a Quinta do Mocho. O processo culminará na apresentação de um espetáculo e na edição de um disco, com estreia prevista para novembro de 2026, durante a World Music Week, organizada pela BOTA.

Através da arte, da música e do pensamento crítico, Vozes das Independências – Lugar das Novas Nações afirma a cidade como um espaço plural, onde as margens são também lugares de criação, conhecimento e produção de novas centralidades.

Mais informações: Vozes Das Independências — BOTA

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