Domingo, 18 de Abril de 2021
Congressos

Ucronias, Utopias, Distopias: Passados Alternativos, Presentes Paralelos, Futuros Imaginários

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Polónia

Chamada para trabalhos, Estudos Ibéricos

Ucronias, Utopias, Distopias
Passados Alternativos, Presentes Paralelos, Futuros Imaginários

Varsóvia (Polónia) 12-13 de abril de 2021

Instituto de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos da Universidade de Varsóvia
Grupo de Investigação (Outra)Ibéria: Outras Representações, Culturas e Identidades na Península Ibérica

Centro de Estudos Galegos de Varsóvia
Instituto Vasco Etxepare
Institut Ramon Llull
Instituto Camões
Associação Internacional de Estudos Galegos
Instituto Cervantes de Varsóvia

 

Utopias, distopias e ucronias não são géneros narrativos novos, mas hoje em dia ressurgem com mais força e intensidade quando se abordam temas como a liberdade, a solidariedade, os laços afetivos, a intolerância, a transcendência, o isolamento ou a socialização. Além disso, de algum modo, concentram as preocupações sociais das primeiras décadas do s. XXI já que, é certo que ao invês do discurso histórico –que trabalha sempre com referências reais– os universos e seres das modalidades narrativas não miméticas e de o insólito não existem fora do terreno do literário, em numerosíssimas ocasiões apresentam mundos criados e influenciados por uma realidade histórica na qual podemos reconhecer a nossa contemporaneidade. Ou seja, a cultura moderna pensa-se a si mesma a, ao fazê-lo, torna-se consciente da sua própria historicidade e tenta superar os seus limites históricos. A lista de novelas baixo estas características é longa; por pôr alguns exemplos, A sombra cazadora (1994) de Suso de Toro, Valdamor (2001) de Beatriz García Turnes, O centro do labirinto (1997) de Agustín Fernández Paz, Limiar de consciencia (2017) de Cristina Pavón, Mecanoscrit del segon origen (1974) de Manuel de Pedrolo, L’Illa de les Tres Taronges (1983) de Jaume Fuster, Crinera de foc (1985) de Maria Antònia Oliver, Ígur Neblí (1994) de Miquel de Palol, Michelíada (2015) de Antoni Munné-Jordà, Bilbilis (1926) de Pierre Lhande, Biharko oroitzpenak (1985) de Maddi Pelot, Belarraren ahoa (2004) de Harkaitz Cano o Euskaldun guztion aberria (2009) de Iban Zaldua. Obras como estas, plenas de monstros, de extraterrestres, de adelantos e de retrocessos, de viagens no tempo, espaços distópicos e versões alternativas da contemporaneidade, têm reativado e reconduzido o debate académico sobre o não mimético e o papel das novas tecnologias nisso. Além disto, este tipo de relato não é exclusivo da mera representação literária. Com frequência, as novelas e a banda desenhada adaptam-se ao cinema ou ao pequeno ecrã, criando mundos que se retro-alimentam e acabam por constituir-se numa sorte de criação coletiva.

Neste mesmo sentido, também nos parece urgente revisar a estendida e empobrecedora conceção do distópico como uma antítese do utópico fruto da deceção, a crise económica, a precariedade… A começos do s. XX os aportes do pensamento utópico cristalizaram numa nova compreensão do tempo marcada pelo predomínio do futuro, da iminência do que resta por vir. Ernst Bloch definiu a história como um movimento de progresso e teleologia, o qual teve como resultado um fortalecimento inaudito da condição do sujeito. Um sujeito que projeta no futuro novas imagens de si mesmo, que modelam o presente e desvalorizam o passado. Trata-se de uma conceção que, no fundo, não dista tanto da função negativa que também cumprem as distopias, pois, como indica Theodor Adorno, estas servem para comparar uma determinada sociedade com um futuro possível de modo que a partir da imaginação possa corrigir-se a realidade. Deste modo, no caso das distopias, a visão apocalíptica do futuro pode derivar-se de contemplar o mundo contemporâneo desde o temor ao crescimento do pensamento único, a precariedade dos projetos vitais, a fratura do vínculo social e a repressão da dissidência em nome do chamado bem comum. A distopia, a miúdo, funciona como alerta sobre o que poderia passar se se continua pelo mesmo caminho, devindo uma forma nova e original de literatura social.

Por último, outro ponto em que pretendemos focar focalizar é o facto de que o conceito de utopia tenha desde as suas origens uma relação especial com a exploração geográfica do globo e com a paisagem. Esta estreita relação permite-nos propor como um dos fios condutores do congresso a conexão entre a utopia (ou distopia) e as dicotomias rural vs urbano ou tradicional vs hibridação, tão presentes entre as culturas que, como a catalã, a basca, a galega ou a mirandesa sofreram uma forte discriminação e aferraram-se com força a identidades essencializadas. Identidades que afrontam o seu próprio processo ante tudo o que a modernidade promete aportar. De feito, no caso galego, os conflitos ecologistas e o pressentido final do mundo rural constituem a base do nascimento da banda desenhada, da mão das narrações distópicas de Reimundo Patiño. Pelo que respeita ao âmbito catalão-falante, além da versão da já mencionada Mecanoscrit del segon origen a cargo de Isidre Monés, e mesmo sendo um género bastante menos profuso do que outros, a novela gráfica constituiu um campo de criação propício para o tema que aqui propomos, desde a temperá crítica social de Enric Sió na série Lavinia 2016 o la guerra dels poetes (1968), até a recente –e polémica– Terra cremada, assinada baixo o pseudónimo de Pau Pèrrim. No caso basco destacaria neste âmbito a série de banda desenhada editada nos anos 80 Jon eta Mirka de Harriet e Redondo que, trás uma história de ciência ficção, esconde uma visão crítica da época: a ecologia, a nuclearização, o colonialismo e indigenismo, ao igual que a mais recente novela gráfica Ihes ederra (2009) de Hedoi Etxarte e Alain Urrutia, enquadrada num País Vasco que leva mais de duzentos anos formando parte da república francesa. Assim, indubitavelmente, a exploração desta relação permitir-nos-á lançar novas perspetivas tanto sobre as identidades cruzadas, como sobre a utopia/distopia como crítica do presente e esperança para um futuro melhor; é dizer, lançar uma nova visão da modernidade, desde a perspetiva das margens.

Motivados por todas estas circunstâncias, pretendemos reunir para este congresso internacional a especialistas de diversas disciplinas e a aqueles que põem a imagem e a banda sonora deste tipo de géneros: artistas e músicos na vanguarda da tecnologia e a experimentação. Deste modo, temos prevista a atuação do grupo galego Baiuca que, unindo na sua música o folclore, a eletrónica e o videoarte, recolhe à perfeição o espírito do nosso evento académico.

Estamos abertos a qualquer contribuição a este tema desde qualquer disciplina, pois são muitas as perguntas a responder:

- Como podemos abordar as forças compensatórias do isolamento e a globalização os investigadores?

- Como imaginaram possibilidades alternativas escritores, artistas e ativistas?

- Quais são as limitações e possibilidades do “utópico” ou o “distópico” desde o ideológico e o político?

- Em que medida são utópicas ou ucrónicas as políticas linguísticas a aplicar no caso das línguas minoritárias da Península Ibérica?

- Como se relacionam os debates sobre as utopias e distopias com os problemas reais sobre o mundo e o futuro que cobrem o nosso pensamento?

- De que jeito a tristeza utópica e o medo distópico afetam o futuro e os planos de futuro?

- Até que ponto a acumulação de perspetivas e interpretações que combinam feitos reais com elementos fictícios não constitui um perigo que favorece a reinterpretação da história, a pós-verdade ou o negacionismo?

- Como se configuram, no contexto peninsular, as comunidades baseadas no imaginário: as comunidades de valores ou as comunidades de prática?

- No âmbito destas comunidades, como se (re)criam as identidades a través do discurso?

 

Comité Cientíofico

  • María Xosé Agra Romero (Universidade de Santiago de Compostela)
  • António Bárbolo Álves (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro)
  • Maria Boguszewicz (Universidade de Varsóvia)
  • Burghard Baltrusch (Universidade de Vigo)
  • Carme Fernández Pérez-Sanjulián (Universidade da Coruña)
  • Maria Filipowicz-Rudek (Universidade Iaguelónica)
  • Miren Garbiñe Iztueta Goizueta (Euskal Herriko Unibertsitatea - Universidad del País Vasco)
  • Helena González Fernández (Universitat de Barcelona)
  • Urszula Ługowska (Universidade de Varsóvia)
  • Cristina Martins (Universidade de Coimbra)
  • Víctor Martínez-Gil (Universitat Autònoma de Barcelona)
  • Carmen Mejía Ruíz (Universidad Complutense de Madrid)
  • Fernando Ángel Moreno Serrano (Universidad Complutense de Madrid)
  • Katarzyna Moszczyńska (Universidade de Varsóvia)
  • Xaquín Núñez Sabarís (Universidade do Minho)
  • Mari Jose Olaziregi (Euskal Herriko Unibertsitatea - Universidad del País Vasco)
  • Ana Paula Coutinho Mendes (Universidade do Porto)
  • Meri Torras (Universitat Autònoma de Barcelona)
  • Dolores Vilavedra (Universidade de Santiago de Compostela)
     

Comité Organizador

  • Presidenta: Ana Garrido González (Universidade de Varsóvia)
  • Secretario: Bartosz Dondelewski (Universidade Pedagógica de Cracóvia)
  • Aitor Arruza Zuazo (Universidade de Varsóvia)
  • Michał Belina (Universidade de Varsóvia)
  • Magdalena Gajewska (Universidade de Varsóvia)
  • Alfons Gregori (Universidade Adam Mickiewicz de Poznań)
  • Tamara Lamela Varela (Universidade de Varsóvia)
  • Marta Pawlikowska (Universidade de Łódź)
  • Julia Skalska (Universidade de Varsóvia)


Comunicações

As comunicações poderão realizar-se em galego, basco, catalão, castelhano, português, mirandês e inglês e serão de 20 minutos.

As propostas de comunicações devem enviar-se a través do site web do congresso na lapela “Formulario de inscripción” no endereço do site web: https://otraiberiavarsovia.wordpress.com/congreso-2020/formulario-de-inscripcion/ antes do 15 de março de 2021.

Os artigos derivados do congresso, prévia avaliação por pares, publicar-se-ão nas revistas Itinerarios e Madrygal.

Para mais informações pode-se visitar o site web do congresso http://otraiberiavarsovia.wordpress.com

Todas as perguntas se podem dirigir ao correio do congresso otraiberiavarsovia@gmail.com

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