Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
Congressos

Medias, propaganda e descolonização africana (1946-1975)

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: França

Chamada para trabalhos, Estudos Africanos, Estudos Decoloniais, História, Media

Chamada a comunicação

Conferência internacional

5ª feira 25 de abril 2019, Université de Lille (França)

 

Medias, propaganda e descolonização africana (1946-1975)

 

Esta conferência, que terá lugar no laboratório IRHIS-UMR 8529 (Univ. Lille, CNRS), aberta à participação de investigadores e doutorandos, também estrangeiros, vai analisar o papel dos medias na descolonização dos países africanos.

A descolonização chega num contexto mediático novo. Na seguida da Segunda Guerra Mundial, os medias, televisão, cinema, imprensa e imagem, muitas vezes empregadas na propaganda, e sobretudo a rádio, são considerados como armas de guerra capazes de superar as fronteiras nacionais e as frentes. Aparecem como meios privilegiados de influenciar e de convencer as populações[1]. No contexto do crescimento económico do pós-guerra, tomam uma amplitude sem precedente.

De facto, em África, depois de 1945, os medias são usados pelas potências coloniais para renovar a legitimidade da sua dominação perto das populações colonizadas e metropolitanas no quadro do “colonialismo de desenvolvimento[2]”. Participam à renovação do discurso e da imagem colonial nos impérios. Mas estes medias são também envolvidos nas guerras coloniais como instrumentos de propaganda e de contra-propaganda em destino das populações colonizadas e da opinião pública em geral. No contexto novo de Guerra Fria, que delimita claramente os campos dos amigos e dos inimigos, favorecem uma radicalização dos espíritos, mas também uma simplificação da representação do antagonismo, confirmando o fundamento da ação colonial, ou pelo contrário uma contestação da ordem colonial[3]. Além disso, os medias são integrados às estratégias de preservação da influência das antigas potências coloniais no seu “pré-carré” africano, além da independência[4].

Longe de rejeitar o cinema, a rádio e a televisão como ferramentas prejudiciais do Ocidente, os movimentos independentistas desejam pelo contrário aproveitar destas. Os medias audiovisuais aparecem como ferramentas adaptáveis ao serviço do Estado pós-colonial em formação. Em países onde o analfabetismo é maciço, a imagem e o som aparecem como o melhor meio para entrar em contacto com as populações, de fundar a identidade nacional, e de promover o desenvolvimento económico e social[5]. Instrumentos controlados pelo Estado, estes medias são um atributo essencial da soberania e da afirmação internacional dos novos países. No quadro das guerras coloniais, os movimentos independentistas, bem como os seus contactos externos (jornalistas, ativistas, etc.), sabem também usar os medias para dar ao seu combate uma dimensão internacional e deslegitimar a potência colonizadora.

Os medias aparecem então como um desafio da descolonização. Podem ser o teatro dum afrontamento radical entre a metrópole e os movimentos nacionalistas. Mas podem ser também o objeto dum compromisso entre os interesses dos novos Estados e das antigas metrópoles, deixando durar laços culturais fortes além das independências.

A situação dos medias na descolonização africana aparece então como particularmente complexa e diversa. Justifica uma conferência que se enriqueceria da participação de investigadores estrangeiros (Portugueses, Britânicos, Belgas), para aprofundar a história dos medias em África numa perspetiva comparada. As comunicações darão lugar à uma publicação online (https://books.openedition.org/irhis/).

Definimos quatro eixos de trabalho nos quais podem ser integradas as propostas de comunicações:

  1. História das tecnologias da comunicação;
  2. Guerras e medias; opiniões públicas;
  3. Práticas de influência; governança;
  4. Medias africanos na seguida das independências.

As comunicações durarão 20 minutos e serão seguidas duma discussão.

Modalidades:

As propostas devem ser enviadas imperativamente antes do 25 de fevereiro de 2019 neste endereço: jemediasdecolonisations@gmail.com

Deverão incluir:

  • Um título de comunicação
  • Um resumo problematizado de 2 000 signos, espaços incluídos
  • Um curto curriculum vitae

Os participantes selecionados pela comissão científica serão notificados o 8 de março 2019, o mais tardar.

Um programa provisório será disponível a partir do 25 de março 2019.

Idioma da conferência: francês, inglês

Lugar da conferência: IRHiS–UMR 8529, Université de Lille, site du Pont-de-Bois, Villeneuve d’Ascq

Comissão científica

  • Thomas Leyris (IRHiS, ULille)
  • Mehdi Djallal (IRHiS, ULille)
  • Isabelle Surun (IRHiS, ULille)

 

[1] Jean-Noël Jeanneney, Une histoire des médias des origines à nos jours, s.l., Le Seuil, 1996, p. 186 et suivantes.

[2] Fréderick Cooper, L’Afrique depuis 1940, Paris, Payot, 2012, 411 p.

[3] Paul et Marie-Catherine Villatoux, La République et son armée face au péril subversif : guerre et action psychologique en France, 1945-1960, Paris, Les Indes savantes, 2005.

[4] André-Jean Tudesq, La radio en Afrique Noire, s.l., Pedone, 1983, p. 43-47.

[5] Françis Bebey, La radiodiffusion en Afrique Noire, s.l., 1963, 1 vol, p. 73 et 182.

 

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