Quinta-feira, 13 de Agosto de 2020
Congressos

Materialidade e processos criativos no cinema português

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Itália, Portugal

Chamada para trabalhos, Cinema, História

Materialidade e processos criativos no cinema português
29 e 30 de outubro de 2020
Conferência Internacional Online

 

Conferência internacional que tem como objectivo (re)pensar o cinema português à luz da materiality turn, para investigar as práticas e as tecnologias e para historiar os resultados.

Chamada aberta até 30 de Junho de 2020.

 

Organização
Instituto de História Contemporânea — NOVA FCSH
Dipartimento di Storia, Archeologia, Geografia, Arte e Spettacolo — Università degli Studi di Firenze

 

Palestrantes convidados:
Paulo Cunha (Universidade da Beira Interior)
Malte Hagener (Philipps-Universität Marburg)

 

No seguimento do materiality turn das ciências sociais e das ciências humanas, no decorrer dos últimos anos as pesquisas sobre a materialidade intensificaram-se também no âmbito dos film studies e dos media studies. Se for aplicado ao cinema, o conceito de materialidade remete para diferentes elementos que interagem na realização de um filme: ferramentas, objectos, tecnologia, lugares, espaços e corpos.

Diversos tipos de matérias e materiais são incluídos em cada filme: tudo o que é filmado e gravado contém na sua origem uma história material que por sua vez se torna parte da história material do filme. Os filmes podem ser estudados como práticas sociais materiais no momento em que se foca a atenção nos diferentes aspectos na base da sua própria organização: da produção à escolha do décor; da realização dos figurinos à construção dos cenários; da montagem do set à fotografia; do desenho de som à pós-produção.

O estudo da materialidade do cinema empenha-se em observar os vários elementos que constroem o objecto filme com o objectivo de valorizar a génese dos processos criativos aí implicados. Ao desmontar e ao isolar os diferentes componentes materiais, é possível perceber melhor a natureza do filme como objecto complexo, que nasce da montagem de acções únicas e actos concretos. Se analisarmos estes elementos, enriquece-se a história do cinema com tantas micro-histórias ainda por contar. São sobretudo histórias do povo simples, dedicadas a objectos, lugares e corpos que interagem entre si.

O cinema português é especialmente rico nestas histórias. Ancorado a uma perspectiva artesanal mais forte em relação a outras cinematografias, sempre deu uma importância central à materialidade e foi muitas vezes pensado como um cinema materialista, apesar de os estudos existentes até aqui terem privilegiado prevalentemente a dimensão de autor. Os ofícios “inter-artísticos” foram colocados de parte em benefício de uma concepção que vê o realizador como o único e exclusivo responsável do filme. Pelo contrário, definições como as de Kubelka, que definiu a criação cinematográfica como “a tailor’s work in progress” devolvem o merecido espaço à importância destes ofícios, graças aos quais se molda a pedra em escultura, ou se corta tecido sem forma transformando-o em traje, e se arruma os sons para a criação de vozes e silêncios …

Torna-se, portanto, importante (re)pensar o cinema português à luz da materiality turn, para investigar as práticas e as tecnologias e para historiar os resultados. Logo em 1989, durante a estreia portuguesa de Rosa de Areia, realizado por António Reis e Margarida Cordeiro, foi o próprio Reis que lançou a ideia de uma estética dos materiais, para destacar significados novos e profundos a partir da matéria bruta da qual são feitos os filmes.

Considerado como sendo um dos fundadores do Novo Cinema, Reis é, ainda hoje, um ponto de referência central para muitos realizadores portugueses contemporâneos. A partir desta ideia é então possível delinear as genealogias e as projecções futuras desta estética dos materiais, identificando os múltiplos vestígios não somente nas experiências ligadas ao Novo Cinema e à Escola Portuguesa, mas em toda a história material (e dos materiais) do cinema português. Ao considerar o cinema português como um ponto de partida, incentivam-se propostas sobre os seguintes temas, a título não exaustivo:

  • Ligações históricas, transferências culturais, relações e trocas recíprocas entre Itália e Portugal no âmbito do cinema e dos media;
  • Crítica genética e génese do filme: da produção às práticas materiais;
  • Novas fontes e documentos para o estudo da materialidade;
  • As fases do processo criativo: escrita, argumento, story board;
  • Censura política e auto-censura;
  • O trabalho do actor e o processo criativo no gesto e no corpo revestido;
  • O trabalho no set: cenários, figurinos e adereços;
  • As tecnologias sonoras: desenho de som, vozes, ruídos, músicas;
  • As tecnologias visuais: película, fotografia, iluminação, novos suportes e instrumentos;
  • Novos suportes para novos formatos: o video essay;
  • Materialidade e género: ofícios, saberes e profissionalismo em relação com a identidade de género;
  • Da cultura material à cultura visual: os objectos, os corpos e os dispositivos como agentes do olhar.

 

As propostas, de 300 palavras, deverão ser enviadas para o e-mail: cinematic.materialities@gmail.com juntamente com 3 a 5 palavras chave e uma biografia de 150 palavras.

O prazo para a apresentação do resumo é: 30 de Junho 2020.

A admissão será comunicada até ao dia: 30 de Julho 2020.

As apresentações têm uma duração de 20 minutos.

As línguas da conferência são: inglês, italiano, português e francês.

A conferência será integralmente realizada on-line pela plataforma Google Meet para todas as sessões.

 

Chamada para comunicações (PT)
Call for papers (EN)
Call for papers (IT)
Appel à communications (FR)

 

Organização:

Caterina Cucinotta (IHC — NOVA FCSH)
Federico Pierotti (Università degli Studi di Firenze)

 

Comissão Científica:

Paulo Cunha (Universidade da Beira Interior)
Sérgio Dias Branco (Universidade de Coimbra)
Nivea Faria de Souza (Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro)
Francesco Giarrusso (Univeridade de Lisboa)
Mathias Lavin (Université de Poitiers)
Maria do Rosario Lupi Bello (Universidade Aberta, Lisboa)
António Preto (Escola Superior Artística do Porto)
Bruno Roberti (Università della Calabria)
Cecilia Salles (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)

Fonte: IHC

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