Sábado, 18 de Janeiro de 2020
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CONLAB 2020 - GT 23: Descolonizando histórias e memórias: o papel do Cinema na abertura a outros saberes

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Portugal

Chamada para trabalhos, Ciências Humanas e Sociais, Cinema

Chamada de comunicações para o Grupo de Trabalho GT23, XIV Congresso Luso-Afro-Brasileiro (CONLAB) e 3º Congresso da Associação Internacional de Ciências Sociais e Humanas de Língua Portuguesa

2-4 de Setembro 2020, Coimbra, Centro de Estudos Sociais.

Língua de trabalho: Português.

Deadline: 31 de dezembro de 2019

Descolonizando histórias e memórias: o papel do Cinema na abertura a outros saberes

Do ponto de vista cultural, descolonização significou desde meados do século XX a inversão do olhar e do pensamento sobre o mundo colonizado, que por sua vez reivindicou o direito a um saber que se desprendesse do universalismo a que aspirava o discurso humanista europeu, afirmando a necessidade de imaginar, de olhar, narrar e perspectivar-se nos seus próprios termos. Independentemente do quadro político em que se deram os processos de descolonização, o momento das independências significou, para os colonizados, a possibilidade de reinvenção social e cultural de comunidades que se procuravam então constituir em Nação. Neste momento ímpar, no campo do cinema a utopia e a emoção da liberdade conquistada accionaram mecanismos de descoberta e experimentação de novas linguagens e diferentes estéticas, que servissem os propósitos que norteavam a sua produção, muitas vezes vista numa lógica política de cinema-acção, muitas vezes inspirada em movimentos vanguardistas do cinema mundial e terceiro-mundista, mas procurando dialogar com os saberes populares e as culturas locais , sobre-tudo a música, a dança e a literatura. Volvidas várias décadas sobre o processo de descolonização dos países africanos sob dominação portuguesa, a história deste processo e os seus efeitos na contemporaneidade representam um terreno ainda sensível e complexo. Por um lado, sentimentos de perda, lutos por elaborar, culpa, discursos que negam ou suavizam a violência colonial, análises unilaterais e invisibilizadoras da contra-parte colonizada do processo, continuam a marcar a narrativa portuguesa sobre a descolonização. Do lado dos países que acederam às suas independências, também recaiu um pesado silêncio sobre esta história, marcada por políticas radicais e autoritárias, por guerras civis, por violências sequenciais que ainda afectam as relações sociais contemporáneas, sendo muitas vezes reflexos de uma descolonização por concluir. De que modo o cinema foi acompanhando este processo, desde as independências até à contemporaneidade, “documentando” e/ou questionando os moldes em que se foi dando a descolonização? Que histórias e memórias pretende resgatar e quais as narrativas que permite reconstituir? Num diálogo interdisciplinar, este GT procurará refletir sobre a relação entre cinema e descolonização, entendida enquanto processo e conceito que continua a marcar debates e teorias, bem como relações políticas, sociais e culturais. Pretende-se estimular esta reflexão através da exibição de filmes ( documentários e filmes de ficção, em película ou video, acabados e inacabados); do diálogo com cineastas "descolonizantes" ; da apresentação de trabalhos académicos que analisem, dialoguem, visibilizem filmes relacionados com a descolonização em sentido amplo, convocando também questões de circulação, receção e conservação dos filmes.

Coordenação: Maria Paula Meneses (CES-UC); Jessica Falconi (CEsA/ISEG); Isabel Noronha (Universidade Politécnica de Moçambique)

Para mais informação: http://ailpcsh.org/conlab2020/

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