Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019
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Colóquio APEB-FR 2019 "Estatutos, usos e apropriações da memória"

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: França

Chamada para trabalhos, Ciências Humanas

A Associação de Pesquisadores(as) e Estudantes Brasileiros(as) na França (APEB-FR) tem o prazer de convidar pesquisadoras e pesquisadores a enviar propostas para seu próximo colóquio temático Estatutos, usos e apropriações da memória : reflexões a partir de diferentes olhares disciplinares, que se realizará nos dias 10 e 11 de outubro de 2019 em Paris (local a confirmar). As propostas de comunicação (resumos) deverão ser enviadas até 17 de agosto de 2019.

A memória nas ciências humanas é, certo, intrinsecamente contígua à pesquisa histórica. Portanto, ela abarca as disciplinas nelas inscritas por meio de diferentes “métodos” e recursos que evoluíram no decorrer dos séculos segundo a relação que se manteve com os diversos suportes materiais e imateriais dessa fonte incomensurável que é a memória. De Sócrates/Platão (maiêutica - questionamentos e memória) e Epicuro (prolepse - repetições e memória) à Freud, Halbwachs, Marc Ferro e Paul Ricoeur, entre tantos outros (cf. bibliografia indicativa), a memória é pensada como sendo perceptível dentro de um eixo flexível muitas vezes à beira do esquecimento a despeito de todo rigor acadêmico requerido e da tentativa de apreender esse sistema complexo.

O próprio Paul Ricoeur (2003) ressalta justamente que a representação do passado é fundamentalmente problemática, pois ela se estrutura nas interconexões de uma memória sensível e espontânea (associada à noção de mnémé) e de uma memória voluntária, ativa, que luta contra o esquecimento (associada à noção de anamnésis), da qual o testemunho é uma das práticas mais expressivas. A memória se constrói assim em processos narrativos que se situam a posteriori da referência (experiência, fato, sensação...) que ela tenta trazer ao presente, fazendo com que sua fiabilidade seja questionada, ao mesmo tempo em que ela exige uma apreensão do agora e alimenta por vezes expectativas futuras.

A memória - reminiscente para Platão que defende que o pensamento ex nihilo é impossível e que conhecer é rememorar - pode ser silenciada (quando há, por exemplo, dificuldade em se lembrar de um traumatismo segundo Freud), usada como um instrumento ideológico (em casos de propaganda ou manipulação, como expõe Marc Ferro) ou vista como um dever quando se trata de “fazer justiça” a vítimas de um acontecimento passado. Ela participa a dispositivos afetivos, sociais e políticos. Não é fortuitamente que disciplinas como a história, o teatro, a sociologia, a psicologia, a filosofia e o cinema (para citar apenas alguns exemplos no âmbito das ciências humanas e sociais) se esforçam para entender práticas, apropriações e efeitos associados à questão mnemônica em suas dimensões individual e coletiva (Halbwachs), ocasionando, irremediavelmente, desarranjos epistemológicos fortemente tangíveis à medida que se transita de disciplina à disciplina mas igualmente no seio da mesma.

Deste modo, o colóquio interdisciplinar Estatutos, usos e apropriações da memória : reflexões a partir de diferentes olhares disciplinares tem como objetivo abranger as diversas ramificações engendradas pelos objetos de estudos e estatutos da própria noção de memória por meio de articulações que também a colocam em situação de xeque.

Sugerimos assim alguns eixos não exaustivos a serem abordados e dentro dos quais poderão se inserir as propostas de trabalho a serem submetidas:

  • A memória enquanto fonte e objeto de pesquisa (história, teorias, usos, estatutos, apropriações);
  • Cronologias e eclipses mnemônicas;
  • Identidade e práticas culturais;
  • Práticas artísticas e estéticas no uso da memória (teatro, dança, cinema, artes plásticas, visuais...);
  • O aporte da tecnologia enquanto suporte mnemônico na pesquisa acadêmica;
  • O reemprego das imagens;
  • Documentário, representação e revelação da “realidade”.

As propostas de comunicação (resumos) devem ser enviadas até dia 17 de agosto de 2019.

A descrição detalhada e os conselhos para envio das propostas se encontram na página: http://apebfr.org/coloquio_apeb_2019

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