Terça-feira, 09 de Março de 2021
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Veredas interculturais entre Rússia e Brasil (e outras paragens lusófonas)

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Chamada para artigos, Estudos Lusófonos, Letras, Língua, Lusofonia, Tradução

A Cadernos de Tradução (ISSN: 2594-9055), editada pelo Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tem chamada para publicação aberta para seu próximo número com o tema "Veredas interculturais entre Rússia e Brasil (e outras paragens lusófonas)". O prazo para o envio de artigos vai até 15 de agosto de 2020.

Este volume dos Cadernos de Tradução da UFRGS tem o objetivo de reunir trabalhos em que a tradução tenha papel primordial, seja como objetivo principal, como processo de aprendizado da língua ou como produto necessário às trocas literárias e culturais.

Eixo Temático

Nas últimas décadas, houve enorme crescimento das traduções diretas do russo no Brasil. Entretanto, é falso pensar que antes só se traduzia indiretamente – do francês, inglês ou espanhol. A história da tradução direta começa muito antes, em iniciativas isoladas, como foi o caso da Biblioteca de Autores Russos, de Georges Selzoff (Iúri Zeltzóv), cujo modus operandi, segundo nos conta Boris Schnaiderman, consistia em ir “traduzindo os textos como podia, em voz alta, para dois escritores em início de carreira, Brito Broca e Orígenes Lessa, que os redigiam em nossa língua” (SCHNAIDERMAN, 2011, p. 45).

O que distingue o momento atual é a predominância das traduções diretas; a ampliação do catálogo, incluindo autores contemporâneos, sem deixar de lado os clássicos e a literatura soviética; e o crescimento do número de tradutores vinculados aos cursos de graduação e pós-graduação em russo das universidades brasileiras. Esse quadro já se divisava na década de 1990, quando Aurora Bernardini publicou um apanhado do percurso do estudos de russo na Universidade de São Paulo (USP). Além dos cursos de graduação em russo da USP e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), há disciplinas de russo eletivas na Universidade de Campinas (UNICAMP), na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRJ) e na Universidade Federal Fluminense (UFF). De tempos em tempos, acontecem iniciativas de ensino de língua, cultura e literatura russa como atividade de extensão em outras instuituições de ensino superior, como a Universidade Estadual do Ceará (UECE) e a Universidade de Brasília (UnB).

As contribuições de outros cursos e outras áreas para a eslavística brasileira também merecem destaque. A tendência de realização de pesquisas de caráter interdisciplinar apontada por Bernardini, com participação ativa “em grupos de estudo como Literaturas modernas em língua estrangeira, Literatura e história, Cultural oriental e cultural ocidental: projeções, Multiculturalismo brasileiro: fisionomia e presenças orientais, Culturas orientais e modernidades” (1994), permanece até hoje.

Na via contrária ao fluxo português-russo, as traduções do português para o russo também têm ganhado importância, com o incremento do Perevodovedenie, como são chamados os Estudos da Tradução na Rússia. Afinal, a literatura em seu sentido contemporâneo, como escrita secular, só surgiu na Rússia no século 18, ou seja, centenas de anos após Dante, Shakespeare, Cervantes e Rabelais (Friedberg). Foi em um período muito curto de tempo que a nação russa produziu um corpo de escrita reconhecido como equiparável àquele proveniente de tradições literárias muito mais antigas e ricas. Mas, já em 1857, Tchernichevski escrevia: “A literatura traduzida é de enorme importância para nós. Até Puchkin, ela era incomparavelmente mais importante que a [escrita] original russa. E, mesmo agora, não é totalmente certo que a escrita [russa] tenha se tornado mais importante que as traduções” (apud FRIEDBERG, 2008). Como escreve Friedberg : “Apesar de algumas da maiores obras literárias mundiais terem sido escritas, a partir daí, em russo, as traduções mantiveram sua importância. À exceção do período xenofóbico do governo Stálin, ficção, poesia e drama da Europa ocidental traduzidos conservaram seu lugar de costume como parte da porta integrante da cota de leitura de praticamente todo o russo que ama livros.” (FRIEDBERG, 2008)

Sem querer esgotar todas as possibilidades, as temáticas sugeridas são as seguintes:

  •     Traduções comentadas de poesia e prosa no par russo-português
  •     Historiografia da tradução
  •     Tradução de literatura russa no Brasil e em países lusófonos
  •     Tradução de literatura brasileira ou outras literaturas lusófonas na Rússia
  •     A tradução no ensino da língua no par russo-português

Sob esse prisma, podem-se analisar vivências, experiências didáticas, estudos de caso, materiais didáticos, entre outros.

  •     A tradução nas relações entre Rússia e Brasil (ou outros países lusófonos)
  •     Tradução especializada do par linguístico português-russo
  •     Estudos da tradução com foco nas relações entre Rússia e Brasil (ou outros países lusófonos)

Mais informações na página da Cadernos de Tradução.

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