Chamada para Dossiê Lobo Antunes na Revista Literatura e Autoritarismo
Data de abertura: ⋅ Data de encerramento: ⋅ Países: Brasil
Em março de 2026, morreu, aos 83 anos, o escritor português António Lobo Antunes, autor de uma vasta obra, cuja espinha dorsal são a memória e seus espectros, sejam eles resquícios das guerras coloniais, das relações familiares, ou da vida ensimesmada. Em vida, participou de muitas batalhas: o front em Angola, o exercício da psiquiatria, a escrita de textos incomodativos e uma espécie de demência em seus últimos anos de vida. Em entrevista para o Diário de Notícias (Portugal), em 1983, declarou sobre o ambiente literário português: “Por vezes creio que vivemos num ‘gheto’ cultural virados para os pequenos ídolos caseiros que escrevem o que não se lê”. Seu primeiro livro, Memória de Elefante, surgiu em 1979, seguido de Os Cus de Judas, também de 1979, e de Conhecimento do Inferno (1980), iniciando aí uma produção que se encerrará postumamente, com o lançamento, anunciado pela Editora Dom Quixote para abril de 2026, do livro Poemas. Se, no plano de superfície, os enredos antunianos são simples, a circularidade das relações dos narradores e das personagens consigo mesmas e com sujeitos e ações de seu passado, a maioria delas ligada à existência de Portugal como reino deste mundo e de outros mundos, inserem o leitor numa espécie de vórtice temporal, cujo eixo traumático suspende a escrita literária e a escrita da história. Pensando nessas proposições, o Dossiê dedicado a Lobo Antunes acolherá artigos e ensaios com foco em temas como: memória, trauma, ficção e história, existencialismo, ironia, desconstrução (sob a perspectiva de Derrida) e anarquivamento, seja com destaque para as obras antunianas, seja para sua análise em relação comparatista com objetos literários, audiovisuais, pictóricos e de outra ordem. Organizadores: Prazo para encerramento da chamada: 30 de setembro de 2026. Mais informações: https://periodicos.ufsm.br/LA/announcement/view/882


