Terça-feira, 07 de Abril de 2026
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Revista InterAção abre chamada para dossiê: "Crítica literária afrorreferenciada"

Data de abertura: Data de encerramento: Países: Brasil

Chamada para artigos, Literatura

Revista InterAção

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP)

Vol. 17, n. 4, out./dez. 2026
ISSN: 2357-7975
Qualis: A2
https://periodicos.ufsm.br/interacao

 

Chamada para dossiê eletrônico

Crítica literária afrorreferenciada:

acordar os da casa grande

 

Organizadores:

Prof. Dr. Alexandre Fernandes (IFBA)

Profa. Dra. Mariana Fernandes dos Santos (IFBA)

Prof. Dr. Gildeci de Oliveira Leite (UNEB / PPGEL)

Prof. MsC. Nkembo Olugbala Silva Santos (UFBA)

 

A presente chamada da Revista InterAção (ISSN: 2357-7975) se interessa por estudos que tenham como temática uma crítica literária afrorreferenciada. O que ocorreria se uma cosmovisão negro-diaspórica enfeitiçasse “essa estranha instituição chamada Literatura” (Derrida, 2014) e, à moda de um ebó de palavras e um contregum literário (Nkembo Olugbala Santos, 2021), interpelasse a crítica? Que poderes emanariam de uma estética do ronkó e de um “quilombismo / dum povo / todo / que nem alcunha pessoa / guardava guarida / mas se fez alafiar” (Nascimento, 2018, p.56)? E se saberes que vem de longe, consoante com uma lírica-preta não fetichista (Morrison, 2019), produzissem uma demanda epistêmica outra (Fernandes, 2023)? Potencialmente, os artigos acolhidos nessa chamada eletrônica, podem ofertar à Academia: (i) epistemes outras – resultado de um corpo-a-corpo com uma linguagem ancestral, da camarinha ao ronkó, do padê às encruzilhadas, do marafo ao pó de pemba, ressignificando narrativas e rasurando a metafísica ocidental, fortemente contrariando regimes neopatriarcais e neocoloniais; (ii) uma outra sintaxe, uma gramática crítica e política, assentada no feminismo negro, na decolonialidade, nos estudos de terreiro e cuier, colaborando para rasurar discursos de ódio e fundamentalismos cada vez mais crescentes em nossa sociedade; (iii) uma crítica de textos literários, cuja trajetória se aproxime e se diferencie das ciências diversas (história, sociologia, semiótica, estruturalismo, pós-estruturalismo, desconstrução, pós-colonialismo, psicologia, psicanálise, filosofia, estudos da recepção) e, sobretudo, que, rasure a branquitude e a positividade das Luzes, como uma das práticas mais bem-sucedidas do racismo na Literatura e na Crítica; (iv) análises de literatura em campo expandido, cujas metodologias de pesquisa e análise contracoloniais, não-hegemônicas, levem à sério o hálito da benzedeira, a força das correntezas, o epô perfumado de Odara, encantarias de exus e pretos velhos dos terreiros, mitos de Lègba do Vodum Daomeano, a folha de arruda e o poder da cabaça, o dendezeiro e a adicissa, as caboclas e o axé dos boiadeiros, o Corpus Literário de Ifá, corpo da tradição oral iorubá, contrapondo-se à “violência distópica contra corporalidades [e epistemologias] negras, indígenas, trans e desobedientes de gênero” (Mombaça, 2021). Em termos outros, estimulada por uma “negroesia” (Cuti, 2007, p. 29), esta chamada se interessa por escritas que incomodem os da casa grande (Evaristo, 2020) e reposicione a Crítica Literária, pois ora, assimetrias e desigualdades não são falha da sociedade, mas, matéria de que esta é feita.

Prazo final para envio dos textos: 31 de julho de 2026.

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