Quarta-feira, 08 de Abril de 2020
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Revista Brasileira de História seleciona artigos sobre a História Antiga

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Chamada para artigos, História Antiga

Chamada de artigos para o dossiê “A História Antiga entre o local e o global: integração, conflito e usos do passado”, da Revista Brasileira de História, organizado pelo GT História Antiga, da Associação Nacional de História, Brasil (GTHA-Anpuh).
 
Organizadores: Dominique Vieira Coelho dos Santos, Universidade de Blumenau (FURB), Brasil; Cristina Rosillo-López, Universidad Pablo de Olavide (UPO), Sevilla, España; Fábio Faversani, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Brasil.

Prazo: As contribuições podem ser enviadas do dia 02 de janeiro ao dia 07 de fevereiro.

Normas: As normas para formatação e envio dos textos podem ser encontradas em http://www.scielo.br/revistas/rbh/pinstruc.htm

Consultas: caso desejem receber mais informações ou sanar dúvidas, podem se dirigir aos editores através do email dvcsantos@furb.br

Apresentação

Os desdobramentos dos vários processos de globalização e seus conflitos ao longo da história colocam em debate qual o papel das dinâmicas locais e de suas articulações ou interconexões em esfera global. Tal pauta assume relevância especial no tempo presente, em que a globalização apresenta paradoxalmente claros contornos de violenta exclusão. As pesquisas nesse campo para a Antiguidade são tão importantes que têm levado a uma redefinição do campo, como se vê em obras como Corrupting Sea, de Horden e Purcell, e História Antiga, de Guarinello. As diversas abordagens teóricas, pensadas através dos processos de helenização, romanização, cristianização ou mediterranização, e também das críticas a seus limites, expressos sobretudo nas abordagens pós-coloniais e decoloniais expressam a diversidade de estudos que temos produzido e debatido. Esse dossiê pretende servir como momento para um balanço e avaliação de possibilidades futuras de investigação.
 
Esses estudos sobre a Antiguidade que temos produzido e debatido no âmbito do GTHA, contudo, não se limitam à pesquisa sobre as sociedades antigas. Parte fundamental de nossas reflexões se volta para as tradições e representações que se produziram tendo como base fundamental a Antiguidade (tanto tradições intelectuais acadêmicas quanto culturais, expressas em linguagens tão diversas quanto as óperas e as séries em streaming, chegando aos jogos tradicionais ou de computador e narrativas populares e jornalísticas). Os estudos sobre os usos dos passados perpassam os vários momentos da existência de sociedades diversas ao longo do tempo. Isso ocorre com a nossa sociedade e com muitas e muitas outras que tomaram e tomam as várias Antiguidades como referência para se pensar a si mesmas (e é decisivo refletir criticamente sobre essas identidades construídas arbitrariamente por diferentes sociedades para si mesmas). O estudo da Antiguidade, sabemos, não pode ser pensado sem uma reflexão sistemática e aprofundada sobre os usos do passado, que são centrais para o estudo e releitura crítica desses passados (tanto os “antigos” quanto os que tomaram a esses “antigos” como elementos fundamentais para a construção de sua contemporaneidade, como apontam os estudos de François Hartog, na França, Francisco Murari e Pedro Paulo Funari, no Brasil, e José Antônio Dabdab Trabulsi com sua produção franco-brasileira).
 
Nesse campo dos usos do passado, ainda, assume relevância o ensino da História Antiga nos diversos níveis. O GTHA teve essa pauta no centro de seus debates desde sua criação (cf. atestam os Anais da reunião de nosso GTHA em 2001, publicados na revista Hélade: http://www.helade.uff.br/Helade_2001_volume2_numero2_NE.pdf), mas conheceu forte impulso a partir do debate sobre o lugar do Ensino da História com a reforma do Ensino Médio e a criação da BNCC no Brasil, além das mudanças que têm ocorrido na forma de se pensar o Ensino no mundo todo. Isso tem alimentado a discussão sobre esferas específicas no campo dos estudos sobre os usos do passado no que se refere especialmente à Antiguidade com a intensificação dos debates e o aprofundamento de práticas voltadas também para as atividades de Extensão. Esse movimento é percebido tanto pelo crescimento dos trabalhos apresentados nos encontros do GTHA quanto pelo aumento das publicações em nossos periódicos especializados (para um balanço recente, cf. dossiê publicado na revista Mare Nostrum (2017): https://www.revistas.usp.br/marenostrum/issue/view/10208).
 
Em síntese, como expressa o título, esse dossiê se volta à reflexão dos debates atuais na e sobre a História Antiga que têm sido produzidos no Brasil e no mundo, face aos dilemas e conflitos produzidos pela globalização e seus efeitos, sejam os positivos como os adversos. Trata-se, acima de tudo, de avivar e registrar um debate entre o mundo atual (em sua diversidade) e mundos antigos (idem), cuja conjunção permite fertilizar e tornar mais plural o próprio campo da História.

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