Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2021
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Literaturas pós-coloniais e as formas do contemporâneo | Chamada da revista Itinerários

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Chamada para artigos, Estudos Decoloniais, Estudos Interculturais, Letras, Literatura

A Itinerários (ISSN: 0103-815x, Qualis A2), revista de Literatura é vinculada ao PPG em Estudos Literários da FCL-UNESP/Araraquara, recebe artigos para o seu Dossiê de número 52 que tem como tema “Literaturas pós-coloniais e as formas do contemporâneo”. Os artigos podem ser escritos em português, inglês, francês, espanhol e italiano. O prazo de submissão vai até 26 de fevereiro de 2021.

Dossiê “Literaturas pós-coloniais e as formas do contemporâneo”

Segundo Stuart Hall (2013, p.118), o termo pós-colonial chama nossa atenção “para o fato de que a colonização nunca foi algo externo às sociedades das metrópoles imperiais. Sempre esteve profundamente inscrita nelas – da mesma forma como se tornou indelevelmente inscrita nas culturas dos colonizados”. Nesse sentido, o conceito traz à tona uma inscrição múltipla de processos históricos na qual o binarismo cede espaço a uma reescrita descentrada das grandes narrativas, recusando uma perspectiva de um “antes” e um “agora”, de um “aqui” e um “lá”, em favor, como diz Homi K. Bhabha (1998, p. 46), “[d]o hibridismo cultural e histórico [....] como lugar paradigmático de partida”. Aliás, como famosamente ressalta Gayatri Chakravorty Spivak (2010), os estudos pós-coloniais procuram sempre interrogar os limites de categorias como sujeito, agência e voz para pensar em diversos setores sociais que estão precariamente ancorados nas grandes narrativas históricas, políticas e econômicas da modernidade e suas diversas periferias.

Assim, longe de se circunscrever em uma periodização histórica fixa – ou naquilo que Ella Shohat (1992) nomeia de “temporalidade problemática” –, os estudos pós-coloniais procuram reorganizar períodos históricos, geografias hegemônicas e dispositivos de poder de modo a questionar a supremacia de certos paradigmas epistemológicos. Portanto, como todo pensamento crítico sobre os tempos, os espaços e os imaginários que co-habitamos, as formas do contemporâneo também fazem parte do material que o olhar pós-colonial busca revisar e teorizar. É o que, de fato, propõe Dipesh Chakrabarty (2012, p. 1) com relação ao debate sobre o antropoceno quando diz que “a conjuntura atual da globalização e o aquecimento global apresenta-nos o desafio de ter que pensar a agência humana simultaneamente segundo escalas múltiplas e incomensuráveis”.

O número 52 da Itinerários - Revista de Literatura acolherá artigos que tratem das relações entre a literatura e o pensamento pós-colonial, tendo em vista suas formas de transculturação, de heterogeneidade, de tradução cultural e de deslocamentos, tentando sempre elaborar novas formas de teorizar as nossas temporalidades preferencialmente a partir daquilo que constitui as diferenças de raça, de classe, de gênero, de orientação sexual.

Organizadores do volume:
Mónica González García (Pontificia Universidad Católica de Valparaíso, Chile)
Natali Fabiana da Costa e Silva (Universidade Federal do Amapá – UNIFAP, Brasil)
Paulo César Andrade da Silva (Universidade Estadual Paulista – UNESP, Brasil)

Mais informações na página da revista Itinerários.


Dossier “Postcolonial Literatures and the shapes of the contemporary”

According to Stuart Hall (2013, p.118), the term postcolonial draws our attention “to the fact that colonization was never something external to the societies of imperial metropoles. It was always deeply inscribed in them – the same way it has ineradicably become inscribed in the culture of the colonized”. In this sense, the concept brings out multiple inscriptions of historical processes in which binarism gives room to a rewriting decentralized from the great narratives, refusing a perspective of a “before”, a “now”, a “here” and a “there” in favor of, as in the words of Homi K. Bhabha (1998, p. 46), “the historical and cultural hybridism […] as a paradigmatic starting point”. Furthermore, as Gayatri Chakravorty Spivak (2010) famously highlights, postcolonial studies are always in the search for interrogating the limits of categories such as subject, agency, and voice to think of diverse social sectors that are permanently anchored in the great historical, political and economic narratives of modernity and their diverse peripheries.

Thus, far from being restrained to a fixed historical periodization – or to that that Ella Shohat (1992) calls “problematic temporality” – post-colonial studies attempt to reorganize historical periods, hegemonic geographies, and power devices in order to question the supremacy of certain epistemological paradigms. In this way, just like every critic thinking about the times, spaces, and imaginaries which we co-inhabit, the shapes of the contemporary are also part of the material which the postcolonial look tries to revise and theorize about. This is what, in fact, proposes Dipesh Chakrabarty (2012, p. 1) to the debate about the Anthropocene when he says that “the current globalization conjuncture and the global warming present us the challenge of having to think about the human agency simultaneously according to multiple and unmeasurable scales”.

The 52nd issue of Itinerários - Revista de Literatura welcomes papers that address the relations between literature and postcolonial thought, considering its ways of transculturation, heterogeneity, cultural translations, and displacements, always trying to elaborate new ways of theorizing our temporalities, preferably from that which constitutes the differences of race, class, gender, and sexual orientation.

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