Domingo, 27 de Setembro de 2020
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João Cabral de Melo Neto: 100 anos de poesia | Dossiê da revista Guará

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Brasil

Chamada para artigos, Língua, Linguística, Literatura

A Revista Guará - Revista de Linguagem e Literatura (ISSN 2237-4957, Qualis B2) recebe artigos para o seu próximo dossiê dedicado ao poeta João Cabral de Melo Neto. A revista Guará é uma publicação semestral do Mestrado em Letras Literatura e Crítica Literária da PUC Goiás e aceita trabalhos publicados em português, espanhol, francês e inglês. As submissões podem ser feitas até 30 de setembro de 2020.

Dossiê: João Cabral de Melo Neto: 100 anos de poesia
A presente chamada do dossiê da Revista Guará, número 11, Ano 2020, homenageia o Poeta João Cabral de Melo Neto, em seu centenário que comemoramos neste corrente ano. Nascido em 9 de janeiro de 1920, no Recife, o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto emergiu na Literatura Brasileira em 1942, com a obra intitulada Pedra do Sono. Com uma obra poética vastíssima e uma atuação literária e social relevante, como diplomata, poeta, escritor, crítico e intelectual brasileiro.

A criação literária é sempre o resultado do meio social, inserido num contexto histórico no qual os poetas projetam suas ideias, sentimentos e emoções. No que diz respeito à criação poética, o poema nunca está completo, dependerá sempre de um leitor para que ele seja vivenciado e completado: o leitor recria o instante, (re)vive sua experiência do real, capaz de instaurar um diálogo com o leitor e suas experiências com o cotidiano. A emoção sentida pelo poeta/escritor deve sugerir ao leitor um novo sentir dessa emoção, para que ele possa compreender o poema.

A leitura de um poema apresenta-se como um processo de interação entre leitor e o poeta, ou seja, um procedimento dialógico, voltado para a produção de novos conhecimentos que armazenamos, incluindo o conhecimento linguístico, modelos cognitivos globais, conceitos, fatos generalizados e episódios cotidianos provenientes da experiência de cada indivíduo.

Cumpre destacar, aqui, algumas das obras poéticas de João Cabral de Melo Neto, que apresenta uma obra vigorosa e de temáticas que se intercruzam, quer pelo enfoque do tema social, da memória, do ofício do verso, das construções/desconstruções, tais como: Pedra do sono (1942), O engenheiro (1945), O cão sem plumas (1950), O rio (1954), Quaderna (1960), Poemas escolhidos (1963), A educação pela pedra (1966), Morte e vida severina e outros poemas em voz alta (1966), Museu de tudo (1975), A escola das facas (1980), Agreste (1985), Auto do frade (1986), Crime na Calle Relator (1987), Sevilla andando (1989). Em prosa, tem-se: Juan Miró, (1952) e Considerações sobre o poeta dormindo (1941). Há que se destacar que as experiências do poeta – segundo Octavio Paz - não são feitas de ideias ou de sensações, mas de “ideias-sensações” que se manifestam no interior do poeta e são, “por natureza, evanescentes”.

A linguagem poética, em um primeiro instante, assimila aquelas sensações, depois o poeta dá novos contornos, transformando-as e (re)apresentando tais imagens. O poeta repete a operação do que viu e sentiu de maneira muito mais complexa e aprimorada (PAZ, Convergências, 1991, p. 19). Paz observa que, geralmente, o poeta fala de suas coisas, de seu mundo, mesmo falando do mundo dos outros, assim declara: “O poeta não escapa à história, inclusive quando a nega ou a ignora. Suas experiências mais secretas ou pessoais se transformam em palavras sociais ou históricas. Nesse sentido, a obra poética, densa, de uma “lumino-transparências”, de João Cabral de Melo Neto (re)apresenta todo um universo transfigurado na maneira de observar e direcionar o olhar às coisas, os seres e entes.

Em edição comemorativa, a revista Guará - Linguagem e Literatura (Revista do PPG Letras- Literatura e Crítica Literária da PUC Goiás) – que tem como um dos organizadores de Arnaldo Saraiva (Universidade do Porto-PT), amigo muito próximo que com conviveu com o poeta no Porto, Portugal, quando Cabral assumiu na cidade a função de cônsul-geral do Brasil entre 1985 e 1987 (experiência registada num artigo desse número, com detalhes: “João e Marly deixariam o Porto no dia 6 de Setembro de 1987. Fui eu que os conduzi à estação de Campanhã, onde alguém nos fotografou, e onde tomaram o comboio - o trem - para Lisboa, de onde seguiriam de avião para o Rio”.

Editores Responsáveis:
Arnaldo Saraiva (Universidade do Porto – Portugal)
Maria de Fátima Gonçalves Lima (PUC Goiás)
Antônio Donizeti Cruz (UNIOESTE – Paraná)

Mais informações na página da Revista Guará.



Dossier: João Cabral de Melo Neto: 100 years of poetry

The present headline for the dossier of Revista Guará, number 11, Year 2020, honors the poet João Cabral de Melo Neto, in his centenary that we celebrate this year. Born on January 9, 1920, in Recife, the Pernambuco poet João Cabral de Melo Neto emerged in Brazilian Literature in 1942, with the work entitled Pedra do Sono. With a vast poetic work and a relevant literary and social performance, as a Brazilian diplomat, poet, writer, critic and intellectual. Literary creation is always the result of the social environment, inserted in a historical context in which poets project their ideas, feelings, and emotions. Regarding poetic creation, the poem is never complete, it will always depend on a reader for it to be experienced and completed: the reader recreates the instant, (re)live his experience of the real, capable of establishing a dialogue with the reader and his experiences with daily life.

The emotion felt by the poet / writer must suggest to the reader a new feeling of that emotion, so that he can understand the poem. The reading of a poem presents itself as a process of interaction between the reader and the poet, that is, a dialogical procedure, focused on the production of new knowledge that we store, including linguistic knowledge, global cognitive models, concepts, generalized facts and everyday episodes from each individual's experience. It is worth highlighting, here, some of the poetic works of João Cabral de Melo Neto, who presents a vigorous work with themes that are intertwined, either by focusing on the social theme, memory, the craft of the verse, constructions / deconstructions, such as: Pedra do sono (1942), O engenheiro (1945), O cão sem plumas (1950), O rio (1954), Quaderna (1960), Poemas escolhidos (1963), A educação pela pedra (1966), Morte e vida severina e outros poemas em voz alta (1966), Museu de tudo (1975), A escola das facas (1980), Agreste (1985), Auto do frade (1986), Crime na Calle Relator (1987), Sevilla andando (1989). In prose, has Juan Miró, (1952) and Considerações sobre o poeta dormindo (1941).

It should be noted that the poet's experiences - according to Octavio Paz - are not made of ideas or sensations, but of “ideas-sensations” that are manifested inside the poet and are, by nature, evanescent”. Poetic language, in a first instant, assimilates those sensations, then the poet gives new outlines, transforming them and (re)presenting such images. The poet repeats the operation of what he saw and felt in a much more complex and improved way (PAZ, Convergências, 1991, p. 19). Paz observes that, generally, the poet talks about his things, his world, even talking about the world of others, he declares: “The poet does not escape history, even when he denies or ignores it. Your most secret or personal experiences become social or historical words. In this sense, the poetic, dense work, of a “lumino-transparencies”, by João Cabral de Melo Neto (re) presents a whole universe transfigured in the way of observing and directing the look at things, beings, and beings.

In a commemorative edition, the magazine Guará - Linguagem e Literatura (Revista do PPG Letras- Literatura e Crítica Literária da PUC Goiás) – One of the organizers of Arnaldo Saraiva (University of Porto-PT), a very close friend who lived with the poet in Porto, Portugal, when Cabral assumed the role of consul general of Brazil in the city between 1985 and 1987 (experience recorded in an article of that number, with details: “João and Marly would leave Porto on September 6, 1987. I was the one who took them to Campanhã station, where someone photographed us, and where they took the train - the train - to Lisbon, where they would fly to Rio ”.

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