Domingo, 25 de Outubro de 2020
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Imaginários contagiantes: Fantasia, horror e ficção científica na era da COVID-19

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Artes visuais, Chamada para artigos, Ciências da Comunicação, Cinema

Imaginários contagiantes: Fantasia, horror e ficção científica na era da COVID-19

2020 será certamente lembrado como um dos anos mais importantes da história humana recente. A pandemia de COVID-19, deflagrada no final de 2019, mas com impacto global no começo de 2020, tem provocado enormes transformações nos costumes, nas sociabilidades, na política e na economia mundial. A pandemia desnuda e realça as fraquezas, os limites e as mazelas de nossos modos de vida e de produção. Expõe as contradições e os crimes do capital, sacrifica a vida dos pobres e compromete o lucro e o luxo dos ricos. No Brasil, suscita conflitos políticos entre as esferas federal, estadual e municipal, aguça a cobiça dos estelionatários de plantão e salienta o valor e os riscos do trabalho de profissionais de saúde, bem como dos trabalhadores autônomos, informais e precarizados.

No “sul” do mundo (leia-se aqui o mundo subdesenvolvido ou em desenvolvimento), o hemisfério dos países pobres ou com desigualdade social e econômica exacerbada (como o Brasil), a pandemia parece assumir contornos próprios. Como enfrentar um inimigo tão poderoso, o vírus SARS-CoV-2, com tantos outros problemas sociais, econômicos, infra-estruturais, éticos e morais? Qual o impacto de uma pandemia numa sociedade sem saneamento básico universal, vítima do trabalho e da moradia precarizados, e atualmente parasitada (talvez mais do que nunca) pela especulação financeira, por igrejas evangélicas, milícias virtuais, fake news e arroubos fascistas? Como sobreviver a uma pandemia global que colocou de joelhos o sistema de saúde e a economia de países desenvolvidos, no contexto de uma guinada à extrema-direita, fascista e terraplanista, que nega a ciência, os direitos humanos, a proteção do meio-ambiente e dos povos indígenas?

Num país em que a vida vale muito pouco, a economia não pode parar. O Brasil é, atualmente, uma distopia nacional inserida numa distopia mundial. Seu governo federal distópico tem estarrecido o mundo. A melancolia contamina o cenário da doença. Perspectivas de “luz no fim do túnel”, de um mundo melhor e mais sadio, parecem pouco verossímeis no curto prazo. Nesse sentido, a Revista Zanzalá convida autores de toda e qualquer parte do mundo a dar sua contribuição sobre o tema da pandemia, no encontro desta com os gêneros fantasia, horror e/ou ficção científica no cinema, na televisão, streaming, literatura, quadrinhos, teatro e/ou videogames. Esperamos, sob forma de artigos ou short papers, insights, análises ou comentários sobre o produto desse “choque do presente”, desse encontro entre os gêneros especulativos (o fantástico, o estranho, o insólito, fantasia, ficção científica e horror), o imaginário da pandemia e a realidade global No Mundo de 2020 (este o título brasileiro de Soylent Green, a distopia em longa-metragem dirigida por Richard Fleischer, de 1973, em que a fome e a doença assolam um planeta superpovoado). Perguntemos, portanto, entre outras questões:

  • Como a fantasia, o horror e/ou a ficção científica mudam ou podem mudar nossa visão da pandemia?

  • Como ler, reler, ver ou rever fantasia, horror e/ou ficção científica na esteira desta crise?

  • Qual o eventual impacto do coronavírus na arquitetura de novas narrativas ou linguagens na literatura, no audiovisual ou em demais mídias?

  • Será que a distopia sobreviverá à COVID-19? E a utopia?

  • Quais mudanças de comportamento e sociabilidade, em função da COVID-19, podem ser divisadas pela fantasia, horror e/ou ficção científica?

  • Quais mudanças no capitalismo internacional, em função da COVID-19, podem ser divisadas pela fantasia, horror e/ou ficção científica?

  • Qual é o futuro do trabalho pós-pandemia?

  • No que a COVID-19 tem alterado a fantasia, o horror e/ou a ficção científica do hemisfério sul, ou dos países em desenvolvimento?

Estes são apenas alguns tópicos abarcados por esta chamada, mas sugestões para além desses pontos, ou correlatas, também serão muito bem-vindas. Esta chamada de textos dará origem a um dossiê da Revista Zanzalá, com publicação ainda no ano de 2020. Os textos podem ser submetidos em português, espanhol, francês, italiano ou inglês. As diretrizes para autores podem ser encontradas em https://periodicos.ufjf.br/index.php/zanzala/about/submissions#authorGuidelines. Os textos podem ser submetidos até 31 de agosto de 2020, pela página da revista. Os resultados dos julgamentos serão dados até 1o de dezembro de 2020.

Em caso de dúvidas, por favor não hesite em nos contatar por e-mail (revistazanzala@gmail.com), ou dirigir-se diretamente aos editores do dossiê: Associate Professor Mary Elizabeth Ginway (University of Florida, e-mail: eginway@ufl.edu) ou Prof. Alfredo Suppia (University of Campinas, e-mail: alsuppia@gmail.com).

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