Segunda-feira, 13 de Julho de 2020
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Figuras do pós-humano: limiares do corpo e da máquina

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Portugal

Chamada para artigos, Ciências da Comunicação, Ciências Humanas

Revista 2i é uma revista científica semestral publicada pelo Grupo de Investigação em Identidade(s) e Intermedialidade(s) do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho (Portugal) que decorre da atividade desenvolvida pela equipa, ao longo de vários anos, no âmbito de dois domínios de conhecimento — os estudos sobre identidade humana, individual e sócio-cultural, e os estudos intermediais — cuja interação se tem revelado particularmente profícua. Além de divulgar os resultados da investigação do Grupo, a revista acolhe igualmente a colaboração de especialistas, investigadores doutorados e estudantes de pós-graduação, nacionais e internacionais, nos principais domínios de estudo da publicação.

Consultar condições de submissão e normas para Autores aqui: https://revistas.uminho.pt/index.php/2i/about/submissions


 

Chamada de artigos — Nº 2 (2020) :  Figuras do pós-humano: limiares do corpo e da máquina

Data limite para submissão de colaborações: 31 maio 2020

Editores: Cristina Álvares, Sérgio Guimarães de Sousa e Ana Lúcia Curado

 

Chamada de artigos — Nº 2 (2020) :  Figuras do pós-humano: limiares do corpo e da máquina

 

Apresentação

Em Nous, animaux et humains, Tristan Garcia defende que a conceção do humano que subjaz ao humanismo moderno está a atravessar uma crise profunda, operada por duas tendências de sinal contrário: uma tendência interna que fragmenta o «nós» humano em múltiplos «nós» comunitários (etnias, religiões, raças, géneros, orientações sexuais); e uma tendência extensiva que alarga o círculo do «nós» às outras espécies animais e até à totalidade do vivente.

Acresce o facto, não despiciendo, de ocorrer uma reformulação do humano por via do irrestrito triunfo tecno-digital. Neste sentido, o «nós» conecta-se, e de uma forma cada vez mais íntima e impercetível, com a tecnologia e os seus constantes devires. Assim se compreende que nesta tendência que inclui na esfera do humano aquilo que o humanismo moderno dela excluía, não cabem apenas os outros seres vivos, mas também as máquinas. Com elas os humanos mantêm formas várias e cada vez mais intensas de interação, de interdependência, de continuidade, de hibridação (ciborguização, biónica, robótica). O desenvolvimento exponencial das tecnologias (NBIC), contribui poderosamente para a reinvenção do humano, através, por exemplo, da manipulação genética ou da digitalização das redes neuronais.

Com base nos avanços da tecnociência, o pós-humanismo e correntes afins preconizam uma (trans)mutação real do ser humano capaz de ultrapassar decisivamente a sua extrema vulnerabilidade física e genética e as suas limitações cerebrais. O h+ declara a obsolescência do Homem tal como o conhecemos e proclama a aceleração da evolução através de uma reforma antropotecnológica das características da espécie que pode chegar ao abandono do corpo biológico e sua substituição pelo corpo mecânico ou pela vida virtual. O pós-humano é, pois, na senda da realidade aumentada, um humano aumentado, cuja juventude e vigor são altamente duráveis, que se (re)cria a si mesmo e à sua progenitura, que não tem doenças e se habilita à amortalidade, que controla as suas emoções e paixões, que tem uma capacidade acrescida para o prazer, e para a arte; enfim, um humano elevado à superior escala de excelência tecno-digital, cujos efeitos e cujo impacto ainda estão longe de serem discerníveis em toda a sua abrangência.

Tudo isto implica uma drástica redefinição das fronteiras do humano no sentido da crescente perfectibilidade. E se algumas implicações dessa redefinição profunda afiguram-se nitidamente positivas e exaltantes, outras não são sem suscitar ceticismo e reservas: a refundação das propriedades do humano implicará que um robot sapiens é humano? Por onde passa a linha entre perfectibilidade e monstruosidade? Como equacionar a convivência da humanidade com formas superiores de hegemonia tecnológica? O que será da solidariedade dos viventes na Arca-Terra face às manifestações do h+? Não será o pós-humanismo um novo antropocentrismo assente em postulados teo-tecnológicos como a invulnerabilidade e/ou a mutabilidade ilimitada da vida humana?

 

Principais temas acolhidos neste número da revista

  • Figuras do pós-humano na literatura e/ou nos limiares intermediais
  • Géneros do pós-humano: SF, fantástico, pós-apocalíptico, nanoficção…
  • O pós-humano entre pensamento científico e pensamento mítico
  • Pós-humanismo e animalismo
  • Sexualidades pós-humanas

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