Dossiê “Ficção, ética, biopolítica e controle do imaginário: leituras de Milton Hatoum” | Revista Travessias
Data de abertura: ⋅ Data de encerramento: ⋅ Países: Brasil
Chamada de Artigos
Dossiê "Ficção, ética, biopolítica e controle do imaginário: leituras de Milton Hatoum" (v. 20, n. 3, set./dez. 2026)
Organização: Juciane dos Santos Cavalheiro (UEA) e Norival Bottos Júnior (UFAM)
Submissão: de 02/03/2026 a 30/06/2026
Diretrizes para autores: https://e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/about/submissions
Sobre a proposta: Este dossiê propõe reunir estudos dedicados à obra de Milton Hatoum, cuja escrita busca representar a Amazônia como um espaço complexo de encontros, cisões e confrontos culturais, de diálogos e silenciamentos, de deslocamentos e resistências. Em seus romances, emergem personagens e coletividades marcados por migrações forçadas, memórias fragmentadas, disputas por território e narrativas relegadas ao silêncio – elementos que, para além de seu valor estético e literário, mantêm um diálogo profundo com a noção de vida nua, com as práticas biopolíticas contemporâneas e com os mecanismos de controle e restrição do imaginário social. O pensamento contemporâneo sobre poder, soberania e vida nua encontra em Giorgio Agamben, especialmente no ciclo de obras dedicadas ao tema do Homo Sacer: o poder soberano e a vida nua, um ponto de inflexão que permite compreender os modos como o Estado e as instituições delimitam quem pode viver e quem pode morrer, bem como as zonas paradoxais entre o indiscernível e o indizível e entre direito e violência. Em diálogo com a teoria de Giorgio Agamben, a biopolítica de Michel Foucault – que investiga a administração dos corpos e a gestão das populações – oferece instrumentos para analisar não apenas os contextos históricos de exceção, mas também as formações discursivas e as amplas redes capilares dos processos cotidianos de exclusão e marginalização. No campo da crítica literária brasileira, Luiz Costa Lima e Benedito Nunes, ao desenvolverem a noção de controle do imaginário, trazem à tona a maneira como as instâncias de poder, por meio de dispositivos discursivos e simbólicos, limitam e regulam a produção e a circulação de narrativas e imagens. A relação entre estética e ética presente em estudos de Antonio Candido e Mikhail permite situar a obra de Hatoum a partir de uma voz narrativa responsável e refratária que, “executando o ato da assinatura-reconhecimento”, assume o seu não-álibi no existir (Bakhtin, 2010, p. 94; 99). Tais perspectivas abrem espaço para refletir sobre como a literatura, em sua autonomia estética e suas dimensões ética e política, tensiona, resiste e reinventa esses mecanismos de controle. Assim, este dossiê propõe reunir estudos que, a partir de abordagens interdisciplinares, investiguem como a literatura de Milton Hatoum pode ser atravessada pelas questões levantadas por Agamben, Bakhtin, Foucault, Antonio Candido, Costa Lima e Benedito Nunes, explorando, entre outros, temas como: biopolítica e violência: o controle dos corpos; controle do imaginário e a construção e repressão das memórias coletivas; formas de vida e vida nua: personagens à margem da lei e da proteção política; relações entre espaço urbano e práticas de exclusão social; relações entre o ético e o estético; representações da soberania e do estado de exceção no contexto amazônico.
Mais informações na página da Revista Travessias.


