Quarta-feira, 22 de Setembro de 2021
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Digitalidades Latino-americanas

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Chamada para artigos, Estudos Culturais

Chamada de trabalhos

Digitalidades Latino-americanas

Editores: Patrícia Anzini & Eduardo Prado Cardoso

 

A próxima edição da Diffractions busca suscitar uma reflexão interdisciplinar sobre as relações entre identidades digitalizadas, artes e política na América Latina. As digitalidades ganharam destaque com o bestseller Ser digital (1996), de Nicholas Negroponte. Usado inicialmente por ele para se referir à condição de vida em meio à cultura digital, o conceito tem exemplificado exemplificado realidades tecno-(dis)utópicas, e sustenta a tese de que tudo pode ser traduzido em formas numéricas, codificadas e computacionais, inclusive a noção de identidade. A digital, em português, ou huella, em espanhol, surge, portanto, da intersecção de gráficos computacionais, comunicações humanas e os media interativos.

Além dos caracteres binários e eletrônicos das digitais, concebemos as digitalidades como modos de intervenção social e de transformação cultural que impactam conceptualizações, traduções, materializações e performances de identidades nos países latino-americanos. A noção de identidade nesses territórios historicamente colonizados esteve no centro de debates dentro e fora da academia, tendo sido objeto de estudo das artes, da comunicação de massa e de culturas populares. Desde sempre, essas jovens democracias tiveram que negociar com a Europa e os Estados Unidos as suas cartografias, singularidades e a própria ideia de América Latina (Walter Mignolo), enfrentando, com isso, desafios atinentes a uma certa periferia cultural (Nelly Richard). É especialmente a partir da década de 1980 que elaas se veem diante de modos de consumo e urbanização que exibem o que Beatriz Sarlo descreve como “abundância e pobreza”. Nesse sentido, tecnologias e programas de eficiência por trás do uso de computadores trouxeram à tona desigualdades em tais países, bem como impulsionaram, subverteram, disseminaram e/ou resgataram discussões relativas às digitais. 

Considerando-se que a globalização desafiou os estados-Nação da América Latina em seus modos de tradução de identidades culturais (Renato Ortiz), é possível se pensar em um horizonte de possibilidades (Ronaldo Munck), no qual novos mediapráticas digitais alteram as realidades culturais, sociais, políticas e das próprias digitais. Teriam elas facilitado uma espécie de autonomia (Ana Cecilia Dinerstein)? Como estariam mudando os diversos conceitos de identidade na modernidade tardia, em particular no que se refere ao uso de tecnologias digitais e/ou interativas? Teriam as digitalidades alargado os abismos culturais e políticos das várias cidades latino-americanas? Teriam elas ensejado alternativas em tempos cada vez mais difíceis?

Aceitamos artigos que investiguem práticas culturais das/nas regiões latino-americanas e/ou que tenham fortes laços com indivíduos, artistas e coletivos da América Latina. Estamos interessados em descobrir como o uso ou o impacto das tecnologias nas esferas artística, informacional, política e social articulam noções de identidade, geografia, hibridização (Néstor García Canclini), gênero, etnia, globalização, autoritarismo etc., especialmente a partir dos anos 1980. Esperamos receber contribuições que reflitam acerca das disparidades ou diversidades linguísticas e políticas encontradas no espaço latino-americano, assim como reflexões que possam fundar uma literatura e impulsionar o debate aqui proposto sobre digitalidades.

A chamada de trabalhos está aberta para contribuições sobre, mas não limitados, aos seguintes tópicos: 

  • Digitalidades enquanto teoria, método e conceito;
  • Globalização e modernidade na América Latina;
  • Performance e digitalidades;
  • Digitalidades em conflito, violência e negociações de paz na América Latina;
  • Tecnologia digital, realidade virtual e práticas computacionais na América Latina;
  • Media de massa e redes sociais na América Latina;
  • Digitalidades na arte latino-americana – literatura, cinema, música, artes plásticas, videogames, grafite e arte de rua, fotografia, quadrinhos;
  • Exílio e migração na América Latina digitalizada;
  • Identidades digitais: gênero, etnia e raça na América Latina;
  • Digitalidades queer e transgênero;
  • Digitalidades, folclore, estudos e práticas indígenas;
  • Digitalidades como narrativas de vida;
  • As digitalidades da tradução;
  • Religiões, espiritualidades e práticas afro-latino-americanas digitalizadas;
  • Educação na América Latina digitalizada: pedagogias, metodologias e filosofias.

 

Submissão e avaliação

Os resumos serão recebidos e avaliados pelo comitê editorial da Diffractions por sua pertinência ao número temático. Após a submissão, entraremos em contato com os autores dos resumos aceitos para que, então, enviem-nos o artigo completo. Isso, contudo, não implica a sua publicação automática. Os trabalhos passaram por revisão por pares às cegas, que determinarão se as contribuições são publicáveis, com mais ou menos modificações, ou se não cumprem os requisitos de publicação.

Os resumos devem ter entre 150 a 200 palavras, com 5 a 8 palavras-chave, e ser enviados até 31 de maio de 2021 para info.diffractions@gmail.com com o seguinte título no e-mail: “Diffractions 5”, seguido de seu apelido/sobrenome.

Os artigos completos devem ser enviados até 15 de setembro de 2021, através da plataforma da revista: https://revistas.ucp.pt/index.php/diffractions/about/submissions.  

Lembramos que todo número da Diffractions, além do eixo temático principal, possui uma seção especial não-temática, que recebe artigos e recensões/resenhas. Se estiver interessado/a em submeter um artigo não-temático, favor consultar o mesmo guia de submissões (https://revistas.ucp.pt/index.php/diffractions/about/submissions). A submissão e o processo de avaliação de artigos não-temáticos respeitam o mesmo rigor da edição do dossiê. Todas as pesquisas/investigações sobre as humanidades em geral são bem-vindas.            

Referências 

Canclini, Néstor García. Culturas híbridas. Debolsillo, 2012.

Dinerstein, Ana. The politics of autonomy in Latin America: The art of organising hope. Springer, 2014

Mignolo, Walter. The idea of latin america. John Wiley & Sons, 2009.

Munck, Ronaldo. "Afterword: Postmodernism, politics and culture in Latin America." Cultural Politics in Latin America. Palgrave Macmillan, London, 2000. 185-205.

Ortiz, Renato. “A problemática cultural no mundo contemporâneo.” Política & Sociedade 16.35 (2017): 17-66.

Richard, Nelly. La insubordinación de los signos: cambio político, transformaciones culturales y poéticas de la crisis. Editorial Cuarto Propio, 1994.

Sarlo, Beatriz. Escenas de la vida posmoderna: intelectuales, arte y videocultura en la Argentina. Siglo XXI Editores, 2019.

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