Quarta-feira, 18 de Setembro de 2019
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Chamada WSQ: “Solidão”: produção do pensamento feminista negro no Brasil

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Chamada para artigos, Estudos Afro-Brasileiros, Estudos Feministas, Mulheres

Chamada para publicação de artigos
WSQ Outono de 2020
Estudos Trimestrais sobre as Mulheres

Editoras Convidadas:

  • Tanya Saunders, Universidade da Flórida;
  • Luciane Ramos-Silva, O Menelick2Ato & Acervo África
  • Soanirina Ohmer, Faculdades Lehman, Universidade da Cidade de Nova Iorque
  • Giselle dos Anjos Santos,Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as; Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades & Universidade de São Paulo

 

“Solidão”: produção do pensamento feminista negro no Brasil.

Prazo para submissão: 05 de setembro de 2019.

 

O campo de estudos do feminismo negro está crescendo ampla e significativamente nos últimos anos no Brasil. Desde feministas negras como Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, entre outras, é enfatizada a relevância da interação entre gênero, raça e classe, enquanto elementos centrais para a compreensão da sociedade brasileira. Por exemplo, em “Enegrecer o Feminismo”, Sueli Carneiro aponta que o campo de estudos e as lutas feministas postularam a ideia hegemônica sobre a categoria Mulher, associada à vivência feminina branca, em detrimento ao conhecimento, experiências e a história das mulheres negras.

Uma das discussões levantadas por essa produção é o tema da solidão. Em “Virou Regra?” (2011) e “Mulher Negra: Afetividade e Solidão” (2013), Claudete Alves e Ana Cláudia Lemos Pacheco perguntam: “Como a raça, gênero e outros marcadores sociais impactam as escolhas afetivas das mulheres negras?” Alves e Pacheco engajam a solidão (em inglês, loneliness) como ponto crucial das demandas sociais e expectativas das mulheres negras, num contexto global de hipercapitalismo e hiperssexualização, onde no Brasil as mulheres pretas e pardas são mantidas fora do “mercado afetivo” e naturalizadas no “mercado sexualizado” como corpos erotizados, subordinados (trabalhadoras domésticas) e, em contrapartida, as mulheres brancas são assimiladas na cultura afetiva de heterossexualidade respeitável.

Moldado a partir de diversas teorias e experiências de mulheres negras brasileiras, Solidão descreve o isolamento compartilhado como um fenômeno relacional afetivo com significados tão múltiplos quanto o número de mulheres negras. A solidão é inerente às experiências de mulheres negras brasileiras considerando os vetores históricos, sociais e raciais que atravessam essas experiências. É um conceito oriundo dos estudos de gênero produzidos por feministas negras brasileiras que não têm um equivalente no idioma inglês e na produção feminista norte-americana. Ainda assim, o sentimento e a experiência, se traduzem. Como a arte é uma expressão da vida, a solidão ressoa nas artes criativas e performáticas assim como na experiência vivida por este grupo.

Desta forma, questionamos, como você lê/experimenta/aborda a solidão? Esta edição da WSQ convida a teoria crítica interseccional de acadêmicas-ativistas e artivistas a confrontar os sistemas de opressão, desafiando a ideia de universalismo e a crença limitada de que a humanidade é branca, masculina, heterossexual, saudável, magra, norte-americana, classe média e cristã (AKOTIRENE, 2017). Neste sentido, desejamos evidenciar como está sendo desenvolvida a teoria interseccional, enquanto uma produção de conhecimento afro-atlântica e afro-diaspórica fora dos Estados Unidos, no contexto do Sul e, mais especificamente, entre as brasileiras.

Ao mesmo tempo em que reconhecemos as raízes históricas e o significado social / racial da solidão, convidamos submissões que levem em conta como a solidão é vivenciada de maneira diferente, baseada em subjetividades diferenciais e semelhanças comunais. Por exemplo, uma vez que a solidão pode implicar em uma experiência afetiva central para a formação da subjetividade interseccional, como podemos engajar a solidão de mulheres negras e da comunidade negra LGBTQ+ no protagonismo de sua história e da produção de seu conhecimento?

Encorajamos o engajamento de feministas e queers negras brasileiras de diversos espaços de inserção e múltiplas camadas que ainda não foram traduzidas para o inglês, para expor os conceitos, linguagens, teorizações e ativismo desenvolvidos em seu cenário, como um ato de solidariedade transnacional com outras mulheres africanas, afro-atlânticas e queers; para reconquistar e recuperar as teorias negras embranquecidas na tradução para o inglês. Nós vamos considerar os trabalhos com perspectivas transnacionais entre a produção feminista negra e/ou queer com produções teóricas sobre política de racialização e afetividade que circularam por meio de línguas e fronteiras geopolíticas entre os séculos XVI e XXI.

Nós convidamos para a publicação de contribuições focadas e desenvolvidas a partir do ponto de vista das mulheres negras, considerando múltiplos enfoques (não apenas sobre o tema da solidão). Listamos alguns tópicos desejados, mas salientamos que esta lista não é exaustiva:

  • Feminismo negro;
  • Lésbicas negras (sapatões, butch e outras dissidências sexuais);
  • Transfeminismos negros;
  • Mulheres quilombolas;
  • Interseccionalidades (na diáspora africana e comunidades indígenas; interseccionalidade na performance, literatura, artes plásticas, música, cinema, etc.);
  • Pedagogias afro-feministas, descentralizadoras da lógica do branqueamento e da heteronormatividade;
  • Construção da subjetividade dos/das sujeitos/as racializados/das;
  • Teoria feminista negra e a política de tradução;
  • Mulheres negras e intimidade;
  • Solidão como resistência e/ou como busca de felicidade (por exemplo, mulheres negras e autocuidado);
  • Representação versus invisibilidade;
  • A intersecção do racismo e da opressão de gênero no local de trabalho/local de estudos (Mulheres negras e LGBTQ +);
  • Solidariedade compartilhada e solidariedades transnacionais;
  • Histórias e mitos de mulheres negras pioneiras (Dandara, Aqualtune, Nanny, Ezili Je Wouj);
  • América Latina, Caribe e África como espaços geopolíticos racializados e de gênero;
  • Abordagens interseccionais às religiões de matriz africana e/ou afro-atlântica;
  • Afeto e formação da/do sujeita/o racializada/o (por exemplo, afeto negro queer);
  • Crítica de mulheres negras com deficiência em relação à solidão;
  • Genealogias da teoria das mulheres de cor;
  • Teoria do afeto e mulheres de cor;
  • Os mundos internos das mulheres negras (ou seja, afetivo, psíquico, neurológico, etc.).

As submissões podem ser em inglês, português e/ou espanhol. Consideraremos ensaios multilíngues e podemos aceitar ensaios em outros idiomas – consulte as editoras convidadas antes de enviar em um idioma diferente dos indicados acima. Os artigos acadêmicos e possíveis dúvidas devem ser enviados para as editoras convidadas: Tanya Saunders, Luciane Ramos-Silva, Sarah Soanirina Ohmer e Giselle dos Anjos Santos, no seguinte e-mail: wsqsolidao@gmail.com.

Mais informações: https://www.feministpress.org/current-call-for-papers

Fonte: Instituto de Estudos da África

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