Quinta-feira, 22 de Outubro de 2020
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Chamada para publicação: "As escritas do jornalismo esportivo"

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Bélgica, Brasil, Canadá, França, Portugal

Antropologia, Chamada para artigos, Ciências da Comunicação, Ciências da Informação e Documentação, Desporto, Jornalismo, Sociologia

Sur le journalisme – About Journalism – Sobre jornalismo
Revista científica internacional de acesso aberto, publicada em edições eletrônicas e impressas

A revista internacional multilíngue Sobre jornalismo – About journalism – Sur le journalisme lança uma nova chamada para publicação

As escritas do jornalismo esportivo

Data final para recebimento dos artigos : 1 de outubro de 2020

Editores deste dossiê:

  • Paul Aron (Université libre de Bruxelles, Bélgica)
  • Laurence Rosier (Université libre de Bruxelles, Bélgica)
  • Ruadhán Cooke (National University of Ireland, Galway)
  • Marie-Eve Thérenty (Université Paul Valéry Montpellier3, França)
  • Ruben Arnoldo Gonzalez (Universidad Iberoamericana Ciudad de México, México)

 

Esse número, fruto de pesquisas conduzidas no âmbito da rede Numapresse (http://www.numapresse.org/), visa aprofundar o conhecimento das escritas do jornalismo esportivo, recorrendo especialmente a abordagens disciplinares inusitadas na área e técnicas que possibilitam renovar sua compreensão, tais como a análise do discurso, a história, as humanidades digitais ou a poética do jornalismo.

Os editores sugerem diversas abordagens:

  1. As modalidades poéticas do jornalismo esportivo, já bem consolidadas no início do século XX, buscam narrar um evento e seus atores, em um contexto de competição entre os diferentes meios de comunicação de massa e entre os próprios jornalistas. Tais narrativas são direcionadas a um público específico, que elas próprias ajudam a criar e a socializar. Essa abordagem contempla os processos narrativos, a criação de heróis ou a espetacularização dos eventos. Em termos de enunciação, a encenação de si e o ethos do scriptor, que remetem ao prestígio de sua assinatura, condicionam a representação do esporte (baseados na distância ou na competência, no ethos aristocrático, nas escolhas entre as posturas da investigação ou da celebração, ou na invenção de novos gêneros, como o jornalismo gonzo, originalmente esportivo no mundo anglo-americano). Podemos periodizar os modelos em questão de modo mais acurado, apontar inflexões significativas, inovações decisivas? Podemos, da mesma forma, problematizar historicamente as questões do representável, da estetização ou do espetacular?
  2. As condições organizacionais para a prática dos esportes evoluíram com o tempo; os espaços de trabalho, as ferramentas, as possibilidades de divulgação e formatação construíram gradualmente relações distintas entre escrita e jornalista. Essas condições organizacionais remetem tanto a fatores externos quanto internos da produção da informação esportiva. No âmbito externo, é preciso levar em consideração a cobertura internacional de eventos esportivos, onde entram em confornto várias práticas narrativas do esporte. Também observamos que os jornalistas esportivos implementam estratégias específicas para se promover ou se destacar. Esse também é o caso dos jornais, já que o esporte constitui um espaço altamente competitivo. No âmbito interno, a escrita do esporte sempre envolveu dois planos distintos: o dos eventos e resultados em si, e os comentários, investigações ou reportagens que enquadram esses eventos. Podemos descrever a evolução dessas práticas? Podemos considerar suas modalidades mais recentes, com a intervenção de “robôs”, que acarretam a automatização dos elementos factuais da escrita esportiva. Que debates isso suscita sobre a escrita do esporte (sua função, sua importância) e o papel do jornalista?
  3. O discurso esportivo faz parte do discurso social, que ele próprio ajuda a alimentar. É importante estudar suas interações. Acompanhada por imagens, alvo preferencial de manchetes e de efeitos de layout, a narração esportiva dificilmente pode ser concebida como um desempenho puramente textual. Assim, podemos questionar como os diferentes elementos da mídia se relacionam e geram seus efeitos um em relação ao outro? Como escrever um texto no reino do “ao vivo” da rádio, da televisão ou da Internet? Como a 2020. Chamada Sur le journalisme – About Journalism – Sobre jornalismoconcorrência dos meios de comunicação de massa condiciona as respectivas narrativas das várias mídias? Mais amplamente ainda, como a escrita do esporte dialoga com as representações do mundo (nacionalismo, racismo, ativismo, sexismo), com o planejamento territorial ou o turismo. O discurso do esporte também pode ser profundamente político, quando inicia guerras (partida Honduras-Salvador) ou resolve conflitos (apartheid na África do Sul). Ou polêmico, quando lida com questões de gênero e transgênero, ou defende a elevação do e-sport (esporte eletrônico) ao nível olímpico.
  4. O jornalismo esportivo está intimamente vinculado à língua. É enunciado em registros linguísticos variáveis, da narrativa ao monólogo restituído, do discurso de conivência ao discurso da distância, da gíria ao pastiche literário, do discurso técnico à linguagem comum. Isso remete ao léxico, mas também à sintaxe, aos códigos de expressão e à retórica. De maneira mais ampla, esses diferentes discursos sao tributários dos diferentes atores do cenário esportivo (de treinadores a atletas ou mesmo espectadores), das diferenciações entre os próprios esportes (o esgrimista produz a mesma linguagem que o judoca?), das tradições discursivas dos diferentes eventos esportivos? Alguns jornais ou meios de comunicação desenvolveram seu próprio idioleto? Existem fatos de escrita que revelem uma organização do trabalho, papéis e relações que seriam distintos e que manifestariam marcas de um modus jornalístico específico de uma determinada disciplina esportiva?

Mais informações na chamada completa, em anexo.

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