Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
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Chamada para Publicação - Revista Abusões 2020-2: "A distopia e o gótico"

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Brasil

Chamada para artigos, Literatura

Chamada para publicação (2020.2) – Revista Abusões

Dossiê: A distopia e o gótico

Organizadores: Anderson Gomes (UFRRJ); André Cardoso (UFF); Pedro Sasse (UERJ)

Submissões até 03 de novembro de 2019.

O gótico pode ser descrito como a expressão de uma visão desencantada do mundo, como um modo de escrita que se manifesta de forma recorrente em momentos de crise epistemológica e social, dando voz a ansiedades relacionadas às estruturas de poder, à influência crescente da ciência e à própria natureza do ser humano. Seguindo as abordagens transhistóricas mais recentes, o gótico, mais que um gênero confinado a um contexto artístico e sociocultural específico, é um modo discursivo explorado pelos mais diversos gêneros para comunicar os medos e ansiedades próprios de seus contextos. Dessa forma, o gótico permeia, além de obviamente o horror, gêneros como o romance policial, a fantasia e a ficção científica. Nesta, a distopia ganha destaque não só se apropriando desse modo discursivo como compartilhando muitas das ansiedades associadas ao gótico. Fundamentais para o estabelecimento do próprio gótico, os romances de Ann Radcliffe e M. G. Lewis, por exemplo, têm, segundo David Punter e Glennis Byron (The Gothic, 2004), uma preocupação central com a tirania e seus efeitos. O sofrimento psicológico, nessas obras, não raramente está ligado a dilemas políticos desde seus primórdios, oferecendo imagens da violência social, antes associada ao passado feudal aristocrático a ser superado e hoje apontando o futuro como um horizonte de ameaça e desintegração. Linda Dryden (The Modern Gothic and Literary Doubles, 2003), por sua vez, associa a transição do gótico para o contexto urbano no século XIX a uma perspectiva cada vez mais pessimista da sociedade e à tentativa de lidar com as precárias condições de vida nas grandes cidades, principalmente no que dizia respeito à população mais pobre. Já para Fred Botting (Gothic, 1996), a ficção gótica é dominada por incertezas relacionadas à natureza do poder, da lei e da sociedade. Pode-se perceber, então, que o gótico possui uma profunda afinidade com a distopia: ambos expressam uma visão negativa do mundo social, oferecendo uma imagem sombria do futuro e tendo como um de seus temas centrais os excessos do poder e do autoritarismo. Compartilhando preocupações e perspectivas semelhantes, tanto o gótico quanto a distopia são formas de interpelar criticamente a modernidade. Em homenagem aos 70 anos da morte de George Orwell, este dossiê temático propõe investigar os pontos de contato entre o gótico e a distopia, examinando de que maneira as narrativas distópicas estabelecem um diálogo com a literatura gótica, incluindo seus modos de representação em diferentes meios para além da literatura, como o cinema, as séries de televisão e as histórias em quadrinhos. Interessam-nos artigos que discutam a retomada de temas e figuras do gótico pelas distopias, como o aprisionamento, a monstruosidade, a imagem da cidade labiríntica, o receio com os excessos da ciência, a exploração dos limites do humano e a relação entre racionalidade e irracionalidade, além do uso de elementos góticos na representação visual das sociedades distópicas.


Llamado a publicación de artículo (2020.2) – Revista Abusões

Dossier: La distopía y el gótico

Organizadores: Anderson Gomes (UFRRJ); André Cardoso (UFF); Pedro Sasse (UERJ)

Envío hasta el 03 de noviembre de 2019.

Se puede describir el gótico como la expresión de una visión desencantada de mundo, como un modo de escribir que se manifiesta de forma recurrente en momentos de crisis epistemológica y social, dando voz a ansiedades relacionadas a las estructuras de poder, a la influencia creciente de la ciencia y a la propia naturaleza del ser humano. Siguiendo los abordajes transhistóricos más recientes, el gótico, más que un género atrapado en un contexto artístico y sociocultural específico, es un modo discursivo explorado por los más distintos géneros para comunicar los miedos y ansiedades propios de sus contextos. Así, el gótico permea, además de obviamente el horror, géneros como la novela detetivesca, la fantasía y la ciencia ficción. En esta, la distopia gana relevancia no solamente apropiándose de ese modo discursivo como también compartiendo muchas de las ansiedades asociadas al gótico. Fundamentales para la consolidación del propio gótico, las novelas de Ann Radcliffe y M. G. Lewis, por ejemplo, tienen, según David Punter y Glennis Byron (The Gothic, 2004), una preocupación central con la tiranía y sus efectos. El sufrimiento psicológico, en esas obras, está a menudo relacionado, desde su origen, con dilemas políticos, ofreciendo imágenes de la violencia social, antes relacionada con el pasado feudal aristocrático a ser superado y hoy señalando hacia el futuro como un horizonte de amenaza y desintegración. Linda Dryden (The Modern Gothic and Literary Doubles, 2003), por otro lado, asocia la transición del gótico para el contexto urbano en el siglo XIX a una perspectiva cada vez más pesimista de la sociedad y a la tentativa de hacer frente a las precarias condiciones de vida en las grandes ciudades, sobre todo en lo que concierne a los más pobres. Para Fred Botting (Gothic, 1996), en cambio, la ficción gótica es dominada por incertidumbres relacionadas con la naturaleza del poder, de la ley y de la sociedad. Se puede percibir, así, que el gótico tiene una profunda afinidad con la distopía: ambos expresan una visión negativa del mundo social, ofreciendo una imagen sombría del futuro y teniendo como uno de sus temas centrales los excesos de poder y autoritarismo. Compartiendo preocupaciones y perspectivas semejantes, tanto el gótico como la distopía son maneras de investigar críticamente la modernidad. En homenaje a los 70 años de la muerte de George Orwell, este dosier temático propone investigar los puntos de contacto entre el gótico y la distopía, examinando como las narrativas distópicas establecen un diálogo con la literatura gótica, incluyendo sus modos de representación en distintos medios más allá de la literatura, como el cinema, las series de televisión y los cómics. Nos interesan artículos que discutan la reanudación de temas y figuras del gótico por las distopías, como el aprisionamiento, la monstruosidad, la imagen de la ciudad laberíntica, el temor con los excesos de la ciencia, la exploración de los límites del humano y la relación entre racionalidad e irracionalidad, además del uso de elementos góticos en la representación visual de las sociedades distópicas.


Call for Papers Monographic Issue (2020.2) – Revista Abusões

Dossier: Dystopia and the Gothic

Editors: Anderson Gomes (UFRRJ); André Cardoso (UFF); Pedro Sasse (UERJ)

Submission until Nov 03, 2019.

The gothic can be described as the expression of a disenchanted view of the world, as a recurring mode of representation that manifests itself in moments of epistemological and social crisis, articulating anxieties related to power structures, to the increasing influence of science, and to the nature of humanity itself. According to recent transhistorical studies, the gothic, more than a genre limited to a specific artistic and sociocultural context, is a discursive mode explored by a wide variety of genres as a means to convey fears and concerns arising from different contexts. The gothic, therefore, permeates not only horror narratives, but also crime fiction, fantasy and science fiction. Within the latter, dystopias deserve special attention not only because they appropriate this discursive mode, but also because they share many of the anxieties associated with the gothic. The novels by Ann Radcliffe and M. G. Lewis, which were fundamental in establishing the gothic, display a central concern with tyranny and its effects, according to David Punter and Glennis Byron (The Gothic, 2004). From the beginning, gothic narratives have frequently connected psychological suffering to political dilemmas, offering images of social violence initially identified with the aristocratic feudal past to be overcome, and later pointing to the future as a horizon of threat and disintegration. Linda Dryden (The Modern Gothic and Literary Doubles, 2003), in her turn, associates the transition of the gothic to the urban context of the nineteenth century with an increasingly pessimistic view of society and with an attempt to deal with the precarious life conditions in large cities, especially where the poorer population was concerned. For Fred Botting (Gothic, 1996), gothic fiction is permeated by uncertainties concerning the nature of power, law and society. It can be noticed, then, that the gothic has a strong affinity with dystopia: both express a negative view of the social world, offering a somber vision of the future and having as one of their central themes the excesses of power and authoritarianism. Sharing similar concerns and perspectives, both the gothic and dystopia are ways of critically addressing modernity. In honor of the 70th anniversary of George Orwell’s death, this thematic issue proposes to investigate the intersections between the gothic and dystopia, examining the ways dystopian narratives establish a dialogue with gothic literature, including their modes of representation in different media besides literature, such as cinema, television series and comics. We seek articles that discuss how dystopian narratives appropriate themes and forms from gothic fiction, such as imprisonment, monstrosity, the image of the labyrinthine city, the fear of the excesses of science, the exploration of the limits of the human, and the relation between reason and the irrational, besides the use of gothic elements in the visual representation of dystopian societies.

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