Sexta-feira, 30 de Outubro de 2020
Publicações

Chamada para Dossiê "Imaginários da paisagem"

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Brasil

Chamada para artigos, Literatura, Paisagem

A revista Téssera, revista do GT da ANPOLL Imaginário, representações literárias e deslocamentos culturais, está com chamada aberta para o dossiê: Imaginários da paisagem: transfigurações do olhar e do espaço, até o dia 20 de setembro.

Ementa:

O espaço e a paisagem como um de seus modos de figuração são categorias complexas da literatura e das demais artes miméticas, o que exige uma constante reelaboração do pensamento de seus elementos estruturais e dinâmicos, irredutíveis a representações estáticas de pano de fundo. Figurativas ou não, as formas artísticas, o espaço e a paisagem verificáveis em um poema, um romance, uma tela, um filme, funcionam como a fragata de Emily Dickinson “para nos levar a terras distantes”. Terras que podem ser conhecidas objetivamente ou visitadas apenas pela projeção psíquica ou pela imaginação. Operações possíveis, na literatura, pela organização das palavras e seu poder dinamizador. Para que as palavras intensifiquem uma experiência nova da relação sujeito e mundo, ocorre um processo anterior, nomeado imaginação material, por Gaston Bachelard, e sensação, por Michel Collot. No combate ao pensamento racionalista, Bachelard dá continuidade aos filósofos alemães do romantismo, sobretudo ao pensamento de Novalis, e revigora o estudo das imagens, ao buscar nos quatro elementos o dinamismo que as matérias oferecem a uma imaginação criadora, que eleva o indivíduo às sensações mais surpreendentes e duradouras. Quando a imaginação trabalha a partir da matéria, as palavras conseguem expandir os elementos numa fusão original do mundo, capaz de deformar ou reformular espaços e paisagens. A partir do convite material que oferecem os elementos fogo, água, terra e ar, as imagens deixam de ser “meros jogos formais”, porque antes de serem palavras, as imagens são matérias: “para que um devaneio tenha prosseguimento com bastante constância para resultar em uma obra escrita (...) é preciso que encontre uma matéria, é preciso que um elemento material lhe dê sua própria substância, sua própria regra, sua poética específica” (BACHELARD: 2002, 4). Em seus postulados, ele nega, de forma peremptória, a imagem como fruto da percepção ocular. Ao principiar suas argumentações, Bachelard revalida a refutação do conceito mimético calcado no “bem ver”, método utilizado por algumas Filosofias realistas e certas Psicologias, que concebem como primeiro ato o olhar, para depois referendar o imaginar, como afirma o filósofo: “para eles, vemos as coisas primeiro, imaginamo-las depois” (BACHELARD, 2016, p. 2). Nesse sentido, as investigações de Michel Collot sobre a paisagem são confluentes com as da imagem de Bachelard. Collot recupera o percurso da paisagem que foi entendida como um “pensamento simbólico do lugar” e um “conhecimento científico do espaço”, sendo “lugar” uma delimitação geográfica e “paisagem” uma experiência e criação do indivíduo. Antes mesmo da valorização da subjetividade pelo Romantismo, a paisagem já se desdobra e se modula, escreve Collot: “C’est un phénomène qui change selon le point de vue qu’on adopte, et que chaque sujet réinterprète en fonction non seulement de ce qu’il voit, mais de ce qu’il sent, ressent et imagine” (COLLOT, p. 3). É no momento de desfigurar a paisagem que a sensação é mais importante que a percepção, quando sujeito e objeto, interior e exterior, visto e imaginado se apresentam confundidos por uma sinestesia que pressente a totalidade do mundo: “Notre tradition occidentale confère à la vue un privilège excessif et presque exclusif dans son approche du paysage. Or le paysage ne saurait se réduire à un pur spectacle. Il s’offre également aux autres sens, et concerne le sujet tout entier, corps et âme”. (COLLOT, p. 4). A literatura engendra espaços e paisagens capazes de ordenar a razão e a sensibilidade a partir do movimento conferido pela linguagem poética, como afirma Maurice Blanchot em seu livro O espaço literário. A partir dessas perspectivas de pensamento, a revista Téssera aceita trabalhos inéditos na área dos estudos literários e em outras áreas afins que abordam a linguagem poética frente às discussões sobre espaço e paisagem, topoanálises geradoras de imagens simbólicas.

Esta edição contará com uma seção livre, recebendo artigos diversos que dialoguém com as áreas temáticas correspondentes ao campo da imaginário.

Organizadores:
Prof. Dr.  Erick Gontijo Costa -  Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET/MG)
Profa. Dra. Fernanda Cristina de Campos – Escola de Aplicação de Educação Básica (ESEBA/UFU)

Recebimento de trabalhos: até 20 de setembro de 2020
Publicação: até 31 de dezembro de 2020

Para saber, e acessar a proposta da revista, basta acessar: http://www.seer.ufu.br/index.php/tessera/announcement/view/203.

Informação relacionada

Enviar Informação

Mapa de visitas