Domingo, 04 de Dezembro de 2022
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Chamada para artigos para Revista Philorosae nº 2 - Utopias, Distopias e Não Utopias

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Timor

Chamada para artigos, Filosofia

Revista Philorosae

Chamada para artigos para revista Philorosae n.º 2

Call for Papers - Chamada para Artigos - Utopias, Distopias e Não Utopias

 

É com muito prazer que se anuncia o segundo número da Revista PHILOROSAE, do Centro de Estudos de Cultura e Artes da Universidade Nacional de Timor Lorosa’e. Esta revista, com periodicidade anual, foi criada com o objetivo de promover as sinergias entre a filosofia ocidental e oriental, promover a epistemologia de saberes, fomentar as pontes de compreensão filosófica e intercultural entre as pessoas, os países e os hemisférios. Tem como critérios editoriais a importância e a qualidade filosófica, bem como o carácter pedagógico e/ou inovador dos textos.

Para o ano de 2022, a Revista Philorosae terá como tema Utopias, Distopias e Não Utopias. Desta forma, a Revista Philorosae convida todos os professores, investigadores, especialistas e interessados a submeterem artigos e recensões sobre esta temática, até 31 de julho de 2022, para o seguinte email: lorosaefilosofico@gmail.com.

Enquadramento Teórico

O termo utopia, que significa um “lugar que não existe”, foi criado por Thomas More no seu livro Utopia, publicado no século XVI. Nesta obra, Thomas More idealiza uma sociedade perfeita numa ilha (a ilha de Utopia), onde reinam a justiça, a igualdade, a fraternidade, a tolerância, o ecumenismo e a ausência de propriedade privada; nesse mundo ideal todos os utopianos seriam felizes e viveriam em harmonia, o que contrastava com o ambiente decadente de corrupção, maldade, intolerância e ganância que se fazia sentir em muitas partes no mundo, especialmente na Europa. Thomas More trouxe, com o pensamento utópico, a novidade de que se poderia conceber um mundo melhor, uma sociedade perfeita, um modelo imaginário que serviria para criticar, refletir e melhorar, em todos os aspetos, as grandes imperfeições e injustiças da sociedade em que vivemos, independentemente das eras.

Tomando o termo “utopia” de Thomas More, as conceções utópicas remontam à antiguidade. Das obras mais famosas, numa perspetiva ocidental, podemos referenciar a República, de Platão, em preconiza uma sociedade perfeita, onde prevalece a justiça e o equilíbrio das virtudes humanas, sabiamente presidida por um filósofo-rei. Na idade média, A Cidade de Deus, de Santo Agostinho, almeja por uma sociedade onde é possível desabrochar a centelha divina existente em cada cidadão; no renascimento, A Cidade do Sol (1602), de Tommaso Campanella, apresenta uma sociedade igualitária de cariz teocrático; A Nova Atlântida (1610), de Francis Bacon, abandona a conceção medieval utópica religiosa, inscrevendo-se, no seu lugar, uma utopia de natureza tecnológica e científica, que coloca a ciência como o meio e o destino final da civilização humana. Obras de Nicolau de Cusa e de Giordano Bruno, entre outros autores, não podem ser desconsideradas do enquadramento utópico.

No século das luzes, a obra de Voltaire, Cândido (1758), irá criticar a ideologia que considera que se vive no melhor dos mundos possíveis; Jean-Jacques Rousseau considerará o homem naturalmente bom, só a sociedade é que o tornou mau. Desviado das suas tendências naturais intrínsecas, só o afastamento da sociedade e o regresso à natureza (educação) possibilitará a preservação do Homem em relação aos vícios e à corrupção das sociedades modernas.

No século XIX, imperará uma literatura de socialismo utópico, através de autores como Karl Marx, Charles Fourier, Robert Owen, Proudhon, entre outros.

No século XX, depois de Uma Utopia Moderna, de H.G. Wells, Zamiatine publicará o livro Nós, considerada por muitos especialistas como a obra pioneira das distopias. É nesta sequência que serão publicadas obras distópicas famosas como, por exemplo,  Admirável Mundo Novo (1930), de Aldous Huxley, que idealiza um futuro onde os seres humanos serão condicionados geneticamente; o livro 1984, escrito por George Orwell em 1949, será considerado uma obra distópica fundamental na literatura e pensamento ocidentais por retratar um regime ditatorial, controlador e opressivo.

De maneira alguma poderemos negligenciar a perspetiva utópica oriental, através da utopia confucionista, as fábulas na Poesia e Prosa de Tao Yuanming, A Cidade Virtuosa, de Alfarabi ou a perspetiva contemporânea anti-utópica de Jiddu Krishnamurti, entre outros.

Sem dúvida, atualmente, desenvolvem-se utopias à escala global, de natureza política, digital ou tecnológica, utopias verdes (ecotopias) e utopias religiosas/seculares; como também se imaginam distopias digitais e tecnológicas, distopias políticas, distopias verdes, entre outras, que são divulgadas em livros, documentários, séries de televisão de ficção científica, filmes de animação/manga e filmes de grande orçamento, entre outros, como as contribuições utópicas e distópicas de autores da literatura, cinema e filmes de animação asiática/japonesa; uns anunciaram o fim das utopias; outros defendem a não-utopia em nome da atenção que tem de ser concedida ao presente. No entanto, para alguns, a utopia/distopia serve precisamente para melhorar o presente. Mas será que a utopia, quando concebe idealmente uma sociedade perfeita, não estará a impor um modelo dos comportamentos ideais, um modelo das mecânicas sociais e mesmo um novo paradigma do Homem?

Dentro do tema Utopias, Distopias e Não Utopias, podem ser explorados alguns subtemas, tais como:

  • Utopias filosóficas, políticas, religiosas, tecnológicas, ecológicas;
  • A Utopia na Educação;
  • Distopias filosóficas, políticas, religiosas, tecnológicas, ecotopias;
  • Distopias na Educação;
  • A Utopia e o Pensamento Filosófico;
  • Utopia e Covid-19;
  • Conceber a utopia impede de ver a realidade tal como ela é no presente?
  • As utopias e distopias melhoram as sociedades atuais?
  • O fim das utopias;
  • A não-utopia;
  • A utopia na globalização e/ou utopias globais;
  • Pós-utopia;
  • Outros temas relevantes.

 

Seleção dos Trabalhos

Para este segundo número da Revista Philorosae, Utopias, Distopias e Não Utopias, serão bem-vindas todas as contribuições que visem o desenvolvimento de utopias, sejam de natureza filosófica, política, religiosa, tecnológicas ou ecológica; distopias de caráter filosófico, político, religioso, tecnológico ou ecológico; serão valorizados trabalhos que abordem sobre autores ocidentais e orientais utópicos/distópicos/não utópicos, que reflitam sobre a utopia/distopia/não utopia, de forma independente ou em relação a outras perspetivas utópicas ocidentais/orientais.

A escolha dos trabalhos para a revista terá como critérios editoriais a importância e a qualidade filosófica, bem como o carácter pedagógico e/ou inovador dos textos.

Serão aceites trabalhos em língua portuguesa ou em língua inglesa. A Revista Philorosae aceita artigos, recensões e ensaios. Para ser mais fácil o processo de edição, a equipa editorial incentiva a todos os interessados para que enviem, por e-mail, um pequeno resumo do tema que pretendem abordar por forma a obterem feedback.

É possível consultar o primeiro número da Revista Philorosae através do link: https://plataforma9.com/noticias/1-numero-da-revista-philorosae-disponivel.htm.

Critérios de avaliação para seleção dos trabalhos (artigos, livros, recensões):

  1. Adequação ao tema da revista;
  2. Originalidade;
  3. Organização e clareza de ideias;
  4. Utilização de linguagem técnico-científica/terminologia filosófica;
  5. Metodologia;
  6. Conclusão;
  7. Adequação bibliográfica.

Normas Editoriais

Dados Pessoais

Colocar nome do autor do artigo, habilitações literárias, afiliação institucional, ocupação e e-mail pessoal. Se tiver Orcid ID ou Ciência Vitae id, pode facultá-lo. Por favor, enviar Dados Pessoais no corpo de e-mail ou num documento separado do artigo. Não identifique o trabalho com o seu nome.

Aspetos Técnicos

Margens: 2.5 cm.

Tipo de Letra: Times New Roman.

Tamanho da Letra: Título do Artigo: Letra14, Negrito. Títulos e subtítulos: Letra 12, Negrito. Corpo de texto: letra 12.

Espaçamento entre linhas: 1.5. Texto justificado.

A primeira página deverá conter:

Título do artigo no topo da página, alinhado ao centro, com letra Times New Roman, tamanho 14, em língua portuguesa.

Resumo: máximo de 500 caracteres, incluindo espaços.

Palavras-Chave: máximo de 5.

Abstract: máximo de 500 carateres, incluindo espaços.

Key Words: Máximo 5, em inglês.

Os artigos não podem exceder os 40.000 caracteres, incluindo espaços.

Colocar em itálico palavras de outras línguas.

Norma APA

Pede-se a todos os autores que utilizem a Norma APA (6.ª Edição).

Citação autor-data no corpo de texto: (Apelido, ano, p.). Ex: No entanto, “a economia mundial está cada vez a globalizar-se” (Piketty, 2007, p. 109).

Citações diretas com mais de três linhas: Letra 10, margem esquerda 6 cm; restantes margens 2.5 cm, sem aspas e com citação autor-data.

Bibliografia Final

Exemplos:

Livro

PIKETTY, Thomas (2007). A Economia das Desigualdades. Lisboa: Atual Editora.

Artigo de Revista

NZUZI, Taylor (2015). As Implicações Epistemológicas do Sul. Revista de Educação, 2 (1), 3-9.

Jornais e Revistas

OLIVEIRA, Guilherme (1993, 15 de Setembro). A Problemática do Bem e do Mal. Jornal O País, pp. 23-27.

 

Para esclarecimento de dúvidas ou de qualquer outra questão, não hesite em contactar-nos através do e-mail: lorosaefilosofico@gmail.com.

O Editor,

Filipe Abraão Martins do Couto

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