Revista Desassossego: O Autor na Poesia Portuguesa Moderna e Contemporânea
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Prorrogação do Prazo para Submissão de artigos - Revista Desassossego
Vol. 12, n. 22: O Autor na Poesia Portuguesa Moderna e Contemporânea
Prazo de submissão de artigos prorrogado até a data de 27 de julho de 2020
Vol. 12, n. 22: O Autor na Poesia Portuguesa Moderna e Contemporânea
Por trás daquela parede fica o céu infinito. Para não morrer de espanto, para poder com isto, para não ficar só e o doido é que inventei a insignificância, as palavras, a honra e o dever, a consciência e o inferno.
E ainda o que nos vale são as palavras, para termos a que nos agarrar.
Húmus, Raul Brandão, 1867-1930
[...] Somos
um reflexo dos mortos, o mundo
não é real. Para poder com isto e não morrer de espanto
- as palavras, palavras.
Húmus, Herberto Helder, 1930-2015
A literatura no século XX passou por várias revisões da figura do autor no que diz respeito à sua leitura, interpretação e presença na textualidade. De uma crítica centrada na vida biográfica do autor como mote de leitura de seus escritos, decorrente dos ecos de um pensamento romântico novecentista, o autor morre na pena de Barthes e Foucault, para reviver em gêneros híbridos como a autoficção, as narrativas epistolares e ensaísticas.
Quando o foco dos estudos literários recai sobre a narrativa, a crítica já estabeleceu parâmetros razoavelmente estáveis de análise e interpretação do autor. Agora, na poesia e na prosa poética, como opera a figura do autor nos séculos XX e XXI? Herberto Helder, poeta cuja originalidade e pujança criativa passam também pela recriação, assina suas traduções de poemas de diversas origens quando escreve “Poemas mudados para o português”, ou quando abertamente expressa a sua recriação da obra Húmus, de Raul Brandão, seguindo a “Regra: liberdades, liberdade.” Cada autor, em sua poética, representa-se enquanto autor-criador-transcriador presente no texto.
Autorretratos, poéticas marcadas por especificidades que destacam o autor em meio ao texto em sua forma ou sua mundividência, textos críticos que dão o tom (limitando ou expandindo) da leitura que se empreende: o autor está sempre lá, uma sombra que paira, um morto que existe, uma vida que pulsa.
A Revista Desassossego celebra o olhar para a figura do autor, o que ele foi, o que ele era e o que ele é, celebrando esses autores atávicos: os 90 anos de nascimento de Herberto Helder e os 90 anos do falecimento de Raul Brandão, suas obras e as produções da literatura portuguesa moderna e contemporânea em que esteja presente o questionamento sobre o autor.
Prazo para entrega: Os artigos, resenhas, entrevistas, textos ficcionais e poéticos para este número serão recebidos impreterivelmente até 27 de julho de 2020.
A página da Revista Desassossego é: http://www.revistas.usp.br/desassossego


