Quarta-feira, 22 de Setembro de 2021
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Chamada da revista Olho d´Água: "Literatura brasileira e literaturas francófonas: travessias"

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Brasil

Chamada para artigos, Literatura

Chamada da revista Olho d’água (ISSN: 2177-3807, Qualis B2 em Literatura), periódico do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Estadual Paulista (UNESP/S. J. Rio Preto/Brasil).

Dossiê "Literatura brasileira e literaturas francófonas: travessias"

Nos anos 1990, em palestra proferida no NUPEBRAF – Núcleo de Pesquisa Brasil-França, do IEA-USP, o Professor Milton Santos declarou que em todo encontro entre intelectuais o mais importante era o lampejo, a faísca, a ideia de uma colaboração. O professor referia-se, naquele momento, a um contato presencial, como os de Jorge Amado com Jean-Paul Sartre, Glauber Rocha com Godard, ou Oscar Niemeyer com Le Corbusier. Cremos, no entanto, que esse lampejo possa igualmente ser produzido por relações intermediadas pela leitura, pela apreciação de um quadro ou pela audição de uma melodia, por exemplo. Uma vez provocada a faísca, a produção cultural e/ou científica dos envolvidos nunca mais será a mesma. Cria-se, assim, espontaneamente uma rede de afinidades que se revela nas obras dos artistas e dos cientistas atingidos por esse lampejo. Nesse sentido, as Cartas chilenas, que inequivocamente dialogam com as Lettres persanes de Montesquieu, revelam o encontro de Tomás Antônio Gonzaga com o autor francês. Gonçalves Dias, por sua vez, avança sua tempestade nos passos dos djinns de Victor Hugo, enquanto Castro Alves transforma a criança loira do poeta francês em filho de escravos. E nossos românticos percebem, nos escritores franceses, num misto de admiração e rejeição, que ali está um bom modelo a ser seguido na busca de uma identidade nacional. Esses são apenas alguns exemplos de lampejos entre a cultura brasileira e a de expressão francesa, pois as relações comerciais e culturais entre o Brasil e a França, simultâneas à entrada dos navios franceses em nossa costa no século XVI – basta  lembrar das Singularités de la France Antarctique, de André Thévet, e da Histoire d'un voyage fait en la terre du Brésil, de Jean de Léry, e das reflexões que ambas as obras suscitaram em Montaigne – estão em constante evolução, criando, nos dois lados do Atlântico, imaginários manifestados em relatos de viagem, em escritos filosóficos, históricos e sociológicos e em obras literárias e artísticas.

O presente dossiê da Olho d’água acolherá particularmente pesquisas que tenham por chão comum o estudo do fluxo e refluxo envolvendo a literatura brasileira e as literaturas de expressão francesa em seus diferentes aspectos. Serão igualmente bem-vindas investigações sobre o papel de outras artes – cinema, música, artes plásticas – na recepção da literatura brasileira nos países francófonos e da literatura de expressão francesa no Brasil.

Prazo para submissão: 15 de junho de 2021

Organizadores:

  • Márcia Valéria Martinez de Aguiar (UNIFESP)
  • Maria Cláudia Rodrigues Alves (UNESP)
  • Valter Cesar Pinheiro (UFS)

Informações: http://www.olhodagua.ibilce.unesp.br/index.php/Olhodagua/announcement/view/25

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