Sexta-feira, 23 de Abril de 2021
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Chamada da revista Olho d´Água: Artistas e escritores na ficção dos séculos XIX e XX

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Brasil

Arte, Chamada para artigos, Literatura

Comunicamos a prorrogação de prazo para submissão de artigos à chamada da revista Olho d’água (ISSN: 2177-3807, Qualis B2 em Literatura), periódico do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Estadual Paulista (UNESP/S. J. Rio Preto/Brasil).

Prazo prorrogado até 05/02/2021

Dossiê: Artistas e escritores na ficção dos séculos XIX e XX

No século XIX, as relações estabelecidas entre literatura e mercado de bens culturais promoveram uma nova forma de organizar, conceber, e representar o cotidiano e o trabalho de escritores e artistas. Sob as condições oriundas da imprensa periódica, da expansão do público, das novas regras do mercado editorial e das artes, os artistas viram-se, por um lado, inseridos numa rede de sociabilidade propícia à divulgação das obras, com a sua circulação em diferentes meios, e à manutenção da atividade artística profissional. Por outro, essas circunstâncias expuseram o artista ao modus operandi do mercado, colocando-o a serviço do gosto massificado e reduzindo a obra de arte, por vezes, à condição de mercadoria.

Entre os séculos XIX e XX, as relações entre arte, literatura e mercado se acirraram, com a profissionalização do artista e a institucionalização da obra de arte. Sob tais circunstâncias, o artista e o escritor viram-se relegados a um espaço social que, por vezes, feria a dignidade das altas aspirações da arte aurática, aristocrática, idealista e que demandava uma fruição desinteressada, atributos que, grosso modo, estiveram no centro da formação do ideário sobre a atividade artística. Esse novo artista estava inserido em um mundo em que a musa era venal e seu papel se conformava ao do funcionário do gosto médio, figurando na literatura sob uma série de imagens que traduziam o seu angustiante ofício.

A ficção desses dois séculos frequentemente contou entre seus “heróis problemáticos” com artistas e escritores que confrontaram suas pretensões estéticas com as condições de insuficiência e precariedade do meio social. Gênios incompreendidos, poetas malditos e mesmo artistas medíocres encarnaram esse complexo que se apresentava numa variedades de tons que iam do trágico ao satírico para compor o retrato da exclusão do artista do modelo de sociedade burguesa. Dentre os principais problemas apresentados pela literatura que representou o artista e os escritores esteve, em um polo, o sentimento de inadequação ao meio, representado pelo mercado das artes, pelas exigências do público burguês, pelo gosto canhestro do “filisteu” e, em outro polo, a reflexão sobre os limites da expressão, que se manifestava no tema da obra de arte irrealizável e da insuficiência da linguagem estética.

Considerando a pertinência das representações literárias da atividade artística e letrada para uma reflexão sobre as condições da literatura e das artes na sociedade moderna, o presente dossiê acolhe trabalhos que busquem discutir elementos atinentes ao tema, tais como o papel do artista na sociedade, o ofício da escrita, as relações das artes com seu público e com a crítica e a instância da literatura autorreflexiva. 

Prazo para submissão: 05/02/2021

Organizadores deste número:

Rafaela Mendes Mano Sanches – UNESP

Jefferson Cano – UNICAMP

Informações:

http://www.olhodagua.ibilce.unesp.br/index.php/Olhodagua/announcement/view/23

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