Domingo, 16 de Dezembro de 2018
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Thresholds in Literature and the Arts

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Arte, Chamada para artigos, Estudos Clássicos, Estudos Comparatistas, Literatura

Durante o último século, o conceito de liminaridade foi merecendo uma atenção cada vez mais acentuada em diversas áreas: da psicologia à antropologia, da filosofia aos estudos literários e culturais. No entanto, o estado que esta palavra define é muito anterior à existência do próprio termo. Basta pensar nos mitos, nos heróis e nos deuses associados à catábase, bem como noutras formas de passagem na cultura da Antiguidade greco-latina, para ter uma ideia do enraizamento histórico deste conceito.

Como define Mircea Eliade em The Sacred and the Profane, o limiar é o lugar paradoxal que liga os mesmos dois espaços que separa: sob regras e rituais precisos, o limiar permite a passagem e quase que a exige. Etimologicamente, o termo deriva da palavra latina limen – limiar –, que partilha a mesma raiz presente na palavra limes – limite, margem, fronteira. Na verdade, se o limen assinala o limite de um edifício ou de um aposento, a sua relação com o acto de “passagem” é claramente antitético ao do limes, cuja função, pelo contrário, é a de assegurar a impermeabilidade dos dois espaços. Se, por um lado, a semelhança quase idêntica da grafia apresenta a ideia comum de algo (uma pedra ou um pedaço de madeira) que é colocado transversalmente para assinalar o fim e/ou o início de um local, por outro lado, a ligeira diferença ortográfica espelha as suas diferenças funcionais e ontológicas.

As comunicações apresentadas na Conferência Internacional Thresholds in Literature and the Arts (Junho de 2018) permitiram explorar os caminhos teóricos e/ou conceptuais que as diferentes áreas do conhecimento e práticas artísticas têm trilhado, caminhos nem sempre convergentes ou paralelos, eles mesmos liminares. No volume que agora se organiza, edição conjunta do Centro de Estudos Comparatistas e do Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, pretende-se contribuir para a clarificação de um conceito nebuloso, amiúde utilizado, não obstante, pelas diferentes áreas do saber.

Interessam-nos artigos que sejam capazes de responder, problematizar e entrelaçar os tópicos identificados abaixo:

  • História e histórias do conceito;
  • Cartografias e declinações: geografias, línguas, traduções, viagens, trânsitos;  
  • Limiares sociais e políticos: mulheres, refugiados, prisioneiros, precários, apátridas, minorias étnicas, comunidades LGBT;
  • Enredos filosóficos, psicológicos e psicanalíticos: ambiguidades, ambivalências, (con)fusões e (de)cisões;
  • A Literatura como espaço liminar: o paratexto, o testemunho, a autobiografia, as memórias;
  • O limiar na Literatura;
  • O limiar nas Artes;  
  • Expressões contemporâneas: o género, a condição (pós)colonial, o (pós)humano.

Os artigos devem ser enviados até dia 15 de Janeiro de 2019 para o endereço electrónico: thresholdslitartsvolume@gmail.com. O processo de arbitragem científica é, pela sua natureza, moroso, como tal, não contamos informar os autores das decisões finais antes de Maio de 2019.

Os artigos não devem exceder os 32.000 caracteres com espaços e bibliografia e podem ser escritos em português, inglês ou francês, sendo que as citações feitas em outras línguas que não estas têm de ser traduzidas para o idioma de trabalho e surgir em nota de rodapé.

No que diz respeito à formatação, a norma adoptada é a definida por The Chicago Manual of Style, 17th ed.: http://www.chicagomanualofstyle.org/home.html. Todos os textos devem ser acompanhados de um breve resumo (máximo de 1500 caracteres com espaços). Caso os textos contenham imagens ou figuras, estas só poderão ser reproduzidas com as devidas autorizações de copyright, que devem ser obtidas pelos próprios autores.

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