XI Colóquio Internacional de Estudos Latinoamericanos de Olomouc (CIELO-11)
Início: ⋅ Fim: ⋅ Data de abertura: ⋅ Data de encerramento: ⋅ Países: República Checa
XI Colóquio Internacional de Estudos Latinoamericanos de Olomouc (CIELO-11)
Simpoiesis de corpos (in)visíveis: figurações de corpos humanos e não humanos na literatura, no cinema, no teatro e nas artes visuais
7-9 de maio de 2026
Departamento de Estudos Românicos, Faculdade de Letras, Universidade Palacký de Olomouc
O prazo para envio de propostas: 15 de fevereiro de 2026
“Com efeito, ninguém até aqui determinou o que o corpo pode. (...) Pois até aqui ninguém conheceu a estrutura do corpo tão acuradamente que pudesse explicar todas as suas funções, para não mencionar o fato de que nos animais são observadas muitas coisas que de longe superam a sagacidade humana.” Essas palavras de Spinoza provavelmente apontaram caminhos possíveis para voltar a centrar a atenção no corpo para além do humano, em novos contextos e relações culturais, convidando ao debate sobre seus novos significados.
Para desenvolver essas reflexões, consideramos oportuno o termo “simpoiesis”, utilizado por atomistas e pré-socráticos para estudar o universo físico em sua complexa interação de relações, assim como empregado na literatura e nas artes. Em nosso contexto, é pertinente a observação de Donna Haraway, para quem “simpoiesis” é, sobretudo, “uma palavra apropriada para sistemas complexos, dinâmicos, receptivos, situados e históricos. É uma palavra que significa «configurar mundo de maneira conjunta», em companhia.”
Nos últimos anos, tem ganhado mais força o discurso crítico tanto das ciências naturais quanto das humanidades, do antropocentrismo presente na crítica ecológica tradicional, dos paradigmas da cultura humana ou da figuração humanista. Têm-se utilizado com frequência termos como “antropoceno” (Crutzen) ou “capitaloceno” (Malm), associados a uma visão profundamente negativa e a outros conceitos como “solastalgia” ou “extrativismo”. O objetivo do colóquio, no entanto, não parte da urgência de alterar radicalmente o saber humanista e sua cultura. Mais do que propor uma reflexão de caráter negativo, busca-se fomentar uma discussão no âmbito conceitual do “simbioceno”, proposto pelo filósofo ambiental Glenn Albrecht, como uma alternativa voltada para um acordo de coexistência simbiótica e de interdependência entre os seres humanos e seu ambiente, assim como sua concretização “simpoiética” na literatura e nas outras artes.
Contribui de forma significativa para nosso debate o fato de que, nas últimas décadas, temos assistido à reabilitação da corporeidade na arte, acompanhada pela abertura à interação e à cocriação entre múltiplos agentes (tecnológicos, biológicos etc.). O corpo manifesta-se como parte inerente da obra de arte. O retorno ao corpo constitui um processo de subjetivação e de complexa apreensão da identidade, ainda mais complexa na era do questionamento da humanidade. Daí surge a proposta de explorar e figurar o corpo humano como “lugar das imagens” (Belting). Nesse contexto, Jean-Luc Nancy entende o corpo como “todo um corpus de imagens que passam de um corpo a outro”. Por sua vez, Meri Torras Francés refere-se ao corpo humano “como o fantasma que percorre o pensamento ocidental, na própria fronteira de sua in/visibilidade, como um jogo dinâmico de presenças ausentes e ausências presentes, constituído pelos códigos que nos permitem reconhecer-nos como outro e com o outro”. Neste ponto, propomos ir mais além e refletir sobre o corpo humano em interação não apenas com outros corpos humanos, mas também com outras entidades (animais, plantas). Brian Massumi, por exemplo, com base em pesquisas recentes que ressaltam a criatividade e a “artisticidade” na natureza, propõe repensar a própria natureza do instinto e, consequentemente, a própria animalidade, restituindo o humano ao continuum animal. A filósofa Vinciane Despret, por sua vez, inspira-se em Spinoza para refletir sobre investigações que abordam a aproximação corporal aos animais, a “interfisiologia” (ciência de agenciamento de corpos), sobre “a possibilidade de se tornar não exatamente o outro na metamorfose, mas com o outro, não para sentir o que o outro pensa ou sente (…), mas para de algum modo receber e criar a possibilidade de se inscrever em uma relação de troca e de proximidade que nada tem a ver com uma relação de identificação.”
Eixos temáticos para refletir sobre as figurações do corpo:
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Deformação e metamorfose de corpos (humanos, animais, vegetais)
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Corpo e mito
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Corpo e performatividade
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Corpos e experiências-limite
Para mais informação, ver aqui.


