Terça-feira, 25 de Fevereiro de 2020
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Simpósio Internacional Cacheu, caminho de escravos

Início: Fim: Países: Guiné-Bissau

Chamada para trabalhos, Estudos Africanos, História

Simpósio Internacional Cacheu, caminho de escravos
Histórias e Memórias da escravatura e do tráfico na África Ocidental
19-22 fevereiro 2020 | Cacheu, Guiné-Bissau

Histórias e Memórias da escravatura e do tráfico na África Ocidental Cacheu, povoação que adotou o nome do rio que desaguava nas suas margens, foi, desde o século XVI, o grande entreposto de escravos da Senegâmbia.

Inicialmente Cacheu era apenas um dos vários portos onde fundeavam os navios vindos da ilha de Santiago de Cabo Verde para resgatarem os escravos que posteriormente transportavam para a América Central.

De povoado incipiente, foi-se reorganizando, quer em tensão, quer em complementaridade com as sociedades envolventes, até se transformar numa povoação cercada por uma frágil paliçada, com uma igreja em honra de Nossa Senhora do Vencimento, nome que passaria a identificá-la quando, em 1605, foi elevada à categoria de vila. No entanto, até ao início do imperialismo colonial oitocentista, Cacheu constituiu um espaço afro-português (...).

Substituindo o entreposto de Santiago, nele se cruzaram oficiais da Coroa portuguesa, negociantes cabo-verdianos, comerciantes franceses e ingleses, procuradores de mercadores de grandes famílias de negociantes europeus, bem como africanos que traziam pessoas escravizadas do hinterland guineense. Os lançados, os seus descendentes euro-africanos e agentes locais foram mediadores fundamentais neste negócio. Todos tinham um mesmo propósito: enriquecer com a participação no tráfico de escravos, bem como de outras mercadorias que dinamizavam as trocas a partir dos eixos comerciais da região.

Neste Simpósio multidisciplinar procurar-se-á, por um lado, fazer um balanço do envolvimento de Cacheu na escravatura e no tráfico na costa da África Ocidental e no Mundo Atlântico; pensá-lo no contexto das várias dimensões da história de Cacheu; estudar os impactos do tráfico atlântico nas sociedades locais.

Por outro lado, este Encontro pretende avançar na proposta da Memorialização da escravatura de Cacheu. Partindo da tentativa de utilização de fontes da história oral e da cultura material, pretende-se, igualmente, dar passos decisivos para incluir Cacheu na rede dos memoriais da África Ocidental.

As comunicações devem enquadrar-se nestas duas grandes áreas e, entre outras pertinentes, nas sub-temáticas abaixo enunciadas que se consideraram como vias possíveis para a compreensão de Cacheu, Caminho de Escravos.

Tema 1- Escravatura e Tráfico na costa de África Ocidental: Cacheu na perspetiva histórica
1. Cacheu: dinâmicas locais de um espaço afro-português
2. Cacheu, porto de escravatura: redes regionais e rotas oceânicas
3. O tráfico de escravizados na África Atlântica, da Senegâmbia ao golfo da Guiné
4. Relações de dependência, escravização e sociedades locais
5. A circulação de saberes: entre Cacheu e as diásporas africanas
6. Tráfico, escravatura e abolicionismos: transições ambíguas
7. Trajetórias individuais na construção da História de Cacheu

Tema 2 – Memorialização da escravatura e do tráfico de escravizados:
1. História oral e experiências do tráfico e da escravização
2. Cultura material e memorialização
3. Processos de memorialização e territorialidade
4. O Memorial de Cacheu e a rede dos memoriais da África Ocidental — casos de estudo

Contactos: cacheucaminhoescravos@gmail.com

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