Sábado, 26 de Setembro de 2020
Congressos

Simpósio de Estudos Oitocentistas e XXI Seminário de Estudos Literários

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Brasil

Chamada para trabalhos, Literatura

Nos dias 19 e 20 de outubro de 2020 acontecerá o Simpósio de Estudos Oitocentistas: "Figurações do romance e da narrativa breve e lendária no século XIX" e XXI Seminário de Estudos Literários, eventos promovidos pelo Programa de Pós-Graduação em Letras do Ibilce/Unesp - São José do Rio Preto/SP. Devido às circunstâncias de distanciamento social, o evento será realizado de forma virtual.

  • Pós-graduandos, mestres, doutores ou professores: inscrições para apresentação de comunicação oral até 18 de setembro.
  • Graduandos: inscrições para apresentação de painel até 18 de setembro.
  • Ouvintes: inscrições até 02 de outubro.

Podem ser submetidos trabalhos das áreas de literatura brasileira e outras literaturas vernáculas, literaturas estrangeiras modernas, literatura clássica, teoria e crítica literária, literatura comparada, literatura e outras artes, literatura e ensino, literatura e tradução, literatura e estudos culturais. Os trabalhos podem estar relacionados ou não à temática do evento.

Inscrições e informações no site: https://www.ibilce.unesp.br/#!/pos-graduacao/programas-de-pos-graduacao/letras/congresso-2020/

Dúvidas: congressosel2020@gmail.com

Figurações do romance e da narrativa breve e lendária no século XIX

No decurso do século XIX, os gêneros em prosa foram cultivados como espaço privilegiado para o experimentalismo estético, o que conferiu uma posição cimeira às narrativas ficcionais no plano da invenção de novos paradigmas literários, estabelecidos, dentre outros fatores, sob a égide da flexibilização e hibridação de gêneros. As inovações no âmbito do discurso prosístico dinamizaram as fronteiras entre os gêneros literários, redimensionaram os limites do decoro em relação à matéria literária e resultaram no incremento de formas narrativas caras à vida literária dos oitocentos: tanto os gêneros breves (a crônica, o conto e a narrativa lendária) quanto o romance se tornaram, no século XIX, objeto de intenso debate e plataforma de experimentalismo estético.

Com efeito, já nos programas estéticos e avaliações críticas de autoria de letrados e ficcionistas do século XIX, constata-se que a trajetória de constituição e as transformações do romance suscitavam discussões em torno da investigação de sua forma estética e de sua conexão com as demandas do presente. Multiforme, o romance mistura estilos e ingredientes da tradição clássica, conjugando a dicção lírica à prosaica, articulando o cômico ao trágico, o grotesco ao sublime, o popular ao erudito e, ao fim, a história ao processo inventivo, em confronto com questões que rondam a sociedade. A dinâmica da forma romance enfeixa um vasto espectro, dialogando com os mais diversos âmbitos: o gênero dedicou-se aos ideais da identidade nacional, projetados em narrativas de fundação e tomou o apelo ao popular e ao regional como forma de plasmar as especificidades de culturas locais; registrou a experiência urbana em relatos do cotidiano, e chegou ao âmbito mais profundo da sondagem subjetiva. Tais propósitos e relações com a sociedade exigiram um desenvolvimento estético que conferisse autenticidade à matéria tratada; assim, a forma flexível do romance incorporou influxos oriundos de distintos gêneros e experiências culturais: não é raro encontrar, por exemplo, nos romances históricos a dicção solene da poesia épica, e nos regionalistas a tentativa de reproduzir a ingenuidade dos relatos orais. Frequentemente, a matéria trágica misturava-se à comicidade trivial e a crônica mundana aos romances urbanos; com grande regularidade também se notava a eclosão do mais autêntico lirismo nos romances de acentuada densidade psicológica. Dessa maneira, a busca por uma íntima e franca sintonia do romance com a história e com a vida social pareciam oferecer combustível às experiências com a forma, o tom e a matéria.  

Enquanto o romance se erigiu como forma, por excelência, ligada ao cotidiano e à mimesis realista, a narrativa curta, cujos gêneros também sofreram franco desenvolvimento no século XIX, permitiu a integração de orientações realistas a elementos maravilhosos e fantásticos, dando largo espaço para expressão da imaginação artística. Em particular, as narrativas lendárias incorporaram conscientemente uma série de motivos radicados no imaginário coletivo, de modo a tornar a ficção uma plataforma privilegiada para se investigar a cultura popular, esta que, por seu turno, figura como um fenômeno de grande interesse para o pensamento oitocentista. Daí a ampla circulação, no ambiente oitocentista, de lendas, muitas delas baseadas em eventos históricos que ao sabor da transmissão se integraram intimamente à imaginativa popular. Possivelmente, ao descortinarem o lastro histórico das curiosas narrativas difundidas pela voz popular, as lendas foram valorizadas pelos pensadores do XIX como depositárias das tradições do povo e manifestação de práticas e costumes que traduzissem a identidade nacional.

A despeito de terem oferecido espaço oportuno às solicitações do imaginário, as narrativas breves não se eximiram do compromisso com a realidade circundante, tendo se aproximado também da experiência comum. Nas formas da crônica e do conto, essas narrativas emolduram aspectos da vida cotidiana. O conto, por sua vez, oferece-se como gênero particularmente flexível em relação ao modo de enfocar a experiência humana, comportando desde o registro anedótico do fato curioso, até a exposição da psicologia profunda que envolve as motivações e gestos corriqueiros. 

Considerando, pois, a relevância conferida pelo ambiente letrado do século XIX à ficcão em prosa, espaço que se coloca como peça fundamental nos debates acerca das relações entre criação literária e investigação da história e sociedade, o simpósio proposto visa promover discussão dos diversos desdobramentos do romance e da narrativa breve.

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