Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020
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Mutações - Fontes Passionais da Violência

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Literatura, Filosofia, Eventos, História

Em meados dos anos 80, o filósofo, jornalista e professor Adauto Novaes organizou ciclos de debates que marcaram época por sua criatividade e seu ineditismo. Assuntos como a paixão ou o olhar, por exemplo, ganharam um espaço inédito, antes reservado apenas a temas mais austeros. O sucesso foi imenso e os livros que vieram a seguir, coletâneas de textos escritos por intelectuais de primeiríssima linha que participavam dos debates, receberam excelentes críticas e se tornaram best sellers. No Rio de Janeiro, ensaios de pensadores do porte de Marilena Chauí, José Miguel Wisnik, Olgária Mattos e Maria Rita Kehl, entre muitos outros, eram lidos e debatidos na praia e nos bares.
 
Ao longo das três últimas décadas, os debates nunca deixaram de acontecer. Este ano, o ciclo "Fontes Passionais da Violência", parte da série Mutações, será apresentado em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília. "Partimos de um dado concreto, o centenário da Primeira Guerra Mundial, para chegar ao tema deste ano. Naquele momento, se instaura o que está acontecendo hoje: a ciência e a técnica são colocadas a serviço da violência. De 1914 para cá, houve uma evolução muito grande. Tivemos a Segunda Guerra, com a bomba atômica, a Guerra Fria... Os números são terríveis: só no século passado, 200 milhões de pessoas morreram em guerras. Este século não está sendo diferente", observa Novaes.
 
O professor acrescenta: "nosso ciclo trata de um outro aspecto da violência, as fontes passionais. Toda violência costuma ser analisada a partir de um ponto de vista sociológico, econômico e político. No entanto, um dado lado fundamental é sempre esquecido: as paixões. Que paixões são essas que levam o homem a ser tão violento? O ódio, a vingança, o ressentimento, a própria obediência. O homem é paixão, não tem jeito. É claro que as condições materiais levam à violência, mas a paixão precisa ser incluída no debate. É isso que vamos discutir ao longo deste ciclo de conferências".
 
Os debates vão, como sempre, reunir pensadores de ponta, mas também contarão com a contribuição de intelectuais mais jovens. "O grupo que trabalha comigo desde o início é formado por grandes pensadores. Vou acrescentando novas pessoas a cada ano", conta Novaes. "O trabalho é longo e cuidadoso. Escolho um tema e peço a cada conferencista para escrever um texto a respeito. Em maio, todos os conferencistas se reúnem por três dias na cidade mineira de Tiradentes, para discutir o tema. Eles fazem suas exposições e recebem a crítica dos colegas. Isso confere uma grande consistência ao ciclo e fortalece a interação entre os conferencistas."
 
O ciclo de conferências "Fontes Passionais da Violência" conta com a presença de sete debatedores estrangeiros. Os debates começam no dia 14 de agosto, em São Paulo (Sesc Vila Mariana). No dia 18, chegam à Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, onde também serão transmitidos ao vivo, pela Internet. Os encontros em Brasília vão do dia 29 de agosto a 30 de setembro. Os participantes do ciclo de debates recebem um certificado de Curso de Extensão Universitária reconhecido pelo Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
 
A programação completa do evento você vê no site Mutações - Fontes Passionais da Violência.
 
Jefferson Lessa, Assessoria de Comunicação - Ministério da Cultura
Foto: Adauto Novaes, organizador do ciclo de debates Mutações, por Thaís Mallon

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