Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
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O Mar nos Séculos XX-XXI e as “Migrações Proibidas”

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Portugal

Chamada para trabalhos, História, Migrações

O Mar nos Séculos XX-XXI e as “Migrações Proibidas”
Lisboa, 28-29 Novembro 2019

 

O Instituto de História Contemporânea organiza a segunda edição da conferência “O Mar nos Séculos XX-XXI”, dedicada ao tema das mobilidades humanas irregulares no espaço marítimo e no seu entorno portuário.

O mar é um espaço ambivalente: de conexões e de circulação de pessoas, coisas e ideias e, simultaneamente, de controlo e fronteira. Esta complexidade oferece a possibilidade de torná-lo uma realidade a ser estudada a partir de diferentes perspetivas, nomeadamente no que respeita ao domínio das migrações.

A travessia, quando não é fatal, representa para o indivíduo e para o coletivo em que se insere uma experiência inesquecível e marcante. A viagem, frequentemente atribulada, repleta de riscos e de incertezas, resulta em marcas físicas e psicológicas configuradoras do percurso do migrante e das suas memórias.

Além da perspetiva individual, os estudos sobre as redes migratórias têm destacado o papel central dos intermediários ou facilitadores da migração na manutenção de movimentos irregulares, realizados a contragosto do enquadramento legal dos estados. De entre os agentes mediadores, com um perfil socioprofissional diversificado, que participam no processo migratório informal conectando os pontos de saída, de trânsito e de chegada, importa-nos destacar nesta conferência um conjunto de intermediários ligados ao setor marítimo: desde tripulantes a armadores, a agentes policiais e funcionários do estado ou a associações, organizações internacionais, ONG ou a “sociedade civil” no geral.

Enquanto espaço geopolítico, o mar permite ainda criar e confrontar diferentes interesses individuais e coletivos, públicos e privados. Os riscos incontornáveis da viagem marítima clandestina exigem, por isso, uma concertação dos vários atores no sentido de determinar o enquadramento das travessias. Chegar a um acordo, porém, pode tornar-se difícil, uma vez que às prioridades humanitárias e de salvamento dos indivíduos em perigo de vida contrapõem-se as exigências da defesa da segurança nacional, tendo as fronteiras marítimas como espaço privilegiado de desenvolvimento deste controlo.

Finalmente, os espaços de operacionalização dos primeiros socorros e de acolhimento dos migrantes representam outro aspeto importante no enquadramento desta mobilidade. A diversidade de atores agindo em várias escalas marcam esta etapa, onde se desenvolvem e se constroem ações de intervenção de carácter humanitário e/ou policial/judicial, assim como infraestruturas de acolhimento a elas associadas. As casas de e/imigrantes, os serviços hospitalares, os centros de detenção ou campos de refugiados e as prisões, são alguns dos lugares criados a partir de diretivas nacionais e internacionais, com as suas próprias dinâmicas de enquadramento, onde é possível encontrar uma gestão diferenciada de acordo com o tipo de migrante.

No sentido de compreender como se conecta esta multiplicidade de atores presentes em diferentes períodos históricos e espaços geográficos, colocamos as seguintes questões:

De que forma se organizam as travessias de migrantes por mar? Como é vivida e concebida esta experiência pelos diferentes migrantes? Quem são os facilitadores da migração e como garantem o sustento das redes que assegurem as travessias? Que lógicas e práticas são seguidas no enquadramento oficial das travessias? Em que medida o reforço do controlo das fronteiras marítimas se adequa à realidade migratória? Que representações do Mar estão presentes nos vários atores que, afinal, dele assomam?

A relação do Mar com as Migrações representa um campo de estudo fértil pelos múltiplos cruzamentos temáticos e abordagens possíveis. Neste sentido, aceitam-se propostas, individuais ou de painéis coletivos, de diferentes disciplinas das Humanidades e das Ciências Sociais sobre os seguintes eixos temáticos ou conexos:

Indústria da migração e facilitadores da migração irregular associados ao espaço marítimo;

  • Redes migratórias ilegais/clandestinas;
  • Migrações de mulheres e crianças;
  • Travessias e narrativas de migrantes;
  • Trauma e migrações;
  • Políticas públicas nacionais de gestão dos migrantes;
  • Governança internacional;
  • Organizações não governamentais e humanitárias;
  • Segurança e policiamento/cultura policial;
  • Deportações e expulsões;
  • Memória e Representação do mar e das migrações.

As propostas devem incluir o título da comunicação, um resumo (até 300 palavras) e uma nota biográfica (que inclua filiação institucional, grau académico e as cinco publicações mais recentes e/ou mais relevantes). Deverão ser enviadas para o seguinte email: seaxxcentury@gmail.com

 

Chamada para trabalhos (PDF)

 

Calendário:

  • Admissão de propostas: até 15 de junho de 2019
  • Notificação de aceitação: até 30 de junho de 2019
  • Envio do programa provisório: 5 de julho de 2019
  • Envio de artigos: até 30 de outubro de 2019
  • Encerramento do programa: 15 de julho de 2019
  • Conferência: 28 e 29 de novembro de 2019

 

Inscrição:

  • Estudantes (obrigatoriamente até 31 de agosto de 2019) – 40 €
  • Outros participantes (obrigatoriamente até 31 de agosto de 2019) – 60 €

 

Línguas:

Português; Inglês

 

Organização:

Marta Silva (IHC – NOVA FCSH)

Yvette Santos (IHC – NOVA FCSH)

 

Publicação:

A Organização reserva-se a possibilidade de vir a realizar uma publicação, em moldes a definir.

 

Comité Científico:

Alice Cunha (NOVA FCSH)
Catherine Wihtol de Wenden (École de Science Po de Paris)
Francesca Esposito (ISPA – Instituto Universitário)
Gabriele de Angelis (IFILNOVA)
Gabriella Sanchez (European University Institute)
Irial Glynn (Leiden University)
João Peixoto (ISEG – Universidade de Lisboa)
Kevin Brown
Marta Silva (IHC – NOVA FCSH)
Paulo César Gonçalves (UNESP)
Riadh Ben Khalifa (Université de Tunis)
Sandro Mezzadra (Università di Bologna)
Yvette Santos (IHC – NOVA FCSH)

 

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