Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2026
Congressos

Evolução das representações artísticas das identidades marginalizadas nas Américas (séculos XIX–XXI)

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: França

Evolução das representações artísticas das identidades marginalizadas nas Américas (séculos XIX–XXI)

25-27 nov. 2026, Lille, França

Rupturas e/ou continuidades?

Resumo

O objetivo é realizar um estado da arte das pesquisas sobre as evoluções das representações e dos imaginários de identidade e de alteridade sobre/nas Américas, bem como das relações de poder que eles trazem consigo, por meio das práticas e produções artísticas e culturais, e lançar as bases para a criação de uma rede internacional de pesquisa na área. A reflexão sobre os conteúdos será indissociável de uma reflexão sobre as formas e as convenções narrativas e estéticas enquanto “instrumentos cognitivos” que veiculam uma adesão ou uma crítica ao paradigma colonial do conhecimento e do poder ocidental.

Chamada

Argumentação

O final do século XX foi marcado por transformações profundas no sistema-mundo. Nesse contexto de questionamento do discurso universalista ocidental, novas teorias e noções – como a pós-modernidade, as modernidades alternativas ou múltiplas, a pós-colonialidade e a decolonialidade – emergiram com o objetivo de repensar as realidades de um mundo multipolar e globalizado.

O objetivo deste colóquio é realizar um estado da arte das pesquisas sobre as evoluções das representações e dos imaginários de identidade e de alteridade sobre/nas Américas, bem como das relações de poder que eles trazem consigo, por meio das práticas e produções artísticas e culturais, e lançar as bases para a criação de uma rede internacional de pesquisa na área. A reflexão sobre os conteúdos será indissociável de uma reflexão sobre as formas e as convenções narrativas e estéticas enquanto “instrumentos cognitivos” que veiculam uma adesão ou uma crítica ao paradigma colonial do conhecimento e do poder ocidental (Guardiola). Paralelamente, a partir de uma perspectiva interseccional, será dada atenção a práticas artísticas que problematizam as relações entre colonialidade e gênero, raça, classe e sexualidade, entre outros aspectos, seja refletindo sobre os abalos provocados pela imposição de um sistema de gêneros eurocentrado nas sociedades ameríndias, seja atribuindo centralidade às experiências de mulheres racializadas ou de pessoas LGBTQIA+ racializadas.

A tomada de consciência do caráter universalista das narrativas hegemônicas ocidentais, bem como das exclusões e hierarquizações sobre as quais elas foram construídas, produziu um desejo de alteridade nas sociedades ocidentalizadas, que passaram a buscar espaços para “ouvir” vozes anteriormente silenciadas em seus próprios discursos, avançando em direção a uma narrativa pluriversal em lugar de uma narrativa universal.

Se, por um lado, essa abertura ao Outro permitiu a incorporação de narrativas e expressões marginalizadas, por outro, ela também criou uma dinâmica que corre o risco de reproduzir as relações de poder entre centro e periferia e de contribuir para a valorização do discurso subalterno como um “ativo-periferia” (Barriendos). Nessa dinâmica, as expressões artísticas são valorizadas sobretudo enquanto arte da periferia, ressaltando assim sua posição subalterna em relação aos centros de poder artístico.

Tensionados entre essas aspirações e interesses frequentemente contraditórios, as práticas, os discursos e os objetos culturais engendrados pelos atores locais adotam todo tipo de “estratégias para entrar e sair da modernidade”, dando origem a expressões híbridas que se preocupam menos “com a preservação da pureza do que com a produtividade das misturas” (García Canclini).

Convidamos pesquisadoras e pesquisadores a submeterem propostas que explorem as seguintes linhas de reflexão, sem que se limitem a elas:

  • Evolução das representações do Outro nas Américas: como as representações do Outro evoluíram? Que constantes podem ser identificadas nos imaginários das identidades marginalizadas e como elas variam conforme a posição da/o artista que produz o discurso? Como o tratamento da alteridade evoluiu no século XXI nas instituições artísticas ou nas indústrias culturais?
  • Decolonialidade dos discursos e das formas narrativas/estéticas: em que medida narrativas que se pretendem decoloniais utilizam padrões narrativos que remetem à colonialidade? É possível decolonizar os discursos sem decolonizar as formas narrativas e estéticas herdadas da colonialidade?
  • Gênero e artes decoloniais/autóctones: qual é o lugar do gênero nas reflexões sobre as artes decoloniais e autóctones? Como as práticas artísticas decoloniais e autóctones problematizam as relações entre colonialidade e gênero?
  • Integração de práticas sensíveis comunitárias: é possível integrar práticas sensíveis autóctones em museus, salas de espetáculo, cinema ou galerias de arte sem descontextualizá-las?
  • Trabalho da imaginação e contra-hegemonia: qual é o papel do “trabalho da imaginação” na construção de novas lógicas culturais alternativas ou contra-hegemônicas?
  • Reabilitação de modos de representação marginalizados: como reabilitar os modos de representação, as formas artísticas e as sensibilidades que foram deslocadas ou marginalizadas pela colonialidade do saber e do ser?

Modalidades de submissão

As propostas de comunicação (máximo de 500 palavras), acompanhadas de uma breve biografia, devem ser enviadas até o 1º de março de 2026 para:
rais-ameriques@sciencesconf.org
ou pela plataforma: https://rais-ameriques.sciencesconf.org/

As línguas do colóquio são: francês, espanhol, inglês e português.

Comitê organizador

Juan Carlos Baeza (Université Sorbonne Paris Nord / Pléiade),
Marcelle Bruce, Roberta Previtera, Vinicius Carneiro,
Mikael Toulza, Diego Alonso Arévalo (Université de Lille / CECILLE)

Categorias

  • Américas (categoria principal)
  • Sociedades > Sociologia > Estudos de gênero
  • Sociedades > Etnologia, antropologia > Antropologia cultural
  • Espírito e Linguagem > Linguagem > Literaturas
  • Períodos > Época contemporânea
  • Espírito e Linguagem > Informação > História e sociologia dos meios de comunicação
  • Espírito e Linguagem > Representações

Local

  • Campus Pont de Bois
  • Lille, França

Formato do evento

Evento exclusivamente presencial

Palavras-chave

representações, artes, identidades, subalternidade, estudos visuais, minorias

Informação relacionada

Enviar Informação

Mapa de visitas