Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
Congressos

Encontros Translocal com o Mediterrâneo

Início: Fim: Países: Portugal

Arte, Ciências Humanas, Cultura, Eventos

A terceira miséria é esta, a de hoje.
A de quem já não ouve nem pergunta.
A de quem não recorda”

Hélia Correia (2012), A terceira miséria

 

Entre os dias 22 e 24 de novembro de 2018, o projeto TRANSLOCAL. Culturas Contemporâneas Locais e Urbanas (integrado no Centro de Investigação em Estudos Regionais e Locais da Universidade da Madeira e desenvolvido em parceria com a Câmara Municipal do Funchal) promove, na Madeira (Funchal e Ponta do Sol), a 1.ª edição dos ENCONTROS TRANSLOCAL COM…, desta vez dedicados ao Mediterrâneo.

Tomando como mote as palavras de Hélia Correia citadas em epígrafe e não esquecendo nem os étimos latinos que se inscrevem na história do topónimo Mediterrâneo - Mare Nostrum [o nosso mar] e Mediterraneum mare [o mar que está entre terras] -, nem a complexidade cultural e política que, ao longo de séculos e ainda hoje, teceu/tece a malha dessa geografia ecossociocultural, os ENCONTROS TRANSLOCAL COM O MEDITERRÂNEO procurarão refletir sobre o que é, hoje, o Mediterrâneo.

Integrando duas conversas com artistas convidados, a projeção de um documentário, uma exposição de fotografia com instalação sonora e um concerto de bolso, os ENCONTROS TRANSLOCAL COM O MEDITERRÂNEO contam com a participação de dois projetos internacionais que, associando pesquisa e criação artística, tomaram o Mediterrâneo como foco de reflexão: o projeto ARCHiPELAGOS - Passagens de Amélia Muge e Michales Loukovikas (2017), que será apresentado na Ponta do Sol (Auditório do Centro Cultural John dos Passos, no dia 24.11.2018); e o projeto O MEDITERRÂNEO SOMOS NÓS de Filipe Reis, Filipe Ferraz e Emiliano Dantas (2018), apresentado no dia 22.11.2018, na Sala de Sessões da Escola Secundária Francisco Franco e na Galeria de Arte de Francisco Franco.

Com a promoção desta primeira edição dos ENCONTROS TRANSLOCAL COM O MEDITERRÂNEO procura-se contribuir para esse exercício de resistência à ‘terceira miséria’ anunciada por Hélia Correia, desafiando as comunidades locais e os visitantes insulares a escutar, a relembrar e a interrogarem-se sobre a densidade transcultural e a instabilidade translocal que caracterizam essa região e as respetivas culturas, afinal tão próximas da Madeira, quer do ponto de vista geográfico, quer do ponto de vista histórico, político e antropológico.

Um e outro projetos reenviam-nos, na verdade, para as ambivalências que os nomes latinos dados a esse mar nos colocam. Por um lado, no título O MEDITERRÂNEO SOMOS NÓS ecoa a designação Mare Nostrum, pela tónica colocada na ideia de ser o Mediterrâneo um espaço plural de identificação comunitária, embora sem ignorar quanto o possessivo nostrum/nosso, justamente por delimitar as fronteiras e destacar a soberania/posse sobre esse espaço, também significou/significa hierarquização marginalizadora ou até violência hegemónica. Por outro lado, com o título ARCHiPELAGOS - passagens, Amélia Muge e Michales Loukovikas recuperam o valor etimológico de arquipélago (αρχι - arkhi: ‘grande, primordial + πέλαγος - pelagos: ‘mar’), primeiramente utilizado para referir apenas um dos mares do Mediterrâneo (o Mar Egeu) e só mais tarde assumindo o sentido que hoje ainda mantém: o de conjunto de ilhas. ARCHiPELAGOS - passagens recupera, assim, até certo ponto, o sentido de medi + terraneus, salientando o caráter fragmentário e instável desse mar de mares, de ilhas, de orlas costeiras que abrem e fecham para três continentes distintos - África, Ásia e Europa. Um mar que, justamente por esse seu caráter líquido e de passagem, ora flui e reflui para além das suas fronteiras físicas, ora é experienciado e entendido como plataforma movediça de complexos trânsitos, encontros e confrontos.

Estas e outras questões (entre as quais a do papel da criação artística na resistência ao esquecimento, à inércia reflexiva e à perceção superficial e acrítica do mundo) serão debatidas nas quatro iniciativas que integram o programa da presente edição dos ENCONTROS TRANSLOCAL COM O MEDITERRÂNEO:

22.11.2018

13:30 | Escola Secundária de Francisco Franco (Plano Nacional de Cinema), Funchal

  • Projeção do documentário O MEDITERRÂNEO SOMOS NÓS e conversa com os autores do projeto (FILIPE REIS, FILIPE FERRAZ e EMILIANO DANTAS), promovida pelo Plano Nacional de Cinema em implementação na escola.

18:00 | Galeria de Arte Francisco Franco, Funchal

  • Inauguração da exposição O MEDITERRÂNEO SOMOS NÓS (instalação sonora “VOZES, SONS E MÚSICA DA ORLA DO MEDITERRÂNEO” de Filipe Reis; “FOTOGRAFIAS, CORPOS E OBJECTOS” de Emiliano Dantas; e filme “O MEDITERRÂNEO SOMOS NÓS” de Filipe Ferraz, Filipe Reis e Emiliano Dantas).

(a exposição poderá ser visitada até ao dia 15.12.2018)

 

24.11.2018

21:00 | Centro Cultural John dos Passos, Ponta do Sol

  • CONVERSA TRANSLOCAL | MEDITERRÂNEO - TRANSLOCALIDADES CULTURAIS E INTERARTES com Amélia Muge, Ana Salgueiro, Filipe Reis e Michales Loukovikas
  • CONCERTO DE BOLSO TRANSLOCAL com Amélia Muge e Michales Loukovikas (projeto ARCHiPELAGOS-PASSAGENS) e com Mariana Camacho e Filipe Ferraz.

 

Esta 1.ª edição dos ENCONTROS TRANSLOCAL COM O MEDITERRÂNEO resulta de um trabalho de cooperação e apoio entre várias instituições locais, regionais e nacionais: Associação Musical e Cultural Xarabanda; Câmara Municipal do Funchal; Centro de Investigação em Estudos Regionais e Locais da Universidade da Madeira; Centro em Rede de Investigação em Antropologia (neste caso também apoiado pelo INATEL e pelo CIOFF); Estalagem da Ponta do Sol; Galeria de Arte Francisco Franco; Plano Nacional de Cinema (equipa da Escola Secundária de Francisco Franco); Secretaria Regional de Educação (através da Direção de Serviços de Educação Artística e Multimédia); Secretaria Regional de Turismo e Cultura (através do Centro Cultural John dos Passos).

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