Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
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Colóquio Internacional «Missionação e Poder Colonial em Angola e Moçambique no Século XX»

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Portugal

Chamada para trabalhos, Ciências Humanas, Estudos Africanos, História

Colóquio Internacional

Missionação e Poder Colonial em Angola e Moçambique no Século XX

6-7 de Dezembro de 2018

Local: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

Call for Papers

 

Ao longo do século XX, durante o período colonial em Angola e Moçambique, os projetos e as ações missionárias mereceram uma especial atenção quer do Estado português, quer das diversas igrejas e marcaram as sociedades daqueles territórios.

A sucessão de diferentes regimes políticos em Portugal - a monarquia constitucional oficialmente católica, a República laica, o Estado Novo formalmente separado da Igreja Católica, mas baseando-se numa colaboração próxima com o catolicismo - não implicou ruturas na relação do Estado português com as práticas missionárias. As experiências das missões laicas na I República foram de alcance limitado. A atribuição pelo Estado Novo ao catolicismo de um papel de «portugalização» das populações de origem africana, pelo acordo missionário de 1940 completado pelo Estatuto Missionário de 1941, reforçou a capacidade de intervenção da Igreja Católica. No entanto, não inovava ao ver na missionação católica um meio de «portugalizar» e «civilizar» territórios sob a sua soberania em África.

A política colonial transformou-se numa «mística» permitida e potenciada por uma associação estreita entre nacionalismo português e o sonho imperial que legitimava o slogan «Portugal não é um país pequeno». O nacionalismo promovido pelo Estado Novo articulava-se com o projeto missionário católico. A partir de 1961, o Estado Novo implementou reformas e ensaiou novas políticas esperando afastar do horizonte a possibilidade de uma descolonização, num período designado por alguns de «colonialismo tardio». No novo contexto, verificou-se no poder colonial uma tendência para matizar a sua «política religiosa» associando à mística do império confissões religiosas não católicas, embora nem sempre essa inflexão estratégica fosse percetível pela opinião pública.

Do ponto de vista dos missionários em Angola e Moçambique, o período colonial no século XX foi marcado pela expansão do cristianismo; a concorrência religiosa; mudanças e divergências eclesiais no entendimento do que devia ser a missionação, quer nos seus fins, quer nas suas metodologias; alterações no modo como era entendida a liberdade religiosa e o relacionamento das diferentes confissões religiosas entre si.

A lógica do Estado português de conceber todos os territórios sob a soberania como partes de um todo foi confrontada pelos missionários no terreno com a possibilidade ou a necessidade de pensar a sua ação como integrada em lógicas regionais africanas ou em dinâmicas internacionais das suas confissões religiosas ou ordens e congregações.

O presente colóquio internacional tem como objetivos principais refletir sobre os diferentes projetos e ações missionárias em Angola e Moçambique durante o século XX; o modo como o Estado português, ao longo dos diferentes regimes políticos, teve em consideração o fator religioso na sua estratégia colonial; a articulação e tensões entre o poder colonial e as missões cristãs nos campos educativo e social; as interações entre missionação, nacionalismo português e os nacionalismos angolano e moçambicano anticoloniais; a concorrência e convergências entre diferentes confissões religiosas; as questões colocadas pela relação entre a hierarquia católica e as diversas dinâmicas de missionação católica.

Espera-se que o colóquio internacional contribua para promover o debate e discutir as metodologias de análise da missionação em Angola e Moçambique durante o período colonial, incentivando uma revisão da literatura e apresentação de trabalhos baseados na pesquisa em arquivos missionários.

Esperamos propostas para apresentações de 20 minutos. Resumos (300 palavras) e notas biográficas (250 palavras) deviam ser enviadas para missionepodercolonial@gmail.com

Data limite para a submissão de resumos: 30 de setembro de 2018.

Notificação da aceitação: 15 de outubro de 2018

Comissão organizadora

Aurora Almada e Santos (IHC – NOVA FCSH)
Cláudia Ninhos (CHAM e IHC – NOVA FCSH)
João Miguel Almeida (IHC – NOVA FCSH)
Maria Inácia Rezola (IHC – NOVA FCSH)
Paulo Fontes (CEHR-UCP)
Pedro Aires Oliveira (IHC – NOVA FCSH)

Comissão científica

António Matos Ferreira (CEHR-UCP; FL-UL)
Bruno Cardoso Reis – (CEI-IUL; ISCTE-IUL)
Clara Carvalho – (CEI-IUL; ISCTE-IUL)
Edalina Sanches (ICS-UL)
Eugénia Rodrigues – (CH-UL)
Hugo Dores (CES-UC; CEHR-UCP)

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