Sábado, 20 de Abril de 2019
Congressos

ABRALIN em Cena, Piauí: “Linguística de Texto: Interfaces e Perspectivas”

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Brasil

Chamada para trabalhos, Formação, Língua, Linguística

ABRALIN em Cena, Piauí: “Linguística de Texto: Interfaces e Perspectivas”
Teresina, Piauí - 22 a 25 de maio de 2018
 
Mais informações e inscrições: https://www.abralin.org/abralinemcenapiaui/
 
ABRALIN em Cena Piauí é uma iniciativa da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN), realizada em parceria com a Universidade Estadual do Piauí (UESPI).
 
O objetivo central do evento ABRALIN em Cena Piauí é compartilhar o conhecimento produzido sobre os processos de leitura e produção de textos na área da Linguística de Texto. O público-alvo do evento são pesquisadores, alunos e professores da educação básica. O evento promoverá discussões mediante palestras e minicursos com pesquisadores de renome na área, sessões coordenadas, comunicações, com pesquisadores e alunos da pós-graduação, e sessões de apresentação de pôster para alunos da graduação.
 
Datas importantes
  • Prazo para submissão de trabalhos: 02 de abril de 2018
  • Divulgação dos resultados: 30 de abril de 2018
Submissão de Trabalhos

Resumos podem ser enviados para apresentação nas seguintes categorias: Pôster e Comunicação Oral. Somente alunos de pós-graduação e pesquisadores podem submeter trabalhos para comunicação oral.
 
Programação
 
Dia 22 de maio
19h-20h : Credenciamento
20h: Palestra de Abertura: Valdir Flores, "Aspectos enunciativos do texto"
 
Dia 23 de maio
8h: Palestra: Vera Menezes, “Gêneros da Linguagem"
9h- 12h: Minicursos
13h: Sessão de Pôster
14h- 17h: Sessões Coordenadas e Comunicações
17h30: Palestra: Maria Helena Moura Neves, “Texto e Gramática"
 
Dia 24 de maio
8h: Palestra: Beth Brait, “Texto e discurso em perspectiva dialógica"
9h- 12h: Minicursos
13h: Sessão de Pôster
14h- 17h: Sessões Coordenadas e Comunicações
17h30: Nukácia Araújo, "Texto e ensino: mudanças advindas da Base Nacional Curricular Comum (BNCC)"
 
Dia 25 de maio
8h: Palestra: Dermeval da Hora, "A Linguística Textual na Pós-graduação em Linguística e Literatura"
9h- 12h: Minicursos
13h: Sessão de Pôster
14h- 17h: Sessões Coordenadas e Comunicações
17h30: Palestra: Silvana Lima, "Linguística de Texto: perspectivas e desafios nos estudos contemporâneos”
 
Minicursos
 
Serão oferecidos um total de oito minicursos simultâneos, com professores convidados:
 
"Sobre relações entre discurso e texto” - Sírio Possenti
Há algumas décadas, a palavra “discurso” podia referir-se tanto ao que depois se distinguiu bastante claramente em dois conceitos / objetos, cada um com questões teóricas características e, em geral, também lidando com corpus específico. Grosseiramente, pode-se dizer que o conceito de texto tem mais a ver com características lingüísticas ou formais de uma sequência de frases e o de discurso tem mais a ver com condições históricas de produção, tratando mais com corpus do que com textos (que é uma questão que será explicitada). Às vezes, esta distinção é bem nítida. Outras vezes, ela é borrada. Pode-se dizer que há um movimento da lingüística de texto na direção da análise do discurso indiciada pela expressão “textual discursivo”. Uma aproximação maior entre os dois “campos” pode decorrer do fato de que os analistas de texto passaram a tratar de questões originalmente discursivas (culturais, ideológicas, de identidade) ou do fato de analistas de discurso considerarem questões originalmente textuais (como a do gênero - a discutir). As soluções para a questão da referenciação, por exemplo, é um divisor de águas. Outro são as abordagens da questão do gênero, especialmente se ele não é relativamente estável, sobretudo quando ocorre o que tem sido chamado de intergenericidade. O curso percorrerá brevemente diversas fases das duas teorias, e se concentrará na análise de materiais (textos, excertos) que recebem soluções marcadamente diferentes das duas teorias que se limitam.
 
"Perspectivas do trabalho pedagógico com textos na abordagem do letramento científico” - Wagner Silva
Num enfoque indisciplinar da Linguística Aplicada, apresentamos os estudos do letramento científico (LC) como uma abordagem promissora para o planejamento e a contextualização de objetos de ensino na escola básica, enfatizando contribuições para as atividades em torno da língua portuguesa. Nesse sentido, apresentaremos alguns pressupostos teóricos subjacentes aos recentes estudos do LC; analisaremos as influências da referida abordagem na versão homologada da Base Nacional Comum Curricular (BNCC); e compartilharemos algumas propostas pedagógicas fundamentadas na abordagem focalizada, produzidas e implementadas por professoras da escola básica. O planejamento pedagógico mediado por práticas de LC possibilita a assunção das seguintes funções pelos gêneros selecionados como objetos de ensino em diferentes disciplinas escolares: (a) instrumento mediador do trabalho pedagógico colaborativo entre disciplinas; (b) instrumento desencadeador/organizador de práticas investigativas; (c) instrumento catalisador de objetos de ensino; (d) instrumento gerador de conhecimentos. Finalmente, destacamos ainda a seguinte justificativa da relevância do curso proposto: professores e formadores são desafiados a elaborarem práticas pedagógicas diferenciadas e produtivas com conteúdos da tradição disciplinar, considerando a proposição ou a legitimação dos textos como unidades de análise e dos gêneros como objetos de ensino.
 
"Enunciação e construção do discurso” - José Luis Fiorin
Este curso tem o objetivo de estudar a instância da enunciação, analisando as projeções da enunciação no enunciado (actorialização, espacialização e temporalização) e o investimento semântico nas categorias de pessoa (o problema do éthos), de espaço e de tempo, bem como de examinar, com base na teoria de Bakhtin, a historicidade inerente ao sentido.
 
“O texto e suas relações com os novos/velhos protagonismos sociais: enfocando práticas comunicativas nas mídias tradicional e digital” - Anna Christina Bentes
O curso tem como principal objetivo discutir como o referencial teórico desenvolvido pelo campo dos estudos do texto no Brasil pode contribuir enormemente para a compreensão das práticas comunicativas nas mídias digital e tradicional. Para tanto, analisaremos dados que envolvem gêneros diversos, tais como programas televisivos, postagens em blogs ou no facebook e comentários dos participantes das redes sociais e dos usuários da internet. Um outro objetivo é o de mostrar as novas metodologias que estão envolvidas nesse tipo de trabalho analítico dos textos enquanto práticas comunicativas e sociais.
Bibliografia básica
BENTES, A.C.; MARIANO, R.D.; ACCETTURI, A.C. “Eu quero muito trabalhar um tema”: estratégias argumentativas no programa televisivo Conexões Urbanas”. Signo, Santa Cruz do Sul, v. 42, n. 73, p. p. 110-123, 2017.
BENTES, A. C.; SILVA, B. F. ; ACCETTURI, A. C. A. . Texto, contexto e construção da referência: programas televisivos brasileiros em foco. Cadernos de Estudos Linguísticos, v. 59, p. 175-196, 2017.
BENTES, A.C.; MARIANO, R.D.; ACCETTURI, A.C. Temas e estratégias referenciais em Conexão: analisando processos de estabilização e de mudança em um programa televisivo. ReVEL, v. 13, n. 25, p. p. 316-354, 2015.
BENTES, A. C.; REZENDE, R. C. O texto como objeto de pesquisa. In: GONÇALVES, A. V. ; GOIS, M. L. S. (Orgs.). Ciências da linguagem: o fazer científico. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2 v., 2014, 452 p. p.p. 137-176.
BENTES, A. C.; FERREIRA-SILVA, B.; MARIANO, R. D. Atenuação e impolidez como estratégias estilísticas em contexto de entrevista televisiva. Cadernos de Letras da UFF. Niterói, n. 47, p. p. 285-314, 2013.
BENTES, A. C.; RAMOS, P. E.; ALVES FILHO, F. Enfrentando desafios no campo de estudos do texto. In: BENTES, A. C.; LEITE, M.Q. (Orgs.). Linguística de Texto e Análise da Conversação: panorama das pesquisas no Brasil. 1ed. São Paulo: Cortez Editora, 2010, 428 p. p.p. 07-13.
HANKS, W.F. Texto e textualidade. In: W.F. Hanks. Língua como prática social: das relações entre língua, cultura e sociedade a partir de Bourdieu e Bakhtin. São Paulo: Cortez Editora, 2008.
HANKS, W. F. Language and communicative practices. Boulder: Westview, 1996.
 
“Variação e mudança no texto falado e escrito” - Marta Scherre
O presente minicurso objetiva comparar o comportamento de fenômenos de variação e mudança na fala e na escrita. Tem como ponto central apresentar evidências de que configurações estruturais com forte encaixamento na matriz linguística e/ou não sujeitas a estigma entram em gêneros discursivos variados, incluindo os da escrita monitorada. Para tanto, serão abordadas pesquisas que envolvem diversos fenômenos morfossintáticos variáveis, entre os quais destacamos o imperativo gramatical, a concordância verbal de terceira pessoa do plural, a concordância com sujeitos coletivos singulares, o objeto direto anafórico, o dativo, o futuro do presente, o queísmo e o dequeísmo, as orações finais e as perífrases de estar+gerúndio.
REFERÊNCIAS
DEOCLÉCIO, Carlos Eduardo; SCHERRE, Maria Marta Pereira. Expansão e redução de orações finais no português brasileiro falado e escrito In: TOMAZI, Micheline Mattedi; ROCHA, Lúcia Helena Peyroton da; FERRAZ, Daniel de Mello (Orgs.). Estudos linguísticos: descrição, texto, discurso e ensino. Vitória: PPGEL, 2016. p.31-50.
GOMES, Christina Abreu. Uso variável do dativo na escrita jornalística: resistência e inovação na escrita formal contemporânea. In: PAIVA, Maria da Conceição; GOMES, Christina Abreu (Orgs.). Dinâmica da variação e da mudança na fala e na escrita. 1 ed. Rio de Janeiro: Contra Capa e FAPERJ, 2014, p. 103-114.
MATTOS, Shirley Eliany Rocha; SCHERRE, Maria Marta Pereira. O papel do plural em contextos de sujeitos com noção de grupo no singular In: PILATI, Eloísa; SALES, Heloísa Lima; NAVES, Rozana (Orgs.). Novos olhares para a gramática do português brasileiro. 1 ed. Campinas, SP: Pontes Editores, 2017, v.1, p. 43-59.
MOLLICA, Maria Cecília. Mudança e resistência no contínuo oral/escrito. In: MOLLICA, Maria Cecília de Magalhães (Org.). Uso da linguagem e sua relação com a mente humana. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2010, p.91-97.
SCHERRE, Maria Marta Pereira. O imperativo gramatical no português brasileiro: reflexo de mudança lingüística na escrita de revistas em quadrinhos In: VOTRE, Sebastião; RONCARATI, Cláudia (Orgs.). Anthony Julius Naro e a Lingüística no Brasil: uma homenagem acadêmica. 1 ed. Rio de Janeiro: FAPERJ/7Letras, 2008, p. 306-319.
SCHERRE, Maria Marta Pereira. Padrões sociolinguísticos do português brasileiro: a importância da sociolinguística variacionista. Tabuleiro de Letras. Salvador, n. 4, junho de 2012. 32p.
SCHERRE, Maria Marta Pereira; BASÍLIO, Jucilene Oliveira Sousa. A expansão de perífrases de estar+gerúndio no português brasileiro. (Con)Textos Linguísticos, 2017, v.11, p. 123-144. <http://periodicos.ufes.br/contextoslinguisticos>
SCHERRE, Maria Marta Pereira; NARO, Anthony J.A variação da concordância verbal na escrita monitorada In: PAIVA, Maria da Conceição; GOMES, Christina Abreu (Orgs.). Dinâmica da variação e da mudança na fala e na escrita. 1 ed. Rio de Janeiro: Contra Capa e FAPERJ, 2014, p. 21-43.
TESCH, Leila Maria; YACOVENCO, Lilian Coutinho; SCHERRE, Maria Marta Pereira. Variação e mudança na fala e na escrita: caminhos e fronteiras. (Con)Textos Linguísticos, 2014, v.8, p. 87-106. <http://periodicos.ufes.br/contextoslinguisticos>
 
"Ferramentas digitais” - Vera Menezes
Neste minicurso, apresentarei um conjunto de ferramentas digitais que foram selecionadas segundo dois critérios: ser gratis ou pelo menos parcialmente gratis e serem adequadas para o ensino de línguas. As ferramentas serão divididas em 4 grupos, seguindo a filosofia educacional de Ben Shneiderman (2003) que se baseia em 4 eixos: COLETAR (reunir informação e recursos), RELACIONAR (trabalhar em equipes colaborativas), CRIAR (desenvolver projetos ambiciosos) e DOAR (produzir resultados que são significativos para pessoas fora da sala de aula). Os participantes escolherão algumas dessas ferramentas para testar e, em seguida, compartilhar suas impressões com os colegas. Ao final das atividades, reconstruiremos coletivamente o conjunto das ferramentas, levando em conta as contribuições dos alunos e divulgaremos nas redes sociais.
Ben Shneiderman. Leonardo's Laptop: Human Needs and the New Computing Technologies. Cambridge, MA, MIT Press, 2003.
 
"Texto e gramática na sala de aula de Língua Portuguesa - uma perspectiva funcional” - Mariangela Oliveira
Partindo dos objetivos nacionais da Educação Básica para o ensino de Língua Portuguesa no Brasil, focalizamos a relação motivada entre propriedades pragmático-discursivas de gêneros e sequências textuais e os recursos morfossintáticos utilizados para tais elaborações. Com base nos pressupostos do Funcionalismo, em sua versão clássica e na mais recente, voltada para a abordagem construcional da gramática, vamos tratar, no nível morfossintático, de iconicidade e marcação, de transitividade oracional e planos discursivos, de distribuição da informação na tessitura textual, conforme expostos em Furtado da Cunha, Oliveira e Martelotta (2015). Esses aspectos serão examinados com base nos processos cognitivos de domínio geral, conforme apresentados em Bybee (2010) e referidos para o português por Oliveira (2017): categorização, encadeamento, analogização, memorização enriquecida e associação transmodal. Nossa proposta é um minicurso que articule pressupostos teóricos e aplicações práticas, municiando os docentes na tarefa de análise e reflexão sobre a língua.
Referências
BYBEE, J. 2010. Language, Usage and Cognition. New York: Cambridge University Press.
FURTADO DA CUNHA, M. A; OLIVEIRA, M. R; MARTELOTTA, M. E. (org). 2015. Linguística funcional: teoria e prática. São Paulo: Parábola.
OLIVEIRA, M. R. (2017). Linguística funcional centrada no uso e ensino. In: CASSEB-GALVÃO, V; NEVES, M. H. M. (org). O todo da língua: teoria e prática do ensino de português. São Paulo: Parábola, p. 15-34.
 
"Abordagens da argumentação nos estudos de Linguística Textual” - Mônica Cavalcante
Este minicurso supõe uma relação viável entre princípios básicos da teoria da argumentação no discurso sustentada por Ruth Amossy e pressupostos da Linguística Textual. O curso discute as noções de persuasão e de argumentação, dois termos sempre mencionados ou sugeridos nos estudos linguístico-textuais. Tem sido recorrente, nas pesquisas em Linguística Textual brasileira, buscar explicar as escolhas textuais pelas quais o sujeito age sobre o seu dizer, reelaborando-o a todo instante, negociando-o não apenas em função de seus interlocutores, mas também dos papéis sociais postos em cena durante as interações, a fim de elaborar estratégias de persuasão. Tomamos argumentação com o mesmo sentido de persuasão e defendemos que as estratégias persuasivas mobilizadas por meio de recursos textuais podem operar tanto numa retórica do dissenso (em situações de polêmica) quanto numa retórica do consenso. Serão priorizadas, no curso, estratégias textuais de seleção do gênero do discurso, dos processos referenciais e das intertextualidades.

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