Quarta-feira, 18 de Setembro de 2019
Congressos

13º Congresso Alemão Lusitanistas | Espaços limiares do Holocausto: a memória no mundo lusófono

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Alemanha, Portugal

Chamada para trabalhos, Estudos Culturais, Literatura

13° Congresso Alemão de Lusitanistas

Espaços, fronteiras e passagens no mundo de língua portuguesa

Universidade de Augsburgo, 11 a 14 de setembro de 2019

Chamada para trabalhos

Espaços limiares do Holocausto: a memória no mundo lusófono /
Grenzräume des Holocausts: Gedächtnis in der portugiesischsprachigen Welt

Secção do Grupo EHum2M (CEHUM)

Org.: Orlando Grossegesse (UMinho), Paulo Soethe (UFPR, Curitiba), Luís Pimenta Lopes (UMinho)

CFP: Propostas / Vorschläge  ► ogro@ilch.uminho.pt até ao dia 30 de abril de 2019


Nas duas últimas décadas, a memória do Holocausto tem vindo a suscitar mais atenção do que nunca, seja em Portugal ou no Brasil, em parte resultante da crescente globalização do discurso do Holocausto. No entanto, não são de subestimar os efeitos específicos deste processo sobre as conceções tradicionais de identidade, história ou cânone nacional. No Brasil, esta dinâmica parte principalmente da literatura. Pensemos em publicações como Nas águas do mesmo rio (2005) de Giselda Leirners ou O que os cegos estão sonhando? (2012) de Noemi Jaffe. Sem dúvida, Diário da queda (2011) de Michel Laub obteve o maior êxito, até internacional. No caso de Portugal, as recentes pesquisas sobre trabalhadores portugueses que acabaram por ficar em campos de concentração têm suscitado uma nova onda de interesse público. Em termos gerais, esse interesse leva a questionar o tradicional afastamento de tudo o que se refere à colaboração de ambos os países com o regime nazi, seja ao nível político, económico, científico ou cultural. Da mesma forma, questiona-se a idealização de Portugal e do Brasil como ‘portos de esperança’ para milhares de fugitivos do Holocausto. Neste contexto, releva-se a categoria do bystander (Raul Hilberg) para analisar um leque de atitudes tomadas entre passividade e colaboração, contrastando com a intervenção isolada em prol do salvamento (Aristides de Sousa Mendes, João Guimarães Rosa) e com a consciencialização para o Holocausto, muitas vezes através da arte, da literatura e do cinema. Devemos interrogar-nos sobre o papel da memória do Holocausto em diversas fases da vida social em Portugal e no Brasil até aos dias de hoje, abrindo também espaço para uma visão comparativa. Perante a iminente ausência do testemunho direto, todos os processos de transição entre memory e postmemory adquirem maior interesse. Basta lembrar a retoma do título Sob céus estranhos (romance de Ilse Losa, de 1962) por Daniel Blaufuks, em 2007. Trata-se da memória em espaços limiares do Holocausto, transmitida de forma multilingue e (inter)medial. É precisamente nesta posição periférica que surgem outras questões, outras imagens e narrativas, não de menor importância para a compreensão da História, alvejando um presente e um futuro mais humano. Os organizadores desta secção convidam para comunicações com abordagens provenientes dos estudos históricos, culturais e literários, bem como da tradução e da comunicação social.


In den letzten zwei Jahrzehnten ist sowohl in Brasilien als auch in Portugal das Gedächtnis des Holocaust stärker in das Zentrum des kulturellen Lebens gerückt. Kann man dies einerseits als Folge der Globalisierung des Holocaust-Diskurses sehen, so darf man andererseits auch nicht spezifische Wirkungen auf traditionelle Konzepte nationaler Identität, Geschichte oder Kanon unterschätzen. Diese Dynamik geht in Brasilien eher von der Literatur aus – als Beispiele seien Giselda Leirners Nas águas do mesmo rio (2005) oder Noemi Jaffes O que os cegos estão sonhando? (2012) genannt. Zweifellos den größten Publikumserfolg erfuhr Michel Laubs Diário da queda (2011). In Portugal hingegen haben neuere historische Forschungen vor allem über Portugiesen als Fremdarbeiter im NS-Reich, die im Konzentrationslagern landeten, Aufsehen erregt. Dies hat insgesamt dazu geführt, über die traditionelle Fernhaltung von allem, was die Verstrickungen der beider Länder auf politischer, wirtschaftlicher, wissenschaftlicher und kultureller Ebene mit dem NS-Regime betrifft, nachzudenken. Ebenso wird die Idealisierung von Portugal und Brasilien als ‚Hafen der Hoffnung‘ für Tausende, die vor dem Holocaust flohen, hinterfragt. Hier wird die Kategorie des bystander (Raul Hilberg) in all seinen Varianten relevant für die Recherche von Mitwissen, Passivität oder gar Mittäterschaft, auf derem Hintergrund sich einzelne Aktionen der Hilfe (Aristides de Sousa Mendes, João Guimarães Rosa) und der Weckung von Bewußtsein – gerade auch über Kunst, Literatur und Kino – abheben. Es ist zu fragen, welche Rolle das Gedächtnis des Holocaust in der portugiesischen und brasilianischen Gesellschaft spielte und spielt, wobei es auch gilt Verbindungen und Vergleiche aufzuspüren. Zu einem Zeitpunkt, an dem kaum mehr Zeugenbefragungen möglich sind, erlangen alle Prozesse auf der Schwelle zwischen memory und postmemory besonderes Interesse, so wie dies exemplarisch in der Wiederaufnahme des Titels Sob céus estranhos (Ilse Losas Roman von 1962) durch Daniel Blaufuks (2007) deutlich wird. Es geht um ein vielsprachiges und medial vermitteltes Gedächtnis in Grenz- oder Schwellenräumen des Holocaust. Aus eben dieser Position der Peripherie werden andere Themen aufgeworfen, andere Bilder entworfen oder Narrationen geschaffen, die allerdings für das Verständnis von Geschichte für eine humanere Gegenwart und Zukunft nicht weniger wichtig sind. Die Veranstalter dieser Sektion erwarten Beiträge, die sich mit Fragestellungen aus der Perspektive der Geschichts-, Medien-, Kultur- , Literatur- und Übersetzungswissenschaft befassen.


Mais informações:

13° Congresso Alemão de Lusitanistas

https://www.philhist.uni-augsburg.de/lehrstuehle/romanistik/angewandte/Lusitanistentag2019/

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