Terça-feira, 18 de Maio de 2021
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Revista TRANSLOCAL #4 anual | ANTÓNIO ARAGÃO, antena receptiva (1921 – 2008)

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Portugal

Chamada para artigos, Ciências Humanas, Estudos Culturais

Convite à publicação

Revista TRANSLOCAL. Culturas Contemporâneas Locais e Urbanas

n.º 4 (2021) | ANTÓNIO ARAGÃO, antena receptiva (1921-2008)

Coordenadores convidados

Rui Torres (Universidade Fernando Pessoa e Arquivo Digital da PO.EX) 

Bruno Ministro (ILCML-UP e Arquivo Digital da PO.EX)

Coordenadora residente

Ana Salgueiro (UMa-CIERL, CECC-UCP, DRABM/CEHA-AV)

 

Nascido a 21.09.1921, na pequena localidade de São Vicente, situada na costa norte da Ilha da Madeira, António Aragão viria a assumir um inegável destaque quer no sistema cultural madeirense, quer no sistema cultural português, através de um percurso intelectual e artístico que sempre procurou fazer pontes com outros sistemas culturais (Itália, Brasil, Espanha, E.U.A, Japão, etc.) e de uma obra plural (Arqueologia, Arquivística, Artes Visuais, Etnografia, História, Literatura), fortemente marcada pelas dinâmicas da transgressão (não raras vezes subversiva), da busca de encontros culturais, estéticos e discursivos improváveis, da experimentação de métodos, técnicas e materialidades discursivas inusitados, da transferência e da recontextualização criativa.

Habitante provisório de várias cidades europeias (Lisboa, Coimbra, Paris, Roma,...), onde viria a realizar a sua formação académica, a regressar pontualmente e a estabelecer uma importante rede de afinidades eletivas que se ramificariam, depois, por outras coordenadas geoculturais e que manteria ativa até ao final da vida (11.08.2008), António Aragão escolhe o Funchal como cidade de residência e de trabalho a partir dos anos 1960, não sendo por isso de estranhar que a paisagem e o património histórico e antropológico desta localidade insular (entre tantas outras do arquipélago) tenham sido objeto da sua atenção em trabalhos de História, de Etnografia ou até de Urbanismo. 

Porém, a escolha desta localização e o interesse pelo sistema cultural madeirense não inibiram que, a partir do Funchal, António Aragão mantivesse também um intenso e continuado diálogo com artistas, projetos e organizações situados em outras geografias nacionais e internacionais, num claro alinhamento com o ecumenismo poético internacional que ele próprio, mais tarde, identificaria como motor fundamental da Poesia Experimental Portuguesa, movimento interartístico e antissistema de que ele foi um dos principais dinamizadores. O desenvolvimento de práticas de cocriação, a participação em exposições e publicações coletivas internacionais e intergeracionais ou até a adesão à Arte Postal ilustram inequivocamente o seu envolvimento numa intensa rede de comunicação transnacional e, consequentemente, o caráter translocal da sua obra.

Assim sendo, no ano em que António Aragão completaria cem anos, a revista TRANSLOCAL. Culturas Contemporâneas Locais e Urbanas edita o seu número anual impresso, com o tema de capa António Aragão, antena receptiva (1921-2008), em colaboração direta com o grupo dinamizador das iniciativas intituladas MULTIPLICIDADE DA EXPERIÊNCIA. António Aragão (1921-2008), antena receptiva, com o propósito de evocar o centenário do autor madeirense.

Tomando a metáfora de Aragão como mote (antena receptiva), e adotando a dinâmica colaborativa, interdisciplinar e translocal que caracterizou a sua obra, o n.º 4 da revista TRANSLOCAL, experimentando o cruzamento do formato impresso com o formato digital online, apresenta-se, assim, como um espaço de simultânea captação e irradiação do trabalho académico, de criação artística e de dinamização cultural desenvolvido sobre e com a obra de António Aragão, no âmbito da evocação do seu centenário. Publicará uma seleção de ensaios e artigos resultantes das comunicações apresentadas no Colóquio os sinais são as evidências que permanecem sempre apontando (promovido na Universidade Fernando Pessoa em julho de 2021), e editará, na secção Olhares Cruzados, registos documentais, testemunhos e reflexão crítica que dêem conta das dinâmicas criativas e culturais desenvolvidas no âmbito quer da Exposição um desejo inconcebível de abrir todas as portas (programada pela Casa da Cultura de Santa Cruz - Casa do Revoredo, na Madeira), quer das Evocações a imaginação passa de espelho receptivo a operante que decorrerão no Funchal, Calheta e Santa Cruz em setembro de 2021.

Procurando alargar essa dinâmica de captação e irradiação de conhecimento sobre a obra de António Aragão, o n.º 4 da revista TRANSLOCAL, abre agora o convite a outros investigadores e criadores que pretendam associar-se à evocação desse centenário, publicando trabalho em duas das secções da nossa revista: Ensaios Visuais e Diálogos. 

As propostas para publicação (texto completo e/ou imagens, no caso de trabalhos a incluir na edição impressa; registos vídeo, no caso de trabalhos a publicar em linha, no website da TRANSLOCAL) deverão ser enviadas para a coordenação da revista (translocal.revista@mail.uma.pt) dentro dos prazos que abaixo se indicam. A aceitação destas propostas dependerá do respeito pelas normas de edição que seguidamente se explicitam e da sua validação por pares, de acordo com os critérios internacionais de dupla avaliação cega.

As línguas de trabalho adotadas pela revista TRANSLOCAL são o Português e o Inglês. Os textos redigidos em Português poderão seguir ou não a norma do Acordo Ortográfico de 1990, devendo o autor declarar a opção seguida, em nota.


Ensaios Visuais - submissão de propostas até 31.07.2021

Acolher-se-ão com interesse ensaios visuais (ou audiovisuais) que dialoguem com a obra multifacetada de António Aragão ou que, de algum modo, reflitam sobre questões, metodologias, propostas temáticas, processos criativos, etc. que tenham assumido relevância ao longo do seu percurso de vida.

Os ensaios visuais deverão assumir um dos seguintes formatos:

  1. até 5 imagens + texto complementar, entre 500 e 1000 palavras;

  2. vídeo + texto complementar, entre 500 e 1000 palavras. 

 

Diálogos - submissão de propostas até 15.06.2021

Acolher-se-ão com igual interesse testemunhos de caráter mais ensaístico, mais biográfico ou criativo sobre o convívio com António Aragão: o convívio pessoal e/ou profissional daqueles que o conheceram em vida; mas também o convívio mediado pela leitura da sua obra. 

Nesta secção, aceitar-se-ão trabalhos com manifesta qualidade, que contribuam para a divulgação e problematização da obra de António Aragão e que adotem um de dois formatos:

  1. formato escrito: texto em Português ou Inglês com uma extensão não superior a 2500 palavras, respeitando as normas de edição seguidas pela TRANSLOCAL (ver aqui);

  2. formato vídeo: vídeo com uma duração máxima de 15 minutos, recorrendo também ao Português ou Inglês como línguas de comunicação.

    Privilegiar-se-ão testemunhos que abordem os temas discutidos no Colóquio os sinais são as evidências que permanecem sempre apontando:

  1.  um céu azul por cima e um pitoresco turístico em volta | história e etnografia [antónio aragão investigou a história, o urbanismo, a arqueologia e a etnografia do arquipélago da Madeira: qual a importância e a atualidade dos seus estudos?]; 

  2.  ler é igual a ver e ver é igual a ler | pintura e escultura [antónio aragão criou pinturas, desenhos, aguarelas, colagens, livros de artista, esculturas: que desafios para um entendimento da arte são levantadas por essas obras?];

  3.  forças semânticas imprevistas | poesia e prosa [antónio aragão escreveu poemas, romances, contos, crónicas e teatro: qual a relevância desses textos para compreender a multiplicidade da literatura?];

  4.  novas morfologias | concretas e visuais [antónio aragão compôs obras caracterizadas pela espacialização, constelação e visualismo: qual o lugar do autor no contexto do experimentalismo literário?];

  5.  a poesia deve ser tomada por todos os sentidos | tecnologia(s) e suporte(s) [antónio aragão em simbiose com fotocopiadoras, computadores, vídeo,... mostrou-se atento ao som e à performance: que estímulos na sua obra permitem pensar a sociedade mediada?);

  6.  o artista apenas oferece uma estrutura | estética e poética [antónio aragão ensaiou crítica e teorização das artes: que nos dizem esses exercícios sobre o seu momento e que aspetos do seu pensamento ainda perduram?];

  7.  qualquer coisa para comunicar | edição e difusão [antónio aragão organizou e dinamizou publicações coletivas, exposições, debates e intervenções: que marcas deixou a sua ação comunicativa?];

  8.  um certo convívio social e humano | correspondência e rede [antónio aragão envolveu-se na arte por correio e correspondeu-se com agentes da cultura e das artes do seu tempo: que rasto dessas interlocuções identificamos?];

  9. atitude gostosamente polémica | intervenção e movimento(s) [antónio aragão era um provocador e agitador de ideias: que nos ensina o seu espírito crítico sobre a importância de desviar (d)as normas?];

  10.  inter-acção: acto-mútuo de concordância criativa | diálogo e comunicação [antónio aragão escreveu a várias mãos com outros e influenciou artistas e poetas: quem se declara e se apresenta?].

Os testemunhos escritos, depois de validados para publicação, constarão na secção Diálogos da edição impressa do n.º 4 da TRANSLOCAL. 

Os testemunhos em formato vídeo, depois de validados para publicação, serão disponibilizados online no website da TRANSLOCAL e serão projetados durante o Colóquio os sinais são as evidências que permanecem sempre apontando que  terá lugar nos dias 22 e 23 de julho de 2021, na Universidade Fernando Pessoa, em formato online via Zoom.

 Até 30.09.2021, a coordenação do n.º 4 da TRANSLOCAL. ANTÓNIO ARAGÃO, antena receptiva (1921-2008) informará os autores das propostas que forem aceites e, após a conclusão do processo de revisão final e paginação, a revista será publicada no primeiro trimestre de 2022.

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