Terça-feira, 03 de Agosto de 2021
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Pensar a educação a partir da periferia

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Chamada para artigos, Ciências da Educação

Chamada para publicação
Sisyphus, Revista do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa

Pensar a educação a partir da periferia: Aprendizagem ao longo da vida e transições digitais em territórios de baixa densidade

Editado por Ana Isabel Madeira e Helena Cabeleira (Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, Portugal)

Data limite para envio de propostas: 30 de junho de 2021

As dinâmicas do envelhecimento demográfico, particularmente em regiões com baixa densidade populacional, constituem um dos maiores desafios para as sociedades ocidentais, em particular a Europa, a região mais envelhecida do mundo. Em pleno século XXI, as populações rurais encontram-se cada vez mais excluídas da sociedade digital, separando as gerações entre si no acesso à tecnologia, à participação cívica e à educação ao longo da vida, comprometendo as políticas de coesão económico-social e a sustentabilidade dos contextos rurais. A crise económica da última década é também o resultado de um deficit de literacia digital que põe, simultaneamente, a descoberto as desigualdades escolares e a exclusão do mais velhos do saber consagrado pela educação formal. Em Portugal, como no resto da Europa, há poucos estudos sobre os efeitos combinados da literacia digital e do envelhecimento activo, em especial no que se refere à acção das organizações educativas, das autarquias locais e das organizações da sociedade civil na promoção de oportunidades de aprendizagem intra e intergeracionais e de base local-comunitária. Em contrapartida, a evidência científica tem reforçado a importância das experiências educativas na ressignificação das experiências de vida, no funcionamento cognitivo e social das populações e na melhoria dos relacionamentos entre gerações.

A História da Educação, na perspectiva de uma História do Tempo Presente, tem desempenhado um papel importante nesta articulação entre a produção de conhecimento histórico e o reforço da identidade de comunidades marginalizadas ou periféricas, nomeadamente através da história oral e do resgate de memórias públicas, hoje em vias de extinção. A disseminação de arquivos audio-visuais em plataformas digitais, a ressignificação das experiências no diálogo com textos e imagens do património etnográfico, o papel da imprensa e das rádios locais, podem ter um papel decisivo na articulação entre dimensões locais e globais de partilha e acesso ao conhecimento. Sabe-se hoje que os processos de aprendizagem da história não decorrem apenas das oportunidades de ensino oferecidas na sala de aula, ocorrendo em contextos dispersos de aprendizagem. O desenvolvimento de práticas historiográficas no âmbito da História Pública torna possível construir um conjunto de oportunidades para as comunidades, activando a memória colectiva, resgatando o património histórico e dando visibilidade à cultura local. A abundância de recursos patrimoniais e documentais existentes na comunidade podem estabelecer pontes com as actividades educativas formais, através da construção de currículos de história local capazes de articular públicos diversos, colocando os sujeitos no centro da produção historiográfica e promovendo os encontros entre gerações. Finalmente, a aproximação entre o ensino da história e a dimensão pública da sua permanente re-construção e re-invenção, não pode deixar de interpelar a questão da formação docente, quer a respeito dos modos de produção do conhecimento histórico, quer no que diz respeito ao seu consumo.

Este “call” procura, justamente, chamar ao debate a comunidade científica através de contributos que permitam reconstruir uma visão global do estado da arte das problemáticas da História do Tempo Presente, da História Pública e da História Oral na sua relação com a educação em comunidades periféricas ou em contextos de baixa densidade, preferencialmente rurais. Esta chamada de artigos visa ainda contribuir para a (re)colecção de dados empíricos, experiências e estudos de caso que evidenciem a construção de um espaço público da educação, explicitando boas práticas e exemplos de inovações educativas de base regional-local, quer ao nível do desenvolvimento curricular, quer no quadro da formação contínua de docentes, ou ainda no estabelecimento de parcerias entre instituições de ensino superior,  comunidades de prática locais e poderes públicos no que se refere a questões da educação e património ‘locais’.

Referências

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