Sábado, 12 de Junho de 2021
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Chamada para artigos "Jonas Savimbi: representações e imaginários"

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Chamada para artigos, Estudos Africanos

Chamada para artigos 

Jonas Savimbi: representações e imaginários

eds. Pedro Figueiredo Neto (ICS-ULisboa) & Vasco Martins (CES-UCoimbra)

 

Morto em combate a 22 de Fevereiro de 2002, o apelidado “jaguar negro dos Jagas”, “mais velho” para os seus correligionários e auto-promovido general de cinco estrelas da UNITA, duas décadas depois do seu desaparecimento físico, Jonas Malheiro Savimbi é cada vez mais uma referência na esfera social, política e cultural, sobretudo para a juventude, em Angola e noutras geografias.

Fundador da UNITA-União Nacional para a Independência Total de Angola na década de 1960, Jonas Savimbi constitui-se como personagem enigmático e controverso, um político camaleónico que ao longo da sua vida lacrou alianças estratégicas aparentemente antagónicas — com o colonialismo Português, com o regime do Apartheid na África do Sul, com os EUA ou ainda com Mobutu Sese-Seko.

Encontrando na guerrilha a sua morada e principal campo de batalha, Savimbi é lembrado pelo seu carisma, retórica e discursos inflamados, a que juntava um forte domínio de línguas nacionais e estrangeiras. Contudo, relatos dos que com ele privaram e contra ele combateram descrevem-no como um líder cruel e implacável, acusando-o de uma miríade de atrocidades, e o grande responsável pela cultura de terror que se viveu em Angola durante décadas. O seu corpo moribundo foi mostrado ostensivamente de forma a persuadir Angola e o mundo de que a sua morte era efectiva — de resto, sobreviveu a mais de uma dúzia de tentativas de assassinato e foi declarado morto pelo menos quinze. Nessa altura, Jonas Savimbi era já um mito estabelecido. Talvez por isso, ainda hoje, o antigo líder personifique uma fronteira mental que sintetiza os eventos e medos vividos durante o tempo da guerra. 

Enquanto personagem chave no passado recente de Angola, revela-se pertinente reflectir acerca do imaginário de Savimbi, do seu legado, representações, invocações e respectivas implicações dos usos da figura do antigo guerrilheiro, de forma a analisar como perdura na esfera política e pública do país e da região. 

A  presente chamada para artigos procura contribuições das mais diversas áreas das ciências sociais, artes e humanidades (antropologia, sociologia, ciência política, história, geografia, estudos de desenvolvimento e pós-coloniais, média, literatura, arte, música, etc) que explorem, reflitam e analisem o modo como elementos gráficos, audiovisuais, musicais e/ou outros da cultura popular, na forma de reportagens TV, vídeos, fotografias, videojogos, gifs, memes, posters, grafitti, música, áudios (emissões rádio, toques de telemóvel, discursos ou estórias via Whatsapp ou Facebook, entre outras plataformas) contribuíram e contribuem para a construção e continuação de vários imaginários, frequentemente antagónicos, por vezes romanceados, de Jonas Savimbi. Encoraja-se a submissão de contribuições que, a partir da exploração de materiais empíricos analisem representações da figura e persona de Jonas Savimbi, questionando criticamente:

  • O ressurgimento de representações de Savimbi no presente e potenciais consequências num futuro próximo;

  • Os formatos de construção do personagem em vida e na morte, à luz da iconografia produzida sobre outros líderes, de Mao Tse Tsung a Nelson Mandela, Amílcar Cabral, Mobutu Sese Seko ou Che Guevara;

  • A fantasmagoria no quotidiano, entre legados de esperança, medo e terror;

  • Antigos e novos mitos, com ou sem base na sua vida conhecida, alicerçados em fábulas passadas e presentes;

  • A integração e uso da imagem bem como os recursos estéticos usados na cultura popular;

  • Implicações sociais e políticas do ressurgimento de Savimbi;

  • O impacto cultural, militar e político de Savimbi no contexto da África Austral, passado e presente

  • Outras linhas de investigação. 

Especial interesse é dado a contribuições originais que incluam elementos audiovisuais (foto-ensaios, faixas áudio, soundscapes, vídeos, etc), em língua portuguesa e inglesa. As propostas de resumos devem ser explícitas nas questões e objetivos da contribuição, bem como indicar de que forma o material empírico será usado para responder aos temas propostos. Os resumos não deverão ultrapassar as 500 palavras. Os artigos finais deverão ter um máximo de 7000 palavras, sem contar com referências bibliográficas, notas de rodapé, e legendas de imagens. A obra final será publicada em ambas as línguas - em inglês e português -, havendo a possibilidade de ser acompanhada por um medium digital (usb-drive ou dvd).

Os resumos com as propostas de artigos deverão ser enviados para pedrofneto@ics.ulisboa.pt e vascomartins@ces.uc.pt até 30 de Junho de 2021. Os autores cujas propostas de artigos forem selecionadas serão informados via email até 31 Julho 2021. Como calendário indicativo, a primeira versão completa dos artigos deverá ser enviada até 15 de Outubro de 2021. 


Nota sobre os editores

Pedro Figueiredo Neto é antropólogo e realizador, investigador no Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa). A sua investigação explora diferentes fenómenos de deslocamento forçado, devido a conflitos, violência, projectos de desenvolvimento ou transformações ambientais, sobretudo no contexto da África Austral, região e temas sobre os quais tem publicado diversos artigos.

Mais em https://www.ics.ulisboa.pt/pessoa/pedro-figueiredo-neto ou http://pedrofneto.com 

Vasco Martins é cientista político e investigador no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES-UCoimbra). Autor de vários artigos e do recém publicado livro Colonialism, Ethnicity and War in Angola, a sua investigação incide sobre nacionalismo, etnicidade, memória e guerra em contextos de pós-colonialismo e pós-guerra na região da África Austral. 

Mais em https://ces.uc.pt/en/ces/pessoas/investigadoras-es/vasco-martins

Fonte: H-Net.org

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