Quinta-feira, 28 de Outubro de 2021
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Chamada de trabalhos da Revista Amerika n.º 23: Imaginários do limite

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: França

Chamada para trabalhos, Estudos Latino-Americanos

Chamada para publicação | Revista Amerika n°23

A revista Amerika, uma publicação semestral do Laboratoire Interdisciplinaire de Recherche Sur Les Amériques (LIRA), membro do ERIMIT (Équipe de Recherches Interlangues : Mémoires, Identités, Territoires, EA 4327), está com chamada aberta para seu número 23, subordinado ao tema: «Imaginários do limite. Dizer e narrar os espaços fechados latino-americanos num mundo global».

Após duas jornadas de estudos em 2019 e em 2021 organizadas na CELLAM (EA 3206), a revista Amerika propõe interrogar a questão da representação dos limites nos âmbitos culturais das Américas.

No fim do século XX, com o advento dos espaços de livre circulação como Schengen, a materialização da fronteira parecia algo relegado ao passado, pelo menos nos imaginários coletivos e nas representações. Em 1989, a queda do muro de Berlim abolia uma fronteira simbólica, a representação de um limite por antonomásia. Enquanto aquele muro caía, outros estavam em gestação e começavam a se materializar, sendo o mais conhecido e mediático aquele entre o México e os Estados Unidos, cujos primeiros tijolos apareciam desde o plano Guardian em 1994. Esse reforço foi só aumentando desde os atentados de Nova Iorque em 2001.

Esse hiato, entre aquilo que continua sendo considerado como a primeira potência mundial e a América emergente, virou o símbolo mais comum do limite entre dois territórios com identidades peculiares, e é apenas a materialização de uma miríade de divisões territoriais e identitárias, numa área que cobriria a integralidade do subcontinente: comunidades e bairros fechados, espaço público adaptado para certos grupos da população em particular, reservas indígenas, narco-cidades, etc.

No momento em que a construção ficcional se populariza nas suas formas e que os conteúdos e suportes são cada vez mais transmídia, parece pertinente interrogar-se sobre as narrativas que podem decorrer da perspectivação desses limites, fronteiras e espaços fechados. O que eles dizem sobre a relação com o espaço, a identidade e o Outro?

Depois da primeira JE em 2019, que já tinha explorado a relação com os limites, nomeadamente no México e no Cone Sul, pareceu-nos interessante propor uma segunda data para aprofundar o assunto.

Poderíamos interrogar as seguintes questões:

-Como narrar o limite, sem cair nos estereótipos e fazer da fronteira/zona fechada/outra um simples cenário? Quais personagens e estruturas narrativas escolher? Que lugar para os diferentes tipos de narrativas (fantástico, testemunhal, histórico, etc.)? Quais são os objetivos? Será que existe um lugar específico para as minorias visíveis? São específicos à literatura da América hispanófona?

- O limite seria uma proteção? Será a fronteira, além de uma restrição de circulação ou de um fator de segregação espacial, uma proteção para certas culturas nacionais, contra a mundialização, conduzida – de forma caricatural – pelos Estados Unidos? Da mesma forma, a vida em comunidades fechadas não seria apenas um fator de separação espacial diante de uma violência – real ou imaginária –, ou poderia também ser uma escolha intelectual?

-Dentro, fora, quem escreve para quem e como? Demarcação cultural e entre si. Seria o limite um meio, nessa época mundializada, de conquistar apenas os espaços desejados, produzindo somente para certos públicos (sites internet de difusão com assinatura, distribuição ultra restritiva de textos?) Pode-se desejar escrever/criar para grupos restritos e, se for possível, qual seria o interesse, numa economia cultural mundializada? Qual é o lugar para essas escritas na América Latina, e para quem são voltadas? Estaríamos assistindo a uma pesquisa de “nichos editoriais” por parte dos grandes grupos audiovisuais ou editoriais?

-Que lugar para aqueles e aquelas que ficam fora dos limites, isto é, os expatriados e os exilados? Quais narrativas, quais relações com o espaço e o limite produzem? Qual é o papel da interculturalidade na relação com o limite?

Toda questão que não teria sido abordada, mas respondendo às problemáticas enunciadas acima poderá eventualmente ser submetida.

Os resumos devem ser enviados para anais.fabriol@univ-rennes2.fr e à amerika@openedition.org, antes do dia 15 de outubro de 2021; as respostas serão dadas com maior rapidez caso os artigos sejam enviados até o dia 15 de novembro de 2021.

As propostas devem conter no máximo 1000 caracteres. Podem ser apresentadas em espanhol, francês, inglês, português. As normas para a apresentação dos artigos estão disponíveis no site da nossa revista Amerika, na seção “Appels à contribution”: http://journals.openedition.org/amerika/749).

Os artigos podem ser apresentados numa ou em várias das seguintes línguas: espanhol, francês, inglês, português. 40 000 caracteres no máximo (bibliografia e notas de rodapé inclusas). Podem ser acompanhados por ilustrações, à condição que o autor tenha permissão de difusão.

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