Terça-feira, 11 de Maio de 2021
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Quando Foram os Anos 80?

Início: Fim: Países: Portugal

Chamada para trabalhos, Ciências Humanas e Sociais

É sempre difícil perceber quando já passou tempo suficiente para começar a fazer a história de um período. A proximidade dos anos 80, nesse sentido, torna-os num objeto simultaneamente problemático e desafiante para os historiadores. Pouco mais de vinte anos após o final da década, o período surge normalmente associado à hegemonização política e económica dos valores do liberalismo e à consolidação de uma cultura de consumo nas sociedades ocidentais. Em Portugal, bem como noutros países então recentemente saídos de experiências autoritárias, esses fenómenos foram sentidos como parte de uma descompressão política mais vasta, e acompanhados de processos de integração Europeia que produziram um forte impacto político, mas também económico, social e cultural.
 
Apesar da aparente facilidade com que já se reconhecem estes marcadores históricos, não é ainda possível delimitar os “anos 80” enquanto objeto de estudo com a mesma clareza com que, por exemplo, muitos historiadores definem os “anos 60”, ou mesmo os “longos anos 60”, como uma época marcada por transformações bem reconhecíveis e cronologicamente estabelecidas. Também aqui, momentos marcantes da história Portuguesa recente, como o início das guerras coloniais em 1961 ou o processo revolucionário de 1974-75 são muito mais fáceis de situar historicamente em processos de tempo mais longo do que, por exemplo, a experiência do Bloco Central em 1983, o início do chamado “cavaquismo” em 1985, ou a adesão à Comunidade Económica Europeia em 1986.
 
Entretanto, tem-se recentemente assistido em Portugal à recuperação de vários objetos culturais da década de oitenta, sobretudo em campos então emergentes, como as culturas juvenis, a pop e um universo audiovisual progressivamente organizado em torno da televisão. Estes regressos contribuem para uma definição mais nítida do período na memória coletiva, mas são frequentemente marcados por sentimentos de nostalgia particularmente sensíveis no contexto da atual crise económica que afeta a sociedade Portuguesa. Na formação desta memória, a década surge sobretudo como um período de descompressão política após os extremos da ditadura e da revolução, por um lado, e como momento de abertura ao exterior e a modos de vida mais compatíveis com os de outros países europeus, por outro.
 
E, no entanto, este mesmo contexto de crise tem-se revelado uma boa ocasião para questionar de forma inédita o sistema político do país e sobretudo os modelos económico e social vigentes nas últimas quatro décadas, em particular desde a década de oitenta. Esta pode então ser uma oportunidade não só para revisitar os anos 80 de forma crítica, mas também para identificar fenómenos historicamente decisivos, situando-os em cronologias mais rigorosas. Neste sentido, este colóquio procurará alargar alguns destes debates ao campo cultural, e discutir o lugar da cultura dos anos 80 na história portuguesa recente. Tal abordagem implica simultaneamente a abertura dos fenómenos culturais às suas relações com o político, o social e o económico, mas também a sua inclusão em processos que ultrapassam os próprios anos 80, ora porque já estavam em formação no período pós-revolucionário, ora porque se prolongaram para dentro dos anos 90.
 
Pretendemos, desta forma, abrir o período à história cultural, aos estudos culturais, fílmicos, teatrais, literários, musicais e outros, e contribuir não só para interpelar os anos 80 enquanto período histórico autónomo na investigação de várias disciplinas, mas também em abordagens interdisciplinares que recuperem a sua complexidade política e social. Assim, solicitamos o envio de propostas que se debrucem sobre quaisquer dos seguintes temas tendo os anos 80 como centro cronológico:
 
- consumo e a cultura do consumismo;
- identidade nacional no contexto da integração europeia: nacionalismo e europeísmo;
- o multiculturalismo e o debate pós-colonial;
- corporalidades, reconfigurações do corpo e da sua expressividade;
- redefinições de género e transformação das identidades sexuais;
- novos hábitos sociais: vida noturna, moda, etc;
- culturas juvenis e a figura do jovem;
- culturas urbanas, culturas suburbanas;
- cultura pop e a emergência do rock em Português;
- o desenvolvimento da cultura televisiva;
- a privatização da rádio ;
- manifestações do pós-modernismo;
- circulação internacional de objetos culturais e internacionalização da cultura portuguesa;
- profissionalização artística e abertura do mercado de bens culturais;
- massificação do turismo;
- depressão e desertificação do interior;
- novas causas e culturas políticas;
- novas formas de gestão, de autogestão e faça você mesmo;
- sobrevivências e resistência de movimentos de base dos anos 70;
- memória e historicização da ditadura, da guerra e da revolução.

Envie por favor um resumo com 500 palavras e uma curta biografia para l.trindade@bbk.ac.uk para consideração da sua proposta.
 
Call for Papers // Quando Foram os Anos 80?
Data-limite da submissão de propostas: 31 de dezembro de 2014
Decisões sobre propostas: 2 de fevereiro de 2015
 
Quando Foram os Anos 80?
Conferência
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa,
16 - 17 de Abril de 2015

 
Organização
 
Ana Bigotte Vieira (IFILNOVA e IHC/FCSH/UNL),
Érica Faleiro Rodrigues (Birkbeck, University of London)
Giulia Bonali (Birkbeck, University of London)
Marcos Cardão (IHC/FCSH/UNL)
Luís Trindade (Birkbeck, University of London)
 
IHC/FCSH

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