Terça-feira, 21 de Setembro de 2021
Congressos

GREEN MARBLE 2022 - Encontro Internacional de Estudos do Antropoceno e Ecocrítica

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Portugal

Chamada para trabalhos, Ciências Humanas, Ciências Sociais, Ecocrítica

Primeiro anúncio e chamada para participação

Em 1972, uma notável confluência de acontecimentos científico-culturais contribuiu para uma grande transformação no modo como vemos e pensamos o planeta que habitamos, nele agimos e imaginamos o nosso futuro conjunto:

  • a 5 de junho, em Estocolmo, realizou-se a “United Nations Conference on the Human Environment”, considerada a primeira dedicada ao assunto, ponto de partida para uma nova era na cooperação global sobre problemas ambientais e que abriu caminho para o conceito de desenvolvimento sustentável;
  • a economista baronesa Jackson of Lodsworth, Barbara Ward e o microbiólogo René Dubos publicaram o influente livro Only One Earth: The Care and Maintenance of a Small Planet, assumido como o relatório não oficial dessa Conferência de Estocolmo;
  • o grupo de cientistas sociais e ambientais Donella Meadows, Dennis Meadows, Jørgen Randers e Behrens William III igualmente publicou o muito debatido relatório para o Clube de Roma Limits to Growth, no qual a questão dos limites planetários começou a colocar-se;
  • em agosto desse ano, James Lovelock formulou no curto artigo "Gaia as seen through the atmosphere" a controversa "hipótese Gaia" sobre o envolvimento geológico da vida que, em termos gerais, postula que a Terra e os seus sistemas biológicos se comportam como uma singular entidade que controla e mantém as condições do planeta favoráveis à vida;
  • James Meeker, um biólogo interessado pela literatura, publicou The Comedy of Survival: Studies in Literary Ecology, onde lançou as bases desse campo de investigação, a "a ecologia literária" ou estudo das relações entre as artes literárias e a ecologia científica, ensaio que se revelará seminal da Ecocrítica;
  • a 7 de dezembro desse mesmo ano, a tripulação da missão Apollo 17 da NASA obteve, a 45.000 quilómetros da Terra e a caminho da Lua, a icónica imagem “The Blue Marble” que, para além de ser um dos grandes marcos da fotografia tirada do espaço, alterou profundamente a nossa perceção sobre a Terra, desde então parecendo um lugar pequeno e frágil, e a nossa experiência comum de viver nela. 

No próximo ano, em 2022, ter-se-ão passado cinquenta anos desde a sua ocorrência. Que aconteceu, entretanto? Continuamos a ter uma só Terra, mas como estamos a cuidar dela? E que existência nos é permitido levar nela? Estas são as questões de fundo a serem exploradas no Encontro Internacional de Estudos do Antropoceno e Ecocrítica Green Marble.

Todavia, outras questões mais específicas, e que constituem “solo comum” dos Estudos do Antropoceno – ou do impacto da atividade da espécie humana no Sistema Terrestre – e da Ecocrítica – ou do estudo da relação entre a Literatura e o meio ambiente – áreas que embora distintas partilham um ponto de vista multidisciplinar e interdisciplinar na análise da crítica situação climática, ambiental e ecológica contemporânea, dos seus efeitos, consequências e implicações sócio-político-económicos, culturais e civilizacionais, assim como na discussão e proposta de soluções para corrigir ou melhorar a sua trajetória, podem ser igualmente exploradas. Elas fazem parte, nalguma medida, do legado desse extraordinário ano de 1972: 

  • a nova condição planetária afeta toda a Humanidade do mesmo modo?
  • para que/quem servem as declarações, acordos, tratados internacionais sobre clima, ambiente, ecologia? alguém os cumpre? alguém os respeita?
  • estão o direito internacional e as leis nacionais desajustados da nova condição planetária? contribuem eles mesmo para impedir que ela melhore ou piore?
  • desenvolvimento sustentável é um conceito vazio? uma crença perigosa? um mero instrumento da retórica política?
  • há mesmo limites ao crescimento? onde estão as evidências? existirão apenas nos modelos computacionais e nos manuais científicos? por que razão estão sempre a ser revistos?
  • permanece Gaia um modelo/uma metáfora pregnante para o tempo atual? Gaia está no fim da sua vida? Gaia ainda poderá ser salva?
  • afastou-se a Ecocrítica demasiado das suas origens, quando estava mais alicerçada na Ecologia científica? está a Ecocrítica a tornar-se num campo de estudo empírico da narrativa ambiental? a Ecocrítica é uma forma de ativismo impotente?
  • como se comportam atualmente os géneros literários diante de questões ambientais? podemos falar de eco-poemas, eco-thrillers ou eco-narrativas? o que define estes géneros?
  • continua a literatura de ficção, como reivindicou Amitav Ghosh, tendencialmente alheada da problemática do aquecimento global e das grandes alterações climáticas? o que define as emergentes distopias/utopias antropocénicas? como poderá a literatura ajudar na compreensão da atual condição planetária?
  • a Terra é hoje uma complexa simulação computacional? ou, quiçá, um objeto programável?
  • em que medida a monitorização climática e ambiental mediante tecnologias de informação e comunicação, deteção remota, etc. ajuda a proteger o planeta? a crescente gestão computacional de sistemas (socio-)ecológicos contribui para a desresponsabilização eco ambiental dos cidadãos?
  • etc. 

Convidam-se, assim, todos os investigadores e académicos – das Geociências e das Ciências sociais, das Humanidades e das Artes, das Engenharias e das Tecnologias –  interessados e envolvidos no estudo de problemáticas do Antropoceno e da Ecocrítica a apresentarem propostas em português ou inglês para participação neste Green Marble 2022 (ir para Submissões e principais datas). Ele constituirá uma oportunidade para compartilhar conhecimento e debater questões que têm que ver com a relação entre o ser humano e a natureza e o impacto global da ação humana em nosso planeta, cruzando diferentes pontos de vista disciplinares.

WEBSITE: https://greenmarble2022.weebly.com


First announcement and call for participation

In 1972, a remarkable confluence of scientific-cultural events contributed to a great transformation in the way we see the planet we inhabit, think about it, act on it and imagine our future together: 

  • on June 5, in Stockholm, the “United Nations Conference on the Human Environment” was held, considered to be the first on the subject, the starting point for a new era in global cooperation on environmental problems and which paved the way for the concept of sustainable development;
  • Baroness economist Jackson of Lodsworth, Barbara Ward and microbiologist René Dubos published the influential book Only One Earth: The Care and Maintenance of a Small Planet, considered the unofficial report of this Stockholm Conference;
  • the group of social and environmental scientists Donella Meadows, Dennis Meadows, Jørgen Randers and Behrens William III also published the much debated report for the Club of Rome Limits to Growth, in which the issue of planetary limits began to be framed;
  • in August of that year, James Lovelock formulated in the short article "Gaia as seen through the atmosphere" the controversial "Gaia hypothesis" about the geological involvement of life which generally postulates that the Earth and its biological systems behave like a single entity that controls and maintains conditions on the planet favorable to life;
  • James Meeker, a biologist interested in literature, published The Comedy of Survival: Studies in Literary Ecology, where he laid the groundwork for this field of inquiry, "literary ecology" or study of the relationship between the literary arts and scientific ecology, essay which will prove to be seminal in Ecocriticism;
  • on December 7 of the same year, the astronaut crew of NASA`s Apollo 17 mission obtained, 45,000 kilometers from Earth and on its way to the Moon, the iconic image “The Blue Marble” which, in addition to being one of the great landmarks of the photograph taken from space, profoundly altered our perception of the Earth, since then it has seemed a small and fragile place, and our common experience of living on it. 

Next year, in 2022, fifty years will have passed since their occurrence. What happened, in the meantime? We still have one Earth, but how are we taking care of it? What existence are we allowed to take in it? These are the substantive questions to be explored at the Green Marble International Meeting on Anthropocene Studies and Ecocriticism.

However, other more specific issues, which constitute "common ground" of the Anthropocene Studies – or of the impact of the activity of the human species on the Earth System – and Ecocriticism – or of the study of the relationship between Literature and the environment – areas that although distinct share a multidisciplinary and interdisciplinary point of view in the analysis of the critical contemporary climate, environmental and ecological situation, its effects, consequences and socio-political-economic, cultural and civilizational implications, as well as in the discussion and proposal of solutions to correct or improve its trajectory, can also be explored. They are, to some extent, part of the legacy of that extraordinary year of 1972: 

  • does the new planetary condition affect all of Humanity in the same way?
  • what/who are declarations, agreements, international treaties on climate, environment, ecology for? does anyone comply with them? does anyone respect them?
  • are international and national laws inadequate for the new planetary condition? do they themselves contribute to preventing it from getting better? or even to make matters worse?
  • is sustainable development an empty concept? a dangerous belief? a mere instrument of political rhetoric?
  • are there really limits to growth? where is the evidence? will they exist only in computer models and scientific textbooks? why are they always being revised?
  • does Gaia remain a pregnant model/metaphor for the present time? Is Gaia at the end of its life? can Gaia still be saved?
  • has Ecocriticism strayed far from its origins when it was more grounded in scientific ecology? Is Ecocriticism becoming a field of empirical study of environmental narrative? is ecocriticism a form of powerless activism?
  • how are literary genres currently facing environmental issues? can we talk about eco-poems, eco-thrillers or eco-narratives? what defines these genres?
  • does fictional literature continue, as claimed by Amitav Ghosh, tending to be oblivious to the problem of global warming and major climate change? what defines the emerging anthropocene dystopias/utopias? how can literature help to understand the current planetary condition?
  • is Earth today a complex computer simulation? or perhaps a programmable object?
  • to what extent climate and environmental monitoring through information and communication technologies, remote sensing, etc. help protect the planet? does the growing computational management of (socio-)ecological systems contribute to the eco-environmental de-responsibility of citizens?
  • etc. 

We invite all researchers and scholars – from the Geosciences and Social sciences, Humanities and Arts, Engineering and Technologies – interested and involved in the study of Anthropocene and Ecocriticism issues to submit proposals in Portuguese or English for participation in this Green Marble 2022 (go to Submissions and key dates). It will be an opportunity to share knowledge and debate issues related to the relationship between human beings and nature and the global impact of human action on our planet, crossing different disciplinary points of view.

WEBSITE: https://greenmarble2022en.weebly.com

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