Domingo, 14 de Agosto de 2022
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Conferência de Irene Flunser Pimentel: “Treze anos de guerra colonial portuguesa em África”

Início: Países: Luxemburgo

História

A Embaixada de Portugal e o Centro Cultural Português – Camões no Luxemburgo, em colaboração com o Museu Nacional de História e de Arte MNHA, divulgam, no âmbito da exposição “Le passé colonial du Luxembourg”, a conferência de Irene Flunser Pimentel, intitulada: “Treze anos de guerra colonial portuguesa em África”.

A conferência terá lugar no MNHA, dia 16 de Junho pelas 18:00 e será proferida em francês.

Treze anos de guerra colonial portuguesa em África

A guerra colonial levada a cabo pela ditadura portuguesa em Angola, na Guiné e em Moçambique teve diversos nomes, consoante o espaço geográfico e político de quem a ela se refere: do Ultramar, para o regime ditatorial; colonial, para outros os oposicionistas e, de libertação, para todos os que pegaram em armas para obtê-la. Em 1961, os ventos da descolonização que varriam África também se fizeram sentir em Angola, em Fevereiro e Março. Dirigindo-se aos portugueses, a 13 de Abril, Salazar explicou ser seu objectivo avançar «Para Angola, rapidamente e em força!» A guerra pela independência nas colónias portuguesas alastrou à Guiné-Bissau em 1963, e a Moçambique, em 1964, no final do qual já estavam envolvidos na guerra em África 85 mil militares portugueses, nessas três colónias africanas. À medida que se prolongava uma guerra considerada injusta, muitos jovens portugueses, obrigados a cumprir o serviço militar durante três anos, emigravam para países europeus ou desertavam. Após treze anos de guerra colonial, ao chegar-se a 1974, tinham morrido 8.831 jovens portugueses e 15.507 ficaram portadores de deficiência. Entre os africanos, não estão ainda hoje contabilizados os mortos e os feridos africanos, que poderão ter chegado aos cem mil. A guerra colonial sem fim à vista levou oficiais militares portugueses de patente intermédia a levarem a cabo um golpe de Estado militar, que, em 25 de Abril desse ano derrubou o regime ditatorial português e levou à instauração da democracia e à descolonização. Hoje, 48 anos depois, a memória da guerra colonial ainda não é pacífica e existem na sociedade portuguesa traumas, que só o conhecimento histórico dos dois lados da barricada permitirá sarar.

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