Terça-feira, 22 de Agosto de 2017

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Translocalidades e ativismo nas artes eletrônicas e biomidias latinoamericanas

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: França

Literatura, Arte, Chamada para artigos, Música, Comunicação, TIC, Media, Ciências Humanas e Sociais

A revista Artelogie seleciona artigos para sua edição de número 11 com o tema Deslocalidades, translocalidades e ativismo nas artes eletrônicas e biomidias latinoamericanas. São bem-vindos trabalhos de disciplinas diversas vinculadas à teoria e à produção da arte eletrônica e biomidia latinoamericana (literatura eletrônica, musica eletroacústica, bioarte, arte generativa, robótica, etnografia digital, sociologia digital, palenteologia digital, ciências sociais pós humanas digitais). A data máxima para o envio dos trabalhos é o 15 de setembro de 2017. A edição é cordenada por Pat Badani, Iliana Hernandez Garcia, Claudia Kozak et Priscila Arantes. Os trabalhos podem ser escritos em francês, espanhol, português e inglês.

A Revista Artelogie é uma iniciativa de um grupo de pesquisadores participantes da Equipe Fonctions imaginaires et sociales des arts et des littératures (Funções imaginarias e sociais das artes e das literaturas) da L'École des hautes études en sciences sociales (EHESS) de Paris. Seu âmbito de pesquisa é a América Latina em sentido amplo e diverso. A partir da edição de números temáticos, a revista tem por objetivo acompanhar a evolução das pesquisas dedicadas a este vasto conjunto cultural. Pluridisciplinar por definição, tem-se por ambição cobrir uma grande variedade de criações, tanto intelectuais quanto artísticas e culturais.

A publicação é pensada como um espaço de diálogo e um instrumento de informação para pesquisadores assim como fonte de informação direcionada ao público mais amplo. Nesta perspectiva, Artelogie é aberta a todos os pesquisadores que abordem esses assuntos e é publicada em três línguas de maior circulação – espanhol, francês e português.

Eixo Temático

A presente convocatória tem como objetivo reunir artigos que tenham como objeto as artes eletrônicas e biomídias latino-americanas a partir de uma série de conceitos articulados. Deslocalidades, translocalidades e ativismo buscam discutir de que maneira as práticas artísticas evidenciam seu vínculo, por um lado, com contextos específicos de produção e recepção das artes atravessadas por posicionamentos glocais e translocais diversos e, por outro lado, com as mutações ontológicas que nossa época produz em relação - não mais com localizações regionais - ao vivente em um sentido mais amplo. A chamada busca, ainda, reunir propostas artísticas em arte e tecnologia em suas relações com o ativismo implicado em mobilizar e criar novas ecologias sociais a partir de ações coletivas, relacionais e colaborativas.

O conceito de deslocalização convida para uma reflexão sobre a importância de ampliar as discussões para além dos contextos históricos específicos, sem que por isso remeta a outros sentidos como, por exemplo, de sua utilização no mundo empresarial que busca, com a deslocalização, mercados de trabalho a menor custo. O conceito se refere às deslocalizacões pós humanas que seguem lógicas trivalentes ou polivalentes e que implicam em experimentações artísticas capazes de lidar com novas ontologias do existente não mais reduzido a binarismos que excluam múltiplas aberturas possíveis. As lógicas trivalentes ou polivalentes são aquelas que consideram mais de três possibilidades simultaneamente. Na ontologia, por exemplo, sua relação com as deslocalizacões pós humanas consiste em que se pode ser humano e não humano de uma só vez, assim como ser uma máquina. Em síntese, se está vivo em graus e em naturezas distintas e não em oposição.

Além disso, essas experimentações artísticas colocam em debate a questão do vivente-já não necessariamente humano, nem humanista e não somente mais o terrestre - que corre em paralelo com posicionamentos glocais ou translocais próprios do olhar teórico da arte eletrônica e biomídia. Se defende que para não cair em uma nova forma de colonialismo em relação a América Latina, seria também necessário produzir arte e pensamento a partir da América Latina que dizem respeito não somente a fenômenos latino americanos específicos, mas também aos modos da existência em sentido mais amplo.

Pensadores da filosofia contemporânea (tais como Peter Sloterdijk, Andy Clark, David Chalmers, Paul Humphreys, entre outros e outras) apontam para um debate sobre uma ruptura ontológica provocada pela visão de mundos que coexistem em constante multiplicidade relacional. Este debate abarcaria uma reflexão sobre a vida e sobre o humano em coexistência com o artificial, aludindo a sistemas complexos e emergentes com o objetivo de repensar as novas ecologias humanas e de vida e sua relação com o eletromecânico. Se trata de abordar escalas amplas de tempo, onde podemos observar imprevisibilidades e transformações radicais que apresentam a potência criadora da máquina. O que implica o estudo do imprevisível em uma estética que é entendida por padrões não deterministas dos processos criativos. Em particular, redefinidos agora por uma epistemologia sobre o não humano das criações de mundos virtuais imersivos. Os mesmos desenvolvidos com ‘software’, ‘hardware’, ou ‘wetware’ em evolução que envolvem considerações de espaço / tempo deslocalizados e sintéticos.

Na verdade, estas discussões são paralelas a questões de translocalidades na arte contemporânea (em seu sentido mais amplo que abarca a arte e a tecnologia), que ocorrem dentro de contextos de ruptura e questionamentos relacionados às discussões eurocêntricas sobre as criações artísticas. Neste sentido, se trata de tentar entender as complexidades e os distintos olhares que se produzem em diálogo com as diferenças, os desenquadramentos e as operações de criação de mundos atuantes como, por exemplo, as produções que se ocupam de ativar espaços sociais.

Neste último sentido, muitas das discussões atuais no campo da interface entre arte, ciência e tecnologia estão bastante vinculadas a questões relacionadas ao ativismo, isto é, à capacidade da arte de atuar em meio à crítica, ao protesto e sobretudo de sua potencialidade criativa. Dentro desta perspectiva a virada social na arte contemporânea e nas artes eletrônicas (‘social turn’), e para alguns, a virada educacional (‘educacional turn’), diz respeito à compreensão da arte como processo criador e prática criativa e como tal potente, em si mesma, na construção de novas relações, saberes e ecologias humanas e sociais. Combinar a arte e tecnologia com a ação social, entre artistas e não artistas, a partir de práticas colaborativas, intersubjetivas, relacionais e coletivas significa, neste sentido, a compreensão destas produções como formas atuantes, ativas no processo de conhecimento e modificação da realidade vivente. A produção em arte e tecnologia é entendida aqui menos como um dispositivo de linguagem dentro de uma perspectiva formalista, mas como uma prática de novos espaços sociais de colaboração.

Com o objetivo de abordar as questões apontadas, o número 11 da revista Artelogie convoca pesquisadores, artistas e gestores de disciplinas diversas vinculadas à teoria e à produção da arte eletrônica e biomidia latinoamericana (literatura eletrônica, musica eletroacústica, bioarte, arte generativa, robótica, etnografia digital, sociologia digital, palenteologia digital, ciências sociais pós humanas digitais) a enviar suas colaborações em torno das seguintes questões:

  • Como deslocalizar a arte eletrônica e a bioarte produzida na America Latina?
  • Como se estabelecem leituras a partir de localizações latino americanas não essencialistas, atravessadas tanto pelo glocal e translocal como por novas ontologias que afetam o vivente para além daquele da América Latina?
  • Como se expandem os limites ou as bordas da arte eletrônica ou da arte em relação com a ciência e a tecnologia, quando estas últimas transbordam em possibilidades, aberturas e conhecimentos novos?
  • De que maneira se cruzam na America Latina a imaginação conceitual, a multiplicidade de olhares, com realidades que não necessariamente existem em outros contextos?
  • De que maneira a arte, a ciência e a tecnologia estão atravessadas por questões urgentes do mundo contemporâneo em nossa era de estados permanentes de emergências?
  • De que maneira a arte, a ciência e a tecnologia podem atuar no sentido de contribuir para a criação de novas ecologias sociais, humanas e pós humanas?

Campos de investigação sugeridos: bioarte sintética, direitos das espécies sintéticas, biopoder e produção de subjetividades artificiais, artes eletrônicas e arte biomidia em nível, ecopolítica das paisagens artificiais, ecossistemas e ecologias tecnológicas, arte eletrônica ativista, hackativismo, epistemologia robótica não humana, estética do banco de dados, mundos virtuais imersivos realizados com ‘software’, ‘hardware’ ou ‘wetware’.

Mais informações através do e-mail artelogie@gmail.com e na página da revista Artelogie.
 

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