Sábado, 16 de Dezembro de 2017

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Literatura: a emergência do político | Chamada da revista Nau Literária

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Brasil

Literatura, Chamada para artigos

A Revista Nau Literária (ISSN 1981-4526), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul está com chamada aberta para o dossiê "Literatura: a emergência do político", organizado por Claudia Caimi e Antônio Barros de Brito Junior. O prazo para entrega dos artigos é 31 de outubro de 2017.

Tema: Literatura: a emergência do político

Ementa:

“Tomar posição é situar-se pelo menos duas vezes, em pelo menos duas frentes que toda posição comporta, pois toda posição é, fatalmente, relativa”. É desse ponto de vista de que parte Georges Didi-Huberman para estudar a obra do poeta e dramaturgo Bertolt Brecht. Desse modo, a condição de exilado de Brecht ganha uma singular importância no que se refere à tomada de posição política, como se, estando no entre-lugar, Brecht pudesse medir distâncias, confrontar ideias, assumir posições dentro de seu projeto artístico e avaliar o transcurso da história na formação das mentalidades sociais. Assim, também o público é convidado a tomar posição diante dos antagonismos e contradições que perpassam a obra de Brecht, bem como o próprio mundo do pós-guerra, o que faz Jacques Rancière, por sua vez, entender a obra de Brecht como instauradora de uma distância entre o autor e seu público. Para Rancière, o teatro brechtiano assume a função pedagógica de orientar o ponto de vista do público, oferecendo-lhe uma perspectiva – uma posição –, orientando o seu olhar, o que, portanto, faz com que as posições do autor e do público sejam diametralmente opostas, infinitas, uma vez que um assume a condição de mestre, ao passo que o outro é o ignorante. Com isso, pensada como uma literatura política, as obras brechtianas põem-se contra a democracia e a emancipação que estão na base da experiência literária. Seja como for, do exemplo de Brecht se destaca a ambiguidade da arte engajadamente política: ao mesmo tempo em que toma posição para falar de seu lugar e contexto, criando imagens políticas que intervêm no debate político de onde autor, obra e público emergem, ela também transcende as fronteiras desse lugar, no sentido de preparar a cena de um porvir que é, no limite, a suposta realização de um mundo que está fora de qualquer contexto histórico, um mundo ainda à espera de acontecer. Logo, o discurso estético se vê presa de uma autofagia histórica – ela está fadada ao desaparecimento pela sua historicidade mais radical – e de uma autofagia estética – ela não é apenas arte, devendo, por isso, ser considerada como interventora no âmbito público. E é desse lugar intermediário, tensionado por essa e outras dicotomias, que a obra literária, como qualquer obra de arte, convida à tomada de posição do autor e dos seus diferentes leitores.

Prazo para submissões: 31 de outubro de 2017 

Mais informações no site da Nau Literária.

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