Quinta-feira, 19 de Julho de 2018
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Chamada para artigos revista I-land: As geografias literárias africanas de língua portuguesa em discussão

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Itália

Chamada para artigos, Estudos Africanos, Literatura

I-LanD Journal – Identity, Language and Diversity
International Peer-Reviewed Journal

Chamada para artigos: “Espaços de escrita, escritas do espaço: as geografias literárias africanas de língua portuguesa em discussão”

O próximo número monográfico da revista I-LanD Journal tem como tema “Espaços de escrita, escritas do espaço: as geografias literárias africanas de língua portuguesa em discussão”, e é organizado por Nazir Can (UFRJ-Rio de Janeiro) e Livia Apa (Cesac, Unior-Nápoles).

Principais tópicos a abordar:

  • Formas e funções do espaço nas literaturas africanas de língua portuguesa;
  • Relações entre “lugares representados” e “lugares de enunciação”;
  • Cruzamentos entre literatura, geografia e outras linguagens;
  • Utopias, desilusões ou “viradas epistemológicas” que o espaço ajudou a criar nos imaginários africanos focalizados;
  • Contornos de renovação estética que foram inspirados ou projetados pela geografia no campo literário.

As contribuições, mesmo tendo como base de análise as literaturas africanas de língua portuguesa, podem abrir-se a uma reflexão que tenha em conta o pensamento crítico produzido pelas ciências sociais e a contribuição das artes visuais.

Todos os textos devem ser redigidos em português.

Indicações para os resumos: Os resumos devem ter aproximadamente 500 palavras, referências bibliográficas excluídas.

Indicações para os artigos: Os artigos devem ter entre 7000 e 8000 palavras, referências bibliográficas excluídas. Os textos devem ser apresentados sem indicação do nome do autor e afiliação acadêmica e acompanhados por um e-mail onde constem as informações pessoais.

Contactos para a submissão dos artigos: liviaapa@gmail.com, nazircann@gmail.com, ilandjournal@unior.it

Prazos:

  • Submissão dos resumos: 26 de julho;
  • Notificação de aceitação: 5 de agosto;
  • Prazo de submissão: 6 de dezembro.

Descrição:

O presente número do I-LanD Journal convida à reflexão sobre os pactos e os impactos do espaço nas literaturas africanas de língua portuguesa.

Guardadas as distâncias entre os projetos estéticos postos em circulação no passado e no presente, não é difícil constatar a importância da geografia na formação e nas sucessivas transformações dos universos literários africanos. Objeto e motor de escrita, abrigo e veículo de posicionamentos estéticos e ideológicos, o espaço não se apresenta nesses contextos apenas como moldura, nem se encontra unicamente ao serviço da descrição. Trata-se, pelo contrário, de uma categoria ativa, capaz de engendrar relações entre personagens, de fazer dialogar vários campos do saber, de desocultar momentos silenciados da história e, consequentemente, de projetar visões de mundo que nem sempre são previstas pelas epistemologias hegemônicas.

É certo que os relatos de viagem e a escrita colonial se detiveram também nas paisagens africanas. Contudo, enquanto estas produções eram filtradas pela miopia dominante do forasteiro ou do colono, que retratavam sua relação de desconforto e de heroicidade com o meio, entretanto uniformizado pela negativa (as “trevas”, o “mato”, o “fim do mundo”), as literaturas africanas souberam captar o aspecto transgressivo do espaço e, através dele, recriar a especificidade dos percursos históricos e identitários de cada um dos lugares enfocados. Isto é, enquanto naquela literatura “sobre a África” havia uma inclinação para a construção de uma paisagem a-histórica, apreendida por uma perspectivamonofocal, nas literaturas “das Áfricas” o espaço exercita uma comunicação fluída com os regimes de historicidade e um pacto com a humanidade, reforçando, desse modo, a natureza plástica e dialógica que já lhe era atribuída na textualidade oral do continente. Nas escritas africanas, enfim, o espaço é relacional, articula-se com as ideias de cultura, comunidade, sociedade e estética.

Conforme demonstraram os estudos de Edward Said, Mary LouisePratt e Francisco Noa (sobre as literaturas imperiais e coloniais), Pierre Bourdieu e Franco Moretti (no campo das literaturas europeias), AntonioCandido e Ángel Rama (a propósito das literaturas latino-americanas) ou Rita Chaves e AntjeZiethen (acerca das literaturas africanas), apenas para citar alguns exemplos, a observação simultânea do “espaço da escrita” e da “escrita do espaço” oferece um horizonte analítico muito produtivo. Ao possibilitar o cruzamento entre espaço textual, espaço intertextual e espaço institucional, esta via salienta especificidades, favorece a observação da história literária por outro ângulo e reduz o risco de uniformização que ensombra, ainda nos dias que correm, o continente e suas produções culturais. Indagar os motivos que levaram os escritores africanos de língua portuguesa a eleger certos espaços, que são desenhados não como adorno, mas como fundamento da história vivida ou desejada, contribui, em suma, para um maior entendimento sobre o itinerário dessas produções.

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The I-LanD Journal (http://www.unior.it/index2.php?content_id=15279&content_id_start=1&titolo=i-land-journal&parLingua=ENG) reflects a commitment to publishing original and high quality research papers addressing issues of identity, language and diversity from new critical and theoretical perspectives. All submissions are double-blind peer-reviewed. In fulfillment of its mission, the I-LanD Journal provides an outlet for publication to international practitioners, with a view to disseminating and enhancing scholarly studies on the relation between language and ethnic/cultural identity, language and sexual identity/gender, as well as on forms of language variation derived from instances of contamination/hybridization of different genres, discursive practices and text types.

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