Domingo, 18 de Novembro de 2018
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Chamada para artigos – IdeAs 14: "Os populismos nas Américas"

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: França

Chamada para artigos, Ciências Humanas e Sociais, Estudos Latino-Americanos

IdeAs. Idées d'Amériques é a revista on-line do Instituto das Americanas e seu acesso é gratuito. Ela promove um enfoque multidisciplinar no campo das Ciências Humanas e Sociais. Trata-se de uma revista dedicada ao estudo do continente americano em sua totalidade. A revista propõe a cada ano dois números temáticos, publicando artigos transnacionais e transdisciplinares. Através de publicações online, a revista IdeAs espera criar um espaço de debates e de trocas sobre vários assuntos, favorecendo também uma política ativa de tradução.

A revista tem várias rubricas; entre elas, um dossiê temático principal que inclui, para cada número:

  1. Artigos solicitados pelos coordenadores de um número, cuja orientação é fixada pelo comitê de redação;
  2. Contribuições que respondem a uma chamada para artigos e que são examinadas pelo comitê e pelos coordenadores do número.

O número 14 da revista, que vai ser publicado em setembro-outubro de 2019, vai tratar dos populismos nas Américas. Um detalhe importante: nossa revista não inclui uma rubrica “Varia”.

Durante os dez últimos anos, o populismo se configurou como uma noção-chave, muito recorrente, na análise da evolução política e social de muitos países dos continentes europeus e americanos. Nas Américas, o populismo foi invocado, ultimamente, para designar correntes e sensibilidades políticas muito diferentes, em relação com movimentos, personalidades ou governos distintos, tais como Occupy Wall Street, o Tea Party, Bernie Sanders ou Donald Trump. Na América latina, a palavra se refere, às vezes, a regimes qualificados como nacionais populares: o Venezuela chavista, a Bolívia dirigida por Evo Morales, a Argentina dos governos Kirhcner. Porém, é também usada para aludir a correntes ultra-conservadoras, como é o caso do movimento encarnado por Jair Bolsonaro, o candidato à presidência do Brasil em outubro de 2018.

Essa ubiquidade mal disfarça uma certa confusão conceitual (Mudde, 2007; Hermet, 2001; Taguieff, 1997; Laclau, 2008), já que o populismo segue a democracia como uma sombra (Arditti, 2004; Canovan, 1999). O caráter atual do populismo pode aparecer como um sinal de que as democracias ficam submergidas por demandas econômicas, sociais, identitárias e securitárias, o que pode nutrir uma denúncia das elites e uma defesa de um povo supostamente virtuoso. Contudo, a delimitação do populismo permanece vaga. Por um lado, isso se deve ao fato de que dois níveis de discursos se embaralham – o discurso dos atores políticos e o dos analistas em ciências sociais ou políticas. Por outro lado, a diversidade desse fenômeno transnacional pode levar a uma leitura que não considera as diferenças entre os casos nacionais. Assim, a história do populismo é bem diferente na Europa do que nos Estados Unidos, no Canadá e na América latina. No Velho Continente, o populismo remete geralmente a movimentos deextrema-direita (Mudde, 2007) ou, segundo George Lavau (1970), a uma “função tribunícia” dos partidos de esquerda. Ao contrário, nos Estados Unidos, berço do dito “Partido populista”, se trata de um termo político associado a uma paixão egalitária que surgiu a partir da Revolução americana (Kazin, 1995, Muller 2004). E na América latina, a palavra vem sido carregada por uma extensa experiência histórica em todo o sub-continente, desde os anos 1930 e as importantes transformações sociais que aconteceram na Argentina de Perón, no Brasil de Vargas, na Bolívia agitada pela revolução MNR, ou no México de Cárdenas, para citar apenas os casos mais famosos (Marques-Pereira, Garibay, 2011).

Este número de IdeAs pretende oferecer um olhar original sobre este assunto. A partir de estudos localmente situados, nosso dossiê apresentará de que maneira os historiadores, os sociólogos e pesquisadores em ciências políticas, trabalhando sobre as Américas do Sul ou do Norte, mobilizam esta noção de populismo e lançam luz, através dela, sobre fenômenos sociais, políticos e econômicos nesses países. Numa democracia, o que diferencia o populismo das tentativas de captar os votos dos eleitores, em particular os eleitores das classes populares? Como o assinalavam Yves Mény e Yves Surel (2002), os movimentos populistas se expressam e se comportam como se a democracia se reduzisse apenas ao poder do povo. Porém, é preciso afinar esse diagnóstico geral, posto que os populismos, longe de serem sistematicamente opostos às sofisticações da democracia liberal e representativa (Manin, 2005), se declinam num grande continuum. Portanto, o objetivo deste número é contribuir a identificar os critérios populistas a partir de exemplos tirados tanto da América do Norte quanto da América do Sul.

Como fazer una proposta?

Todas as propostas, redigidas em francês, em inglês, em português ou em espanhol, deverão apresentar-se da seguinte forma:

  • un título
  • um resumo (400 signos no máximo, incluindo os espaços)
  • 5 palavras-chaves
  • uma breve nota bio-bibliográfica (10 a 15 linhas, no máximo)

Mandem suas propostas por correio eletrônico, antes do dia 15 de novembro de 2018: isabelle.vagnoux@univ-amu.fr e gt-recherche@institutdesameriques.fr

As propostas vão ser avaliadas por nosso comitê de redação e pelos coordenadores do número. Caso os resumos chamem nossa atenção, entraremos em contato com os autores o mais rápido possível, aos quais pediremos um envio do artigo completo antes do 31 de janeiro de 2019.

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