Domingo, 24 de Setembro de 2017

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Conferência Mulheres nas Artes: Percursos de desobediência

Início: Fim: Países: Portugal

Eventos, Literatura, Arte, Música, Cinema, Artes visuais

Literatura, Música, Cinema, Artes Visuais e Artes de Palco orientam debates na «Conferência Mulheres nas Artes: Percursos de desobediência», a decorrer nos dias 16 e 17 de outubro 2017 no  Edifício Sede – Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. A entrada é livre.

“Às vezes eu faço alguma coisa proibida, só pra me lembrar que eu sou livre”, declarou Clarice Lispector, extraordinária escritora que, no seu primeiro romance (Perto do Coração Selvagem) escreveu: “Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome”.

Qualquer forma de criação nasce da desobediência, isto é, da capacidade de questionar o que existe, o que está, o que é considerado como adquirido por uma determinada sociedade. A metade feminina da humanidade esteve aparentemente confinada ao silêncio e à obediência até há pouco mais de cem anos; os sinais da sua potencial ou efectiva desobediência foram, com raras excepções, não só punidos como apagados. A cultura da opressão gera uma contracultura de resistência. Virginia Woolf expressou, já no início do século XX, o seu temor de que a raiva contra a opressão se tornasse um segundo grau da opressão, pelo espaço que ocupava dentro do pensamento, impedindo-o de ver além da miséria da sua condição e enevoando a possibilidade da descoberta.

 A afirmação das mulheres nas artes foi e é ainda um trajecto de desobediências múltiplas e sucessivas. Um trajecto feito de obstáculos, dificuldades, descobertas, depressões e alegrias singulares. Mas poderá ser a desobediência apenas uma perversão da obediência? Poderá tornar-se a desobediência em armadilha e padrão? A voz conquistada na resistência pode libertar-se do imediatismo do combate? Como pode uma artista encontrar e fazer ver ou ouvir uma linguagem que seja sua num mundo de em que os cânones artísticos foram, e continuam maioritariamente a ser, estabelecidos por intelectuais e artistas do sexo masculino?

Ao longo de dois dias, 18 artistas debaterão estas questões e falarão dos seus percursos em cinco mesas de debate (respectivamente: Literatura, Música, Cinema, Artes Visuais e Artes de Palco) e três conversas de vida e obra. Homenageamos os percursos de três figuras marcantes da cultura portuguesa: a poetisa, romancista e activista Maria Teresa Horta,  a escritora Lídia Jorge e a pintora Graça Morais. Evocaremos as obras de Clarice Lispector e de Fiama Hasse Pais Brandão, no ano em que se cumprem 40 anos sobre a morte da primeira e dez anos sobre a morte da segunda, através das vozes da poeta Filipa Leal e da actriz e encenadora Natália Luiza. Estrearemos um filme realizado por uma mulher e assistiremos a um espectáculo de vozes femininas cantando peças de compositoras. 

Joumana Haddad, escritora e jornalista libanesa que lançou e dirige há dez anos uma revista cultural sobre o corpo (JASAD) em árabe e destinada ao mundo árabe, é a conferencista convidada deste Encontro; a sua voz lúcida e desassombrada tem-se dedicado a destruir os tabus e equívocos sobre criatividade, arte e relação entre homens e mulheres, tanto no Oriente como no Ocidente. Joumana Haddad lançará, nesta conferência, a tradução portuguesa do seu livro “Eu Matei Xerazade-Confissões de Uma Mulher Árabe Enfurecida”, que será apresentado pelo poeta e ensaísta Nuno Júdice.

As conferências de abertura e fecho do encontro caberão respectivamente a Guilherme d’Oliveira Martins e Rui Zink, dois intelectuais e escritores que têm contribuído, quer através do que escrevem quer através do seu exemplo de vida, para o desígnio de um mundo de autêntica paridade entre todos os seres humanos. 


Programa

16 out

9:15
Sessão de abertura

9:30 – 10:00
Palestra Inaugural
Guilherme d’ Oliveira Martins

10:00 – 11:30 
Debate 1 – Literatura 
Karla Suarez, Maria Manuel Viana, Tatiana Salem-Levy
Moderação: Francisco José Viegas

11:30 – 12:00 Intervalo

12:00 – 13:00
Conversa de vida: Lídia Jorge 
Moderação: António Carlos Cortez

14:30 – 16:00 
Debate 2 – Música
Anne Victorino d’Almeida, Aldina Duarte, Mafalda Veiga
Moderação: Rui Vieira Nery

16:00 -16:30 
Recital 
Fiama Hasse de Pais Brandão – por Natália Luiza

16:30- 17:00 Intervalo

17:00- 18:00
Conversa de vida: Maria Teresa Horta 
Moderação: Nicolau Santos

18:00- 19:00 
Palestra Joumana Haddad
 
17 out

9:30 – 11:00
Debate 3 – Cinema 
Leonor Teles, Patrícia Vasconcelos, Rita Blanco
Moderação: Pedro Borges

11:00 – 11:30 Intervalo

11:30 – 12:30
Conversa de Vida: Graça Morais 
Moderação: Nuno Júdice

12:30 -13:00
Recital 
Clarice Lispector – por Filipa Leal

14:30 – 16:00
Debate 4 – Artes Visuais
Ana Pérez-Quiroga, Ana Vidigal, Sofia Areal
Moderação: Alexandre Melo

16:00 – 16:15 Coffee-break

16:15 -17:45 
Debate 5 – Artes de Palco 
Ana Sofia Martins, Olga Roriz, São José Lapa 
Moderação: João Lourenço

17:45 -18:15
Palestra de encerramento 
Rui Zink

19:00 – 19:45
Canções de compositoras variadas (Nuno Vieira de Almeida + intérprete a confirmar)
(sala Polivalente)

Mais informações: https://gulbenkian.pt/evento/mulheres-nas-artes.

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